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WAYFARER · WELLNESS

Microgyms e estúdios boutique: a volta das aulas em grupo

Os estúdios pequenos e especializados recuperaram o que as grandes academias tinham diluído: a turma, o horário marcado, o professor que sabe o nome de cada aluno.

Por WAYFARER25 abril, 2022

Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.

O treino voltou a ser um lugar de encontro. Depois dos anos de isolamento, os estúdios pequenos e especializados, os chamados microgyms ou boutiques, recuperaram algo que as grandes academias tinham diluído: a turma, o horário marcado, o professor que sabe o nome de cada aluno.

A ideia não é nova. Em São Paulo, nos anos 1980, os estúdios de ginástica de sala pequena, cheios de alunos fiéis às aulas coletivas, ditavam o ritmo do setor. Com o tempo, foram engolidos pelas redes de grande porte. A volta desse formato, agora dedicado a uma modalidade só, ciclismo indoor, yoga, pilates, barre ou treino intervalado, é menos uma novidade do que uma correção de rota.

O coletivo: pertencer também é treino

É a leitura de Cida Conti, profissional de educação física com quatro décadas de carreira, pioneira das aulas intervaladas no Brasil nos anos 1980 e criadora de programas como o Jump Fit, de minitrampolins, e o Step Inteligente. Na versão original desta matéria, ela resumia o fenômeno assim: os estúdios pegaram o que era velho e o tornaram novo, criando pequenas comunidades unidas pela atividade física. Depois de tanto tempo em casa, as pessoas queriam voltar a pertencer a um grupo.

A diferença, desta vez, está na tecnologia. Monitoramento cardíaco em tempo real, relatórios individuais de desempenho e formatos híbridos, com parte das aulas conduzida por professores virtuais, mudaram o papel do instrutor. Ele deixou de ser apenas o coreógrafo à frente da sala e passou a ser também quem interpreta dados e ajusta o treino para níveis diferentes na mesma turma.

The Flame: força, corrida e remo

Foi nessa linha que Cida criou, com o fisiologista Julio Papeschi, o The Flame, estúdio de treino intervalado de alta intensidade que combina exercícios de força, esteira e remo ergométrico, com monitoramento cardíaco e elementos de gamificação. As turmas são grandes para o formato, e cada exercício tem variações para diferentes níveis de condicionamento. O método segue em atividade, inclusive com unidade em Belo Horizonte.

A tendência hoje: menos moda, mais permanência

Quatro anos depois, o retrato ficou mais nítido. O levantamento anual do American College of Sports Medicine para 2026 põe no topo tecnologia vestível, programas para pessoas mais velhas, exercício para controle de peso e aplicativos, e registra a força renovada de formatos em grupo como pilates e barre, reunidos na categoria de equilíbrio, fluidez e fortalecimento do core. O exercício como cuidado da saúde mental também subiu na lista. O estúdio de nicho, em outras palavras, deixou de ser moda pós-pandemia e se tornou parte estável do mapa.

Um cuidado vale para qualquer treino de alta intensidade: ele exige progressão e, para quem está começando ou tem alguma condição de saúde, avaliação prévia. A turma motiva, mas o ritmo continua sendo individual.

O treino voltou a ser um lugar de encontro, e talvez nunca devesse ter deixado de ser. No fim, o que faz alguém voltar à sala no dia seguinte raramente é o equipamento. É a turma que espera, o horário que se repete e o nome dito em voz alta na porta.

Redação WAYFARER

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