Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.
Chicago é a cidade americana que aprendeu a se reinventar a partir das cinzas. E nunca mais parou.
Parques à beira de um lago que parece oceano, prédios que ensinaram o mundo a construir para cima, arte espalhada pelas calçadas e não apenas guardada nos museus. A Windy City tem a escala de uma metrópole e a franqueza do meio-oeste, e é essa combinação, ambição sem afetação, que a torna tão fácil de admirar.

Arte: a cidade como galeria aberta
O ponto de partida é o Millennium Park. Ali estão a Crown Fountain, com seus rostos projetados que cospem água no verão, e a escultura que virou emblema da cidade: Cloud Gate, de Anish Kapoor, o “Bean” para os locais. O aço espelhado devolve o skyline em curvas, e cada visitante acaba fotografando a si mesmo dentro da cidade.

Arquitetura: o rio como sala de aula
O Grande Incêndio de 1871 destruiu quase tudo, e da reconstrução nasceu o arranha-céu moderno. Para entender essa história, o melhor lugar é a água. O cruzeiro do Chicago Architecture Center a bordo do First Lady percorre o Rio Chicago em cerca de 90 minutos, com guias voluntários que contam a biografia de cada fachada, das torres em espiga de milho da Marina City ao Wrigley Building e à ponte da Michigan Avenue. Opera entre março e novembro.

Palco: do blues ao Chicago Theatre
À noite, a cidade oferece de musicais de grande produção a clubes de blues intimistas, herança direta da música que desceu o Mississippi e se eletrificou aqui. Com ou sem espetáculo, vale ver de perto o Chicago Theatre, de 1921, com seu letreiro vertical que é quase um brasão da cidade. Hamilton, que ficou anos em cartaz em Chicago, já encerrou sua temporada local.


Museus: de Seurat a Kerry James Marshall
O Art Institute of Chicago reúne cerca de 300 mil obras e uma das coleções impressionistas mais importantes fora de Paris: Van Gogh, Renoir, Degas, Monet e o célebre domingo de Seurat na Grande Jatte. Do outro lado do tempo, o Museum of Contemporary Art Chicago guarda Calder, Warhol, Magritte e Lichtenstein, e costuma apostar em artistas vivos, como Kerry James Marshall.


Magnificent Mile: vitrine e memória
O trecho nobre da North Michigan Avenue é o endereço das grandes marcas e também um passeio em si, especialmente no inverno, quando as luzes de fim de ano e o desfile tradicional de novembro tomam a avenida. No meio do comércio resiste a Historic Water Tower, uma das poucas construções que sobreviveram ao incêndio de 1871.


Mirantes: a cidade vista de cima
Na mesma avenida, o antigo John Hancock Center, hoje 875 North Michigan Avenue, abriga no 94º andar o observatório 360 Chicago e o TILT, uma plataforma de vidro que se inclina para fora da fachada, a cerca de 300 metros do chão, com até oito pessoas de cada vez.


No Loop, a Willis Tower sustenta o Skydeck, no 103º andar, a 1.353 pés, pouco mais de 410 metros. Em dia claro, avista-se até cerca de 80 quilômetros, sobre quatro estados: Illinois, Indiana, Wisconsin e Michigan. Para quem tem estômago, The Ledge são caixas de vidro laminado projetadas para fora do prédio, com nada entre os pés e a rua além de três camadas de vidro.


Do alto do Skydeck, o lago Michigan se confunde com o horizonte e a malha de ruas parece desenhada a régua. É a mesma cidade que ardeu em 1871, agora vista de cima: prova de que, em Chicago, recomeçar sempre foi uma forma de subir.
A reportagem original foi realizada a convite do Choose Chicago, órgão oficial de turismo da cidade.
Redação WAYFARER
