Dark Mode Light Mode

Rosewood São Paulo, 6º melhor hotel do mundo, e a nova temporada do Herbárea Café

A Torre Mata Atlântica, de Jean Nouvel, vista de baixo, com as treliças de madeira da fachada acima das copas das árvores

Hotspots · Bela Vista, São Paulo

Escala global, sotaque paulistano

O Rosewood São Paulo chega ao 6º lugar do The World’s 50 Best Hotels 2026, sobe dezoito posições em um ano e, dias depois, reabre o Herbárea Café na White Box, com Saiko Izawa no comando da confeitaria.

Texto Redação WAYFARERFotos Rosewood São PauloLeitura de 8 minutos
The World’s 50 Best Hotels 2026
+18Posições em relação a 2025
184Quartos e suítes
450+Obras de artistas brasileiros

Quem sobe a Rua Itapeva em direção à Paulista vê a torre antes de entender o que ela é. São cerca de cem metros de concreto vestidos por treliças de madeira e jardins, recuando à medida que ganham altura, como uma encosta de Mata Atlântica plantada no meio da Bela Vista. Ao pé dela está o prédio claro da antiga Maternidade Condessa Filomena Matarazzo, onde mais de meio milhão de paulistanos nasceram, e que hoje abriga o lobby, os restaurantes e parte dos quartos do Rosewood São Paulo.

Setembro trouxe duas notícias para esse endereço. A primeira tem alcance internacional: o hotel ocupa agora o 6º lugar do The World’s 50 Best Hotels 2026, dezoito posições acima do ano anterior, no quarto ano seguido em que aparece na lista. A segunda é de escala doméstica e talvez diga mais sobre o hotel do que o próprio ranking: o Herbárea Café, projeto de confeitaria e panificação da chef pâtissière Saiko Izawa, volta à White Box em uma temporada mais longa e aberta a quem não está hospedado. Uma notícia fala para o mundo; a outra, para a vizinhança.

Linha do tempo

Quatro anos, dois movimentos

2022Abertura na Cidade Matarazzo, com a torre de Jean Nouvel e direção artística de Philippe Starck.
2023Estreia no The World’s 50 Best Hotels, como único hotel brasileiro da lista.
202524º lugar no ranking e primeira edição do Herbárea, ainda em formato de temporada.
20266º lugar, alta de dezoito posições, e o retorno do Herbárea com proposta ampliada.

Dezoito posições em um ano

O ranking

Rankings de hotelaria merecem alguma desconfiança, e o World’s 50 Best não escapa da crítica de que mede reputação tanto quanto mede estadia. O método, porém, tem uma exigência que o separa das listas por indicação: cada um dos mais de 800 integrantes da The World’s 50 Best Hotels Academy, entre hoteleiros, jornalistas e viajantes frequentes, vota em sete hotéis nos quais se hospedou nos 24 meses anteriores. Não se vota no que se leu a respeito. Vota-se no que ficou na memória depois de dois anos de estrada, e esse é um filtro severo.

Nesse contexto, a trajetória do Rosewood São Paulo chama atenção menos pela posição final e mais pela curva. O hotel estreou na lista em 2023, se manteve nela nos anos seguintes e apareceu em 24º em 2025. Saltar para o 6º lugar exige que um número expressivo de votantes, espalhados por regiões diferentes, tenha colocado São Paulo entre os sete hotéis mais marcantes do período. Para uma cidade que raramente entra no roteiro internacional de lazer, e que costuma ser visitada a trabalho, o dado é mais revelador do que parece.

Há também uma leitura de mercado. Um sexto lugar global coloca o hotel na mesma conversa dos endereços que definem a régua do setor, com efeito direto sobre tarifa, demanda internacional e capacidade de atrair eventos. Para a hotelaria brasileira de alto padrão, que por muito tempo mediu sucesso contra concorrentes locais, é a demonstração de que um projeto feito aqui, com materiais e artistas daqui, disputa a primeira página do mundo.

Vista aérea da Emerald Pool, piscina de contornos orgânicos em tons de verde cercada por jardins, com a cobertura de madeira do complexo ao lado
Vista aérea da Emerald Pool, entre a torre e o edifício histórico da Cidade Matarazzo

Uma maternidade e uma torre

Arquitetura

O que sustenta esse reconhecimento começa no terreno. A Cidade Matarazzo ocupa o conjunto do antigo Hospital Umberto I, e o hotel se divide entre dois corpos que não tentam se parecer. De um lado, o edifício da maternidade, restaurado com a fachada e a volumetria de origem, concentra a vida social do hotel. Do outro, a Torre Mata Atlântica, de Jean Nouvel, sobe em 25 andares que recuam conforme ganham altura e se cobrem de treliças de madeira e jardins em cada nível.

Entre os dois fica a imagem mais reproduzida do hotel: a Emerald Pool, uma piscina de contornos orgânicos em tons de esmeralda, cercada de vegetação e de cabanas em alvenaria clara com vitrais coloridos embutidos nas paredes. Vista do alto, parece uma clareira. Vista da espreguiçadeira, parece outra cidade, e é exatamente essa a graça: a Avenida Paulista está a poucos quarteirões, e ninguém ali dentro precisa lembrar disso.

Cabanas de alvenaria clara com vitrais coloridos e espreguiçadeiras à beira da Emerald Pool, entre plantas tropicais
As cabanas da Emerald Pool, com vitrais embutidos na alvenaria

A direção artística ficou com Philippe Starck, que trabalhou com materiais de origem brasileira em toda a obra. O resultado evita o erro mais comum do luxo em mercados emergentes, que é importar uma ideia genérica de sofisticação internacional. Aqui a madeira é escura e trabalhada, as pedras têm veio, os tecidos têm estampa. É um hotel que quer ser reconhecido como brasileiro por quem nunca esteve no Brasil.

É um hotel que quer ser reconhecido como brasileiro por quem nunca esteve no Brasil.

Quartos com cara de apartamento

Hospedagem

São 184 quartos e suítes, distribuídos entre a torre e o edifício histórico, além das residências privadas. O Grand Premier Room dá a medida do padrão: paredes revestidas de madeira, janelas altas, uma poltrona de leitura, fotografia em preto e branco acima da cama e, pendurado na parede, um violão. O objeto funciona como assinatura. Não é decoração temática; é a sugestão de que alguém mora ali e toca de vez em quando.

A Matarazzo Suite leva essa ideia adiante, com sala separada, sofá curvo em estofado mostarda, toca-discos sobre a escrivaninha e livros de arte espalhados pelas superfícies. É o tipo de suíte em que a curadoria de objetos pesa mais do que a metragem, e isso é escolha deliberada: o hóspede que reserva uma unidade dessas já viu mármore suficiente na vida. O que ele não encontra em outro lugar é a sensação de estar na casa de um colecionador paulistano com repertório.

Sala da Matarazzo Suite com sofá curvo mostarda, poltrona de palhinha, toca-discos e livros sobre a mesa, diante de paredes de madeira
Matarazzo Suite, a sala
Grand Premier Room com cama de linho branco, violão pendurado na parede de madeira e fotografia em preto e branco sobre a cabeceira
Grand Premier Room
Quarto da Matarazzo Suite com cama ampla, banco estofado aos pés e fotografia de um cavaleiro na parede
Matarazzo Suite, o quarto

No alto da torre, a Penthouse muda de escala. Dois pavimentos, janelas do piso ao teto e a vista aberta para o skyline do centro transformam São Paulo em paisagem, algo raro numa cidade que costuma ser vista de dentro do trânsito. É a unidade que coloca o hotel na conversa das grandes suítes urbanas do mundo, e que explica parte de sua presença crescente nas listas de quem viaja muito e escolhe bem.

Sala da Penthouse com pé-direito duplo, sofás curvos, cortinas claras e janelas do piso ao teto com vista para o skyline de São Paulo
A Penthouse, no alto da Torre Mata Atlântica

Arte como infraestrutura

Coleção

A coleção do Rosewood São Paulo reúne mais de 450 obras comissionadas a 57 artistas brasileiros, e o número impressiona menos do que a forma como elas estão distribuídas. Não existe uma galeria para onde a arte foi levada. Ela está no revestimento dos elevadores, no teto dos bares, nas cabeceiras e nos corredores, e o hóspede convive com ela sem precisar procurá-la.

No Rabo di Galo, o bar de coquetelaria com música ao vivo todas as noites, o teto em arco foi pintado com ondas, e o ambiente mistura luminárias de palha, uma guitarra vermelha na parede e artesanato de diferentes regiões do país. É um espaço de personalidade forte, que em outro contexto poderia soar excessivo e aqui soa coerente, porque o hotel inteiro fala a mesma língua.

Interior do bar Rabo di Galo com arcos, teto pintado com ondas, luminária de palha e guitarra vermelha pendurada na parede de madeira
Rabo di Galo, o bar de coquetelaria e música ao vivo

Detalhe de projeto

O herbário do elevador

Nas cabines dos elevadores, pranchas de ilustração botânica ocupam painéis iluminados do chão ao teto: orquídeas, folhagens, sementes e raízes desenhadas com o rigor dos naturalistas que catalogaram a flora brasileira. Um trajeto de trinta segundos vira visita a um gabinete de curiosidades.

O detalhe ganha outra leitura agora. O nome Herbárea vem da mesma raiz, e a nova casa de confeitaria do hotel parte da mesma ideia: sazonalidade, ingrediente observado de perto e um repertório que se renova. A paleta abaixo foi extraída das pranchas.

Papel
#EDE6D8
Folha
#5F6B3C
Orquídea
#A0523A
Nogueira
#4A3223
Cabine de elevador revestida por painéis iluminados com pranchas de ilustração botânica de orquídeas e folhagens
Pranchas botânicas na cabine de um dos elevadores

Seis endereços em um hotel

Mesa e bar

O hotel soma seis restaurantes e bares, e o melhor elogio que se pode fazer a eles é que não parecem pertencer ao mesmo grupo. Cada um tem cozinha, luz e público próprios, e juntos cobrem o dia inteiro, do café da manhã ao último coquetel. O Blaise, brasserie que parte da tradição francesa para trabalhar ingredientes de pequenos produtores brasileiros, completa uma oferta que dispensaria o hóspede de sair para comer, se São Paulo não fosse São Paulo.

Salão do Le Jardin sob cobertura envidraçada, com colunas envoltas em plantas, poltronas de couro e mesas postas
Le Jardin, o grand café do hotel

Le Jardin

Grand café, do café da manhã à madrugada

Sob uma cobertura envidraçada, com colunas envoltas em vegetação, poltronas de couro e mesas próximas o bastante para que o salão tenha movimento de rua. Funciona do café da manhã ao fim da noite, tem opções kosher no cardápio e, no fim da tarde, vira ponto de encontro de quem trabalha nos arredores da Paulista. É o espaço que melhor traduz a intenção do hotel de ser frequentado pela cidade, e não apenas pelos hóspedes.

Balcão curvo de pedra translúcida iluminada, com cadeiras de couro, diante de paredes de vinhos
O balcão de pedra translúcida, diante da parede de vinhos

Asaya, com assinatura Guerlain

Bem-estar

O Asaya Spa by Guerlain é, segundo o hotel, o único da parceria na América do Sul, e a presença da casa francesa é visível desde a recepção, onde os frascos com abelhas em relevo ficam expostos em prateleiras de latão como peças de acervo. A área de tratamentos segue o cuidado de materiais do resto do hotel, com mármore claro, abóbadas baixas e luz indireta.

Banheira de imersão revestida de mármore claro sob abóbada iluminada, com roupão pendurado ao lado
Hidroterapia, sob abóbada de mármore
Recepção do Asaya Spa com frascos Guerlain em prateleiras de latão sobre parede de madeira e mesa redonda de mármore
A recepção, com os frascos da Guerlain em exposição

O circuito inclui uma banheira de imersão esculpida no mármore, sob abóbada, e uma sala revestida por cerca de 400 cristais de quartzo branco, detalhe que poderia soar esotérico e que, na prática, resulta num dos ambientes mais fotogênicos do hotel. Para o hóspede que chega a São Paulo com agenda cheia, é o equipamento que justifica acrescentar uma noite à viagem.

Entrada do Asaya Spa, com painel de madeira iluminado e estrutura de latão, ao lado da bancada de atendimento
A entrada do Asaya Spa by Guerlain

Herbárea, a vitrine que se move

Confeitaria

É nesse contexto que o Herbárea Café ganha sentido. Depois da primeira edição, em 2025, o projeto volta à White Box com identidade mais definida e uma proposta mais ampla, aberta a hóspedes e visitantes de terça a domingo. A mudança é de natureza: a confeitaria deixa de ser vitrine pontual e passa a acompanhar diferentes momentos do dia, da pausa para o café a uma refeição leve e sem cerimônia.

O cardápio salgado reflete a virada. Entram ciabattas artesanais, bagels, viennoiseries salgadas, croissants recheados e uma quiche de alho-poró com queijo Maratimba, que resolvem um almoço rápido sem transformar o café em restaurante.

A confeitaria, porém, continua no centro do projeto. Saiko Izawa, que assina as criações de pâtisserie do Rosewood São Paulo desde 2021, mantém os clássicos que o público já conhece e introduz de duas a três sobremesas novas por semana. Canelés, financiers, florentins, barras de chocolate com frutos secos, petit fours e cookies compõem uma vitrine que muda com a estação e com a semana, o que dá ao paulistano um motivo concreto para voltar.

É uma estratégia inteligente. Hotéis de padrão internacional raramente conseguem entrar na rotina da cidade onde estão; costumam ser lugar de ocasião, de reunião marcada, de visita de fora. Com um café aberto ao público e uma vitrine que se renova toda semana, o Rosewood cria um hábito, e hábito é o ativo mais difícil de comprar em hotelaria.

Uma notícia fala para o mundo; a outra, para a vizinhança.

O que o sexto lugar mede

Veredito

O ranking e o café parecem notícias de tamanhos diferentes, mas respondem à mesma pergunta: para quem é este hotel. A resposta do Rosewood São Paulo é ambiciosa. É para o viajante que coleciona os melhores endereços do mundo e agora encontra um deles em São Paulo, e é para a cidade, que ganha uma vitrine de confeitaria aberta seis dias por semana no quarteirão onde meio milhão de paulistanos nasceu.

A maioria dos hotéis de luxo escolhe um desses públicos e tolera o outro. O Rosewood trata os dois como parte do projeto, e é essa recusa em se isolar que o coloca à frente de concorrentes com mais tradição e melhor posição no mapa turístico. O sexto lugar mede reputação entre quem viaja muito. O Herbárea mede algo mais difícil de conquistar: a disposição de São Paulo em atravessar a rua para voltar.

Rosewood São Paulo, Rua Itapeva, 435, Bela Vista, São Paulo. rosewoodhotels.com/sao-paulo · @rosewoodsaopaulo
Herbárea Café, de terça a domingo, das 11h às 20h, aberto ao público.

Texto Redação WAYFARER
Fotos Rosewood São Paulo / Divulgação
Previous Post
Modelo na passarela do desfile PatBO Spring 27 Brasil Esplêndido, na New York Fashion Week, no Domino Square.

O bordado conta a história. Os óculos contam o plano.