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Casa de Marylin Monroe no deserto de Palm Springs retorna ao mercado imobiliário

Palm Springs sempre ocupou um lugar singular na imaginação americana. Refúgio solar de estrelas de Hollywood, arquitetos modernistas e espíritos livres, a cidade preserva até hoje uma coleção rara de residências que capturam um momento específico do século XX, quando o design prometia leveza e o deserto oferecia anonimato. Entre elas está uma casa discreta, conhecida como Doll House, associada a Marilyn Monroe, cuja presença continua a reverberar mais de seis décadas após sua morte.

Marilyn Monroe faleceu em 1962, aos 36 anos, no auge de uma trajetória que redefiniu os códigos da celebridade feminina. Nascida Norma Jeane Mortenson, ela ascendeu rapidamente de modelo pin-up a protagonista de alguns dos filmes mais emblemáticos de sua geração, incluindo Gentlemen Prefer Blondes, The Seven Year Itch e Some Like It Hot. Sua imagem permanece profundamente entrelaçada ao imaginário coletivo, e os espaços que ela frequentou adquiriram uma dimensão quase mitológica. Esta casa em Palm Springs é um desses lugares.

Projetada em 1961 pelo arquiteto Charles Du Bois, um dos nomes mais representativos do chamado desert modernism, em colaboração com a Alexander Construction Company, a residência traduz os princípios que definiram essa estética. Linhas horizontais, integração com o exterior e o uso expressivo de materiais estruturais criam um equilíbrio entre sofisticação e informalidade. A propriedade foi negociada pela última vez em 2020 por aproximadamente US$ 1,6 milhão. Após uma breve tentativa de venda em 2025, retorna ao mercado agora por US$ 3,3 milhões, refletindo não apenas o valor arquitetônico, mas também a força simbólica associada ao nome de Monroe.

Localizada no histórico bairro Vista Las Palmas, a casa ocupa um terreno generoso, com vistas abertas para as montanhas San Jacinto, cuja presença constante molda a experiência espacial. Distribuída em um único pavimento, a residência possui quatro quartos e quatro banheiros, organizados em cerca de 280 metros quadrados. O projeto preserva elementos originais, como o teto com vigas aparentes e a estrutura post and beam, enquanto incorpora atualizações contemporâneas, incluindo pisos de porcelanato cinza e superfícies depuradas que reforçam a luminosidade natural.

A entrada anuncia o tom da propriedade com delicadeza quase cinematográfica. Uma caixa de correio rosa, um portão de ferro com acabamento dourado e degraus escalonados conduzem a um pátio íntimo. No interior, a sala principal se revela ampla e aberta, com lareira escultórica e portas de vidro que dissolvem a fronteira entre dentro e fora. A cozinha renovada combina armários em tons de azul e branco com um fogão Wolf, mantendo o diálogo entre memória e modernidade. Um bar semicircular original permanece como testemunho da vocação social da casa.

A suíte principal foi concebida como um espaço de recolhimento, com banheiro revestido em mosaico azul, duas cubas e uma banheira com vista para o jardim. Os quartos se abrem diretamente para o exterior, onde a paisagem foi tratada como extensão natural da arquitetura. A piscina, o spa elevado e a área com fire pit criam uma sequência de ambientes que privilegiam o tempo desacelerado e a contemplação, valores centrais do estilo de vida que Palm Springs representou para uma geração inteira de artistas e criadores.

Embora ainda exista debate sobre a natureza exata da relação de Monroe com a propriedade, se foi proprietária ou apenas hóspede frequente, o vínculo simbólico é inegável. Palm Springs, que hoje abriga a escultura monumental Forever Marilyn, continua a celebrar a atriz como parte de sua identidade cultural. A casa, por sua vez, permanece como uma cápsula silenciosa de uma era em que o glamour coexistia com a intimidade, e em que o deserto oferecia às estrelas algo raro. A possibilidade de simplesmente existir fora do olhar constante do mundo.

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