WAYFARER · Estilo | Joalheria
Há joias que se colocam. A LOVE se fecha. Desde 1969, a pulseira da Cartier só sai do pulso com uma pequena chave de fenda, e talvez por isso tenha virado a peça mais íntima da joalheria moderna. Para a nova fase de LOVE Unlimited, a Maison levou essa intimidade ao pé da letra: quem fotografa Jacob Elordi agora é a irmã dele.
LOVE em 30 segundos
- Origem: Nova York, 1969, desenho de Aldo Cipullo
- O código: parafusos aparentes e uma chave de fenda para abrir
- A campanha: Jacob Elordi, fotografado por Isabella Elordi
- O novo: colar todo em ouro, bracelete e anel com diamantes
- O detalhe: fecho invisível patenteado que une um bracelete ao outro

1969
Um parafuso como declaração
A LOVE nasceu em Nova York, no ano em que o designer italiano Aldo Cipullo chegou à Cartier. Em vez de fecho, dois pequenos parafusos. Em vez de presente comum, um pacto: a pulseira vinha com uma chave de fenda e foi pensada para ser dada de uma pessoa a outra, que a fecharia no pulso de quem ama. Era o fim dos anos 1960, e a ideia de um amor livre, mas comprometido, cabia perfeitamente num aro de ouro.
No começo dos anos 1970, a peça já circulava entre nomes como Elizabeth Taylor, Richard Burton e Andy Warhol. Cinco décadas depois, o parafuso aparente segue sendo um dos códigos mais reconhecíveis da joalheria, imitado à exaustão e nunca igualado.
Há joias que se colocam. A LOVE se fecha.

A campanha
O irmão, pelo olhar da irmã
Jacob Elordi já tinha estrelado LOVE Unlimited no ano passado, fotografado em Nova York por Sofia Coppola, que o dirigiu em Priscilla. Para o retorno, a Cartier trocou a grande diretora por alguém mais próximo. Isabella Elordi fotografou o irmão em cenas quase domésticas: a xícara de chá num quarto de hotel, o lençol desfeito, o espelho do banheiro, um terraço com a cidade ao fundo. A joia aparece como aparece na vida real, no pulso de quem não está posando para ela.

“Quis retratar Jacob como o conheço”, diz Isabella. É exatamente essa naturalidade, impossível de encomendar a um estranho, que dá às imagens o seu peso.


A joia aparece como na vida real: no pulso de quem não está posando para ela.
As peças
LOVE Unlimited, o que muda
LOVE Unlimited retoma os códigos de 1969 e os abre para novas combinações. A grande estreia é um colar inteiramente em ouro, em ouro rosa, amarelo ou branco, com elos fluidos intercalados pelos parafusos da coleção. Cada peça reúne cerca de duzentos componentes miniaturizados, polidos à mão.

Nos braceletes e anéis, os parafusos dão lugar a diamantes de lapidação redonda, encaixados em engastes que reproduzem a forma do parafuso. O detalhe mais engenhoso, porém, não se vê: o bracelete com diamantes tem um fecho invisível patenteado pela Cartier, que permite conectá-lo a outro bracelete, seja de outra versão da coleção, seja à LOVE original toda em ouro. A pulseira que nasceu para unir duas pessoas agora também une duas joias.



Em 1969, Aldo Cipullo desenhou uma joia que precisava de duas pessoas para existir: uma para fechar, outra para usar. Mais de meio século depois, a Cartier entregou a câmera a uma irmã e o pulso a um irmão. O pacto continua o mesmo. Só ficou mais íntimo.

Para ver de perto
As novas peças de LOVE Unlimited estão nas boutiques Cartier e no site da Maison, cartier.com.
Gabriel Silveirado, para a WAYFARER. São Paulo.
Fotos: Isabella Elordi e © Cartier / Divulgação

