Há doze anos a Holy Burger consolidou o nome de Filipe Fernandes, Gabriel Prieto e Thyago Lemos entre os endereços mais celebrados de São Paulo. Agora o trio muda de registro. No centro da cidade, nasce o Holy Tavern Bar & Restaurant, uma casa que troca a informalidade descontraída por um repertório mais contido: penumbra calculada, poucos lugares e um certo ar de segredo bem guardado.

A referência é declarada: as “taverns” nova-iorquinas, bares e restaurantes pequenos onde coquetelaria e cozinha ao fogo dividem o mesmo palco, quase sempre em espaços que parecem ter história antes mesmo de completar seis meses de existência. Em São Paulo, essa lógica ganhou 23 lugares, reserva obrigatória e um desenho de interiores que trabalha com precisão de cenário: madeira escura, tijolos aparentes, tons avermelhados e uma galeria de retratos pessoais dos próprios sócios nas paredes.

Na cozinha, o comando é do chef Fih Fernandes, que evita a leitura mais óbvia da referência americana. O menu cruza Nova York com técnicas francesas, inglesas e escandinavas, todas organizadas em torno de um mesmo elemento central: o forno a carvão, por onde passam carnes maturadas, vegetais e frutos do mar.
“A gastronomia de Nova York é multicultural e aqui na Tavern queremos proporcionar essa experiência. Mesmo quem nunca esteve lá, em uma hora e meia nessa atmosfera, vai ser transportado”, explica Fernandes.

O cardápio é curto, e essa concisão parece proposital: cada prato carrega uma execução técnica que dispensa excesso de opções. Entre as entradas, o dry aged carpaccio, feito com wagyu maturado por 60 dias, divide espaço com o clássico moules frites, receita que atravessa gerações de bistrôs sem perder relevância.

Nos principais, a casa aposta em carnes de longa maturação e receitas de personalidade marcada, como o pastrami de língua e o prime rib, servidos ao lado de acompanhamentos que remetem às steakhouses americanas, entre eles o mac’n’cheese e o creme de espinafre. É um repertório que valoriza o tempo de preparo mais do que a ostentação visual, coerente com a proposta de uma casa que se pretende discreta.

O cuidado com os detalhes se estende para além do prato. As louças foram customizadas especialmente para a casa, e os acessórios de serviço, garimpados pelos sócios em feiras de antiguidade do Soho, em Nova York, reforçam a atmosfera de objeto único, quase pessoal. Na carta de bebidas, o tom autoral segue firme: o drinque Kyuuri shio, combinação de saquê, manjericão e pepino, divide protagonismo com uma robusta cerveja defumada, a rauch bier.

A confeitaria fecha a experiência com a assinatura de Mariana Mota, que revisita clássicos com elegância discreta: um creme de papaya com cassis e um soufflé de chocolate compõem o repertório doce, ambos pensados para encerrar a refeição sem quebrar o tom contido do restaurante.

Funcionando apenas sob reserva, o Holy Tavern reforça um movimento que ganha corpo em São Paulo: o de restaurantes que tratam a exclusividade não como estratégia de marketing, mas como parte da própria linguagem de projeto. Entre a penumbra, os retratos na parede e o forno a carvão em funcionamento constante, a casa constrói uma narrativa que dialoga com Nova York sem depender dela para se sustentar.
Serviço: Holy Tavern Bar & Restaurant
R. Dr. Cesário Mota Júnior, 531, Vila Buarque. Ter. a dom., das 19h às 0h.
Apenas com Reservas: https://www.getinapp.com.br/
@holytavern

