
Hotelaria · Centro Histórico, Salvador
O Palácio Rio Branco, antiga sede do governo na Praça Tomé de Sousa, entrou em obras para virar o Hotel Allard: 90 quartos, três restaurantes, spa e R$ 250 milhões de investimento.
Poucos edifícios no Brasil já foram tantas coisas. O Palácio Rio Branco foi sede do governo colonial, quartel, prisão, ruína e memorial. Agora vai ser hotel.
Em 1º de junho, o governo da Bahia assinou a ordem de serviço que abre as obras. O palácio da Praça Tomé de Sousa, vizinho do Elevador Lacerda, será convertido no Hotel Allard, com investimento estimado em R$ 250 milhões. É uma concessão de 35 anos ao grupo do empresário francês Alexandre Allard, o mesmo nome por trás da Cidade Matarazzo, em São Paulo. Na última vistoria, em 24 de setembro, a Secretaria de Turismo da Bahia confirmou que o cronograma está sendo cumprido.
Cinco séculos numa fachada
O primeiro palácio começou a ser erguido em meados do século XVI por Tomé de Sousa, o primeiro governador-geral, como centro da administração portuguesa. Era de taipa de pilão. Ganhou ampliações, serviu de quartel e de prisão, hospedou Dom Pedro II em 1859. No fim do século XIX, a velha fachada colonial passou a ser vista como símbolo de atraso, e a reforma concluída em 1900 deu ao prédio o neoclássico de gosto francês que o define até hoje.
Em 10 de janeiro de 1912, o bombardeio de Salvador ordenado pelo governo federal deixou o palácio praticamente em ruínas e destruiu o acervo de livros raros guardado no térreo. Reconstruído, foi reinaugurado em 1919 com o nome que carrega, em homenagem ao Barão do Rio Branco. Passou por uma restauração completa em 1984 e abrigou, desde então, o Memorial dos Governadores.
Vai ser devolvido aos baianos.
Maurício Bacelar, secretário de Turismo da Bahia, na assinatura da ordem de serviço
O que está em obra
São 90 suítes, 27 delas no prédio histórico e as demais numa área anexa, com piscina voltada para a Baía de Todos-os-Santos, spa, academia e três restaurantes. O governo anuncia o projeto como o primeiro hotel seis estrelas do Nordeste em centro histórico urbano. As obras são tocadas pela construtora baiana André Guimarães para a Mata Holding, do grupo de Allard, com prazo de execução de 24 meses. A fase atual é a mais silenciosa: proteção das áreas tombadas pelo Iphan, análise estrutural e limpeza. O contrato impõe duas condições: manter as características arquitetônicas originais do edifício e preservar o Memorial dos Governadores.
O caminho até aqui foi longo. O edital saiu em dezembro de 2021, a concessão foi assinada em janeiro de 2022, e o início das obras foi adiado mais de uma vez, entre ajustes de projeto, aprovações no Iphan e mudanças na composição do consórcio.
Um nome no lugar de uma bandeira
Durante boa parte desse percurso, o palácio foi tratado como a futura casa baiana do Rosewood, a bandeira que Allard trouxe para a Cidade Matarazzo. A marca, segundo a imprensa baiana, não seguiu no projeto. O hotel terá o nome do próprio empreendedor. A pergunta que o mercado se fazia, sobre qual bandeira internacional ocuparia o palácio, está respondida: nenhuma.
Por quase cinco séculos, o palácio da Praça Tomé de Sousa recebeu quem governava. Se o cronograma se cumprir, a partir de 2028 vai receber quem chega.
Hotel Allard, em obras no Palácio Rio Branco. Praça Tomé de Sousa, Centro Histórico, Salvador.
Obras iniciadas em junho de 2026, com prazo de execução de 24 meses. 90 suítes, três restaurantes, spa e piscina.
Redação WAYFARER

