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Silvia Furmanovich e Asprey: dez joias únicas para uma pedra milenar

A joalheira brasileira cria para a casa britânica Asprey dez peças únicas em jadeíta rosa, lavanda, vermelha, branca, laranja e verde, cercadas de marchetaria, bambu entalhado, crina de cavalo trançada e incrustações Shibayama.

WAYFARER · Estilo | Alta Joalheria

Há joalheiras que partem da pedra. E há as que partem da viagem. Silvia Furmanovich pertence à segunda família: há anos ela percorre oficinas remotas pelo mundo, aprendendo com artesãos técnicas que atravessaram séculos sem perder a precisão. Agora leva esse repertório a uma das casas mais tradicionais de Londres, e a uma das pedras mais antigas da Terra.

Ao lado dos artesãos da Asprey, a casa britânica fundada em 1781, a designer criou dez peças únicas em jadeíta. Não há duas iguais, e não há série: cada joia nasceu de uma pedra específica, escolhida à mão, e foi desenhada para ela.

A coleção em 30 segundos

  • Quem: Silvia Furmanovich para a Asprey
  • O quê: dez peças únicas, entre brincos e braceletes
  • A pedra: jadeíta em verde, rosa, lavanda, vermelho, branco e laranja
  • Os contrapontos: marchetaria de madeiras raras, bambu entalhado, crina de cavalo trançada e incrustações Shibayama
  • O método: a pedra dita o desenho, e não o contrário

I. A pedra

Muito além do verde

A jade acompanha a Asprey há mais de um século, e a jadeíta, a mais rara e valorizada de suas variedades, é quase sempre lembrada pelo verde. A coleção vai na direção oposta e explora a amplitude cromática da pedra, com exemplares em rosa, lavanda, vermelho, branco e laranja. A casa forneceu as gemas em várias colorações, e Furmanovich escolheu uma a uma.

“Cada pedra parecia ter sua própria personalidade, e eu queria que cada joia oferecesse um cenário único para esse caráter individual”, diz a designer. Cor, forma e transparência definiram a composição de cada peça. É nesse método que se reconhece a sua assinatura: o uso particular da cor, o desenho intrincado e a precisão quase de miniaturista.

“A jade possui uma quietude extraordinária. Tem uma presença quase espiritual.”

Silvia Furmanovich

II. A paisagem

Madeira, crina e memória

Para Furmanovich, uma pedra preciosa ganha densidade quando conversa com materiais orgânicos. Por isso a jadeíta aparece cercada de madeiras raras e recuperadas, bambu japonês entalhado à mão e crina de cavalo trançada. “Eu queria cercá-la de materiais que compartilhassem esse mesmo senso de vida e de história. As madeiras carregam cada uma seu próprio veio, sua cor e sua memória. Em vez de competir com a jade, elas criam uma paisagem natural ao redor dela.”

Há também uma ideia por trás do encontro. “A jade é um dos tesouros mais antigos da Terra, enquanto a madeira nos lembra do crescimento, da renovação, da passagem do tempo. Juntá-las cria um equilíbrio entre permanência e natureza.”

III. O ofício

A lição do Japão

Muitas das técnicas da coleção foram aprendidas em anos de viagens pela Ásia, sobretudo pelo Japão, “onde o ofício é tratado com imensa paciência e respeito”. Uma delas é o Shibayama, arte japonesa de incrustação em relevo, que transforma superfícies em pequenas esculturas. Cada peça exigiu centenas de horas de trabalho de artesãos especializados em técnicas raras.

“Os colecionadores podem notar primeiro a jade, mas espero que também dediquem tempo a descobrir os detalhes: a marchetaria delicada, o bambu entalhado à mão, a crina trançada, o relevo das incrustações Shibayama”, diz. “Toda superfície revela a mão do artesão que a criou, e são esses traços humanos que transformam um objeto em algo com alma.”

“A natureza costuma parecer simples, mas é construída a partir de camadas infinitas de detalhe.”

Silvia Furmanovich

IV. A favorita

Wild Orchid, a orquídea pontilhista

Entre as dez peças, a preferida da designer é o par Wild Orchid, nascido de sua fascinação pelas orquídeas e, sobretudo, pelo pontilhado de suas pétalas. Para recriá-lo, fragmentos minúsculos de madeiras diferentes foram cortados e montados um a um. “Juntas, essas peças criam uma qualidade quase pontilhista. À distância, a superfície parece simples. De perto, revela a complexidade da construção.”


No fim, a coleção reúne duas formas de paciência. A da pedra, que levou milhões de anos para se formar, e a da mão, que levou centenas de horas para lhe dar um cenário. Entre o rigor de uma casa londrina e o olhar de uma designer que aprendeu viajando, cada joia conta a história da pedra que a originou.

Para ver de perto

A coleção é apresentada pela Asprey, em asprey.com. No Instagram, @asprey e @silviafurmanovich.

Gabriel Silveirado, para a WAYFARER.
Imagens: Asprey / divulgação

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