TECNOLOGIA · Turismo espacial | Virgin Galactic
Desde meados de 2024, o turismo espacial suborbital existe mais como promessa do que como negócio em funcionamento. Agora, a Virgin Galactic sinaliza que pretende reverter esse quadro: a companhia confirmou planos para retomar voos comerciais no início do segundo trimestre de 2027, apoiada em uma nova geração de espaçonaves projetada para operar com frequência muito maior do que seus modelos anteriores.
O marco mais recente desse plano aconteceu em 28 de outubro, quando a Spaceship Apeiron, primeira nave da classe Delta, chegou ao Spaceport America, no Novo México. Ela fez o trajeto desde a fábrica da Virgin Galactic em Mesa, no Arizona, acoplada à aeronave-mãe VMS Eve.

Um retorno depois de quase três anos
A Virgin Galactic suspendeu suas operações comerciais ao aposentar a VSS Unity em 2024, nave que completou 12 voos ao espaço, sete deles missões comerciais, levando cerca de 23 passageiros pagantes. Desde então, a empresa redirecionou recursos para uma frota capaz de sustentar uma cadência de voos muito superior, fator crítico diante da fila de aproximadamente 675 clientes à espera de uma experiência suborbital, segundo o Space.com.
A expectativa é que a Apeiron comece a transportar passageiros no início do segundo trimestre de 2027, desde que conclua com sucesso a fase de testes de voo. Uma segunda espaçonave da classe Delta já está em construção e deve entrar em operação comercial entre o fim do segundo e o início do terceiro trimestre do mesmo ano.
Diferente da VSS Unity, as naves Delta foram concebidas para voar até duas vezes por semana, com capacidade para até seis passageiros por missão e vida útil projetada para mais de 500 voos.

A chegada ao Spaceport America
A viagem entre Arizona e Novo México teve peso simbólico nos planos de retomada. O conjunto decolou do aeroporto Phoenix-Mesa Gateway às 10h29, horário local, e pousou no Spaceport America às 12h59, horário do Novo México.
“Nesta manhã, demos um nome à Apeiron. Nesta tarde, a Apeiron chegou em casa.” Michael Colglazier, CEO da Virgin Galactic
O nome, que em grego antigo significa “sem limites”, foi escolhido em votação pública com participantes de 83 países.
Blue Origin segue pausada, de olho na Lua
O retorno planejado pela Virgin Galactic ocorre num momento em que sua principal concorrente no segmento suborbital, a Blue Origin, mantém os voos de passageiros suspensos. A empresa, que já havia levado mais de 90 pessoas ao espaço com a New Shepard, anunciou em janeiro de 2026 a pausa das operações por pelo menos dois anos para concentrar recursos no módulo lunar Blue Moon.
A Blue Origin ganhou papel cada vez mais relevante no Programa Artemis da NASA, disputando espaço com a SpaceX, e sua espaçonave Blue Moon Endurance concluiu recentemente uma bateria de testes com a agência espacial americana.
Com a Virgin Galactic em terra desde junho de 2024 e a Blue Origin voltada à Lua, o turismo suborbital virou artigo raro. Se a Apeiron cumprir o calendário, 2027 dirá se a promessa de transformar o espaço em destino pode, enfim, virar negócio.
Serviço
Empresa: Virgin Galactic, com voos a partir do Spaceport America, Novo México (EUA).
Nave: Spaceship Apeiron, classe Delta, até seis passageiros por voo.
Previsão: voos comerciais no início do segundo trimestre de 2027, sujeitos aos testes.
Mais informações: virgingalactic.com.

