Nota editorial: publicada originalmente em 2023 e atualizada em setembro de 2026.
Toda despedida deixa um objeto para trás. A de Pelé deixou uma camisa amarela.
Em 11 de julho de 1971, no Morumbi, em São Paulo, Pelé marcou contra a Áustria seu último gol pela seleção brasileira, o 77º em partidas oficiais, em 92 jogos. Uma semana depois, em 18 de julho, se despediu da camisa canarinho no Maracanã, num empate de 2 a 2 com a Iugoslávia. A camisa número 10 que ele vestiu naquela tarde no Morumbi virou, meio século depois, uma das peças mais cobiçadas do colecionismo esportivo.
A peça: Athleta, gola redonda, escudo da CBD
É uma camisa de manga curta, da marca Athleta, com gola redonda e o escudo bordado da antiga CBD, a Confederação Brasileira de Desportos. Sua trajetória recente ajuda a explicar o valor. Ela pertenceu ao humorista britânico David Baddiel, que a arrematou num leilão beneficente ligado à FIFA, e depois ficou exposta no National Football Museum, em Manchester. Em junho de 2023, seis meses depois da morte de Pelé, aos 82 anos, foi oferecida pela casa britânica Graham Budd Auctions, com estimativa entre 100 mil e 150 mil libras.

O mercado: o Rei depois do Rei
A morte de Pelé, em dezembro de 2022, acelerou um movimento que já vinha forte: peças usadas em campo, com procedência documentada, passaram a disputar espaço com arte e relógios nos grandes pregões. Em 2026, a camisa que ele vestiu na final da Copa de 1958, na Suécia, aos 17 anos, foi vendida por 4,9 milhões de dólares num leilão da Sotheby’s em Nova York.
O que se paga, nesses casos, não é o tecido. É a certeza de que aquela peça esteve lá, no momento exato em que a história aconteceu. Por isso a documentação importa tanto quanto a camisa: fotos da partida, cadeia de proprietários, registros de museu. A de 1971 tem tudo isso, e tem algo que nenhuma outra tem, o último gol.
O camisa 10 se foi, e a seleção trocou de uniforme incontáveis vezes desde então. Resta o algodão amarelo, dobrado numa vitrine, guardando o instante em que Pelé balançou a rede pela seleção uma última vez.
Redação WAYFARER


