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Nautilus 5811/1G: o sucessor em ouro branco do lendário 5711 da Patek Philippe

Depois de descontinuar o Nautilus 5711 de aço, a Patek Philippe apostou no ouro branco. Por que a 5811/1G mudou de metal, de preço e de mensagem.

Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.

Poucos relógios foram tão desejados quanto o Nautilus 5711 de aço. Por isso mesmo, a Patek Philippe decidiu que seu sucessor não seria de aço.

Em outubro de 2022, a manufatura de Genebra apresentou a referência 5811/1G, herdeira direta do 5711/1A, o Nautilus de aço com mostrador azul que se tornou símbolo de uma era de listas de espera intermináveis e ágio no mercado secundário. A 5711 havia sido descontinuada pouco antes, depois de duas edições de despedida. A resposta da marca foi uma mudança de metal, de preço e de mensagem.

O relógio: familiar, mas não igual

À primeira vista, a 5811/1G é o Nautilus de sempre: a luneta octogonal inspirada na escotilha de um navio, desenhada por Gérald Genta em 1976, o mostrador com relevo horizontal e a pulseira integrada. As diferenças estão nos detalhes. A caixa passou de 40 para 41 milímetros e agora é de ouro branco. O mostrador azul ganhou um degradê que escurece em direção à borda. O movimento automático é o calibre 26-330 S C, com reserva de marcha de 35 a 45 horas. Há ainda dois ajustes técnicos: um novo sistema patenteado para a coroa e um fecho dobrável com regulagem fina, que permite estender a pulseira em alguns milímetros nos dias de calor.

Patek Philippe Nautilus 5811/1G
Patek Philippe Nautilus 5811/1G

A estratégia: por que ouro branco

O presidente da Patek Philippe, Thierry Stern, explicou a escolha à imprensa na época do lançamento com franqueza pouco comum no setor. Produzir apenas relógios de aço, como muitos clientes pediam, baixaria demais o preço médio da produção e colocaria em risco a independência de uma das últimas grandes manufaturas familiares da Suíça. O ouro branco aproximou o preço de tabela do valor que o mercado já atribuía ao modelo. No lançamento, a 5811/1G custava cerca de 69 mil euros, o dobro da antiga versão de aço. Hoje, o preço de tabela nos Estados Unidos está na casa dos 82 mil dólares.

Sobre a produção, Stern foi deliberadamente vago. “Serão 500 peças ou 5.000? É difícil dizer”, afirmou. “Vou parar a produção antes que haja muitas e o valor caia.” A frase resume a lógica da escassez que sustenta a aura do Nautilus.

O Nautilus hoje

Quase quatro anos depois, a 5811/1G segue no catálogo como o Nautilus de três ponteiros de referência da marca. A febre especulativa que cercou a 5711 arrefeceu, e o mercado de relógios de segunda mão passou por uma correção desde o pico de 2022. Ainda assim, os modelos Nautilus e Aquanaut continuam entre os mais disputados por colecionadores, e o índice de investimentos em bens de coleção da Knight Frank apontou em 2026 a demanda por essas duas linhas como um dos motores da recuperação dos relógios.

O Nautilus nasceu como um relógio esportivo de aço vendido pelo preço de um de ouro. Meio século depois, a Patek Philippe inverteu a equação: fez dele um relógio de ouro com a alma do aço. E a escotilha de Genta continua sendo uma das janelas mais cobiçadas da relojoaria.

Redação WAYFARER

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