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O bordado conta a história. Os óculos contam o plano.

Na New York Fashion Week, a PatBO levou o paisagismo brasileiro à passarela e estreou sua primeira linha de eyewear, produzida na Itália. A coleção fala de artesanato. A estrutura fala de escala.
Modelo na passarela do desfile PatBO Spring 27 Brasil Esplêndido, na New York Fashion Week, no Domino Square. Modelo na passarela do desfile PatBO Spring 27 Brasil Esplêndido, na New York Fashion Week, no Domino Square.
Crédito: BFA
Look da coleção PatBO Spring 27 na passarela da New York Fashion Week, no Domino Square.

WAYFARER Estilo · Nova York

O bordado conta a história. Os óculos contam o plano.

Na New York Fashion Week, a PatBO levou o paisagismo brasileiro à passarela e estreou sua primeira linha de eyewear, produzida na Itália. A coleção fala de artesanato. A estrutura fala de escala.

Por Gabriel Silveirado
Fotos BFA, Alex Feggi e Rodolfo Sanches
Leitura de 6 minutos
15/09desfile em Nova York
coleção de eyewear
2012fundação da PatBO
Outlançamento do eyewear

Toda marca brasileira que atravessa a fronteira precisa decidir o que faz com o Brasil: se o exibe como paisagem ou se o usa como método. Nesta terça-feira, no Domino Square, em Nova York, a PatBO escolheu a segunda opção — e, no mesmo desfile, deixou claro o que pretende fazer com ela. A coleção Spring 27 se chama Brasil Esplêndido, e a notícia que interessa não está no nome.

Linha do tempo

Como a PatBO chegou ao Domino Square

2002Patricia Bonaldi abre em Uberlândia a marca homônima, voltada a vestidos de festa bordados.
2012Nasce a PatBO, uma década depois, para o universo mais casual do ready-to-wear.
2020Primeira passarela na NYFW, com a coleção Spring 21; Alessandra Ambrosio abre e fecha o desfile.
Set. 2025Alma Latina: os sapatos ganham linha própria e Leandro Porto assume a direção de moda.
Fev. 2026Fall 26 é apresentada em formato intimista no Freehand Hotel, para cerca de 80 a 100 convidados.
Set. 2026Brasil Esplêndido volta ao formato de desfile, no Domino Square.

A palavra é paisagismo

Uma marca usa o país como estampa, outra usa como gramática

Sob direção criativa de Patricia Bonaldi, a apresentação levou à passarela bordados feitos à mão, transparências, volumes, estampas autorais e silhuetas fluidas, numa leitura contemporânea da natureza e do paisagismo brasileiro. A escolha da palavra importa mais do que parece.

Paisagismo não é natureza. É natureza editada, geometrizada, posta em composição — e, no Brasil, o termo tem endereço: a tradição modernista que transformou vegetação tropical em desenho antes de qualquer marca de moda pensar em exportar brasilidade. O beauty look confirma a pista. O cabelo, assinado por LEONI em parceria com a KEUNE, partiu do modernismo e das curvas presentes nas estampas, em especial a Wave Maré, de tons de azul.

É a distinção que separa duas categorias de marca. Uma usa o Brasil como estampa e depende de que o público estrangeiro reconheça o clichê. A outra usa o Brasil como gramática, e aí a referência sobrevive à temporada.

Savoir-faire é a palavra mais gasta do vocabulário de moda. Só vale quando há uma fábrica atrás dela.

Look da coleção PatBO Spring 27 com bordado feito à mão, na passarela da NYFW.
Bordado à mão, transparência e volume — Crédito: Alex Feggi

O que sustenta a palavra artesanal

A cadeia física por trás do adjetivo

A PatBO nasceu em 2012, dez anos depois da marca homônima que Patricia Bonaldi abriu em Uberlândia, em 2002, dedicada a vestidos de festa bordados. O bordado nunca saiu do centro do negócio. Na mesma cidade funcionam o ateliê e o Costurando Sonhos, escola de bordado criada pela estilista, por onde passaram mais de quinhentas alunas.

É esse lastro que separa feito à mão de argumento de vitrine. Quando a marca fala em trabalho manual, existe uma cadeia física sustentando a frase, e é dela que sai a parte da coleção que não se reproduz por escala — que é, não por acaso, a parte que justifica o preço.

Esta coleção nasce do Brasil, da sua exuberância, das suas paisagens e da força da nossa identidade.Patricia Bonaldi, diretora criativa da PatBO

A estreia que não estava no vestuário

Primeira linha de eyewear, produzida na Itália

O desfile marcou também a estreia da primeira coleção de eyewear da PatBO, apresentada pela primeira vez numa passarela da NYFW. A linha reúne modelos solares, é produzida integralmente na Itália e chega oficialmente em outubro. Ao lado dela, sapatos e bolsas ganharam peso na coleção.

Óculos, sapatos e bolsas são o território onde uma marca de roupa deixa de depender de grade, prova e sazonalidade. O ticket de entrada é menor, a recompra é maior, a peça viaja melhor no multimarcas internacional e não exige que a cliente caiba nela. É a mesma rota que praticamente todas as maisons europeias percorreram antes de virarem grupos.

Há uma tensão honesta aqui, e vale nomeá-la. A coleção argumenta com trabalho manual mineiro e a nova categoria nasce industrial, do outro lado do Atlântico. Não é contradição: o distrito italiano de óculos é a referência de qualidade do setor, e recorrer a ele é sinal de seriedade, não atalho. Mas é uma segunda promessa, feita com outra voz. A marca que se apresenta pelo que é feito à mão vai precisar explicar, em algum momento, o que sobra da mão quando o produto é um óculos de sol.

Look da coleção PatBO Spring 27 com estampa autoral, na passarela da NYFW.
Estampa autoral e silhueta fluida — Crédito: Alex Feggi

De recuo a passarela em sete meses

Quem tem categoria nova precisa de alcance

Em fevereiro, para a Fall 26, a PatBO não desfilou. Apresentou a coleção em formato intimista no Georgia Room, no Freehand Hotel, para algo entre oitenta e cem convidados — editores, compradores e formadores de opinião. Era um movimento de precisão: falar com quem compra, não com quem assiste.

Sete meses depois, a marca volta ao desfile, com casa e lista. Kelly Piquet, Jordanna Maia, Kendra Scott, Paula Saric, Estela Newbold, Carolina Mendes, Maria Brasil e Durana Elmi estavam no Domino Square. A leitura é direta: a PatBO passou da conversa para o anúncio.

A marca segue sendo a única brasileira no calendário oficial da New York Fashion Week, posição que ocupa há temporadas e que, sozinha, já é ativo comercial. O que o comunicado não diz é o que o mercado gostaria de saber: quantas portas, a que preço, com qual meta para acessórios. Sem esses números, o desfile é uma declaração de intenção bem executada. A prova vem em outubro.

Galeria

Brasil Esplêndido na passarela

Modelo na passarela do desfile PatBO Spring 27 na New York Fashion Week.
Domino Square — BFA
Look da coleção PatBO Spring 27 na passarela da New York Fashion Week.
Transparência e fluidez — Rodolfo Sanches
Look da coleção PatBO Spring 27 com bordado feito à mão, na passarela da NYFW.
O bordado à mão — Alex Feggi
Look da coleção PatBO Spring 27 com transparência e volume, na passarela da NYFW.
Volume em camadas — Alex Feggi
Look da coleção PatBO Spring 27 com estampa autoral, na passarela da NYFW.
Estampa autoral — Alex Feggi
Look da coleção PatBO Spring 27 com silhueta fluida, na passarela da NYFW.
Silhueta fluida — Rodolfo Sanches

Serviço

PatBO · Spring 27

01Identidade
Marca
PatBO
Coleção
Spring 27 — Brasil Esplêndido
Direção criativa
Patricia Bonaldi
Site e Instagram
patbo.com · @patbo
02Apresentação
Data
15 de setembro de 2026
Local
Domino Square, Nova York
Calendário
New York Fashion Week
Convidados
Kelly Piquet, Jordanna Maia, Kendra Scott, Paula Saric, Estela Newbold, Carolina Mendes, Maria Brasil e Durana Elmi
03Novidades da temporada
Eyewear
Primeira coleção da marca, modelos solares, produção integralmente italiana, lançamento oficial em outubro
Shoes & bags
Ampliação das categorias de acessórios
Repertório
Bordados feitos à mão, transparências, volumes, estampas autorais e silhuetas fluidas
04Equipe e créditos
Styling
Leandro Porto
Hair
LEONI, em parceria com a KEUNE
Maquiagem
Natura Una
Intimates
HOPE
Vídeo
Jairo Junior, Two Houses NY
Fotografia
BFA, Alex Feggi, Rodolfo Sanches e Luena Leitão

Toda marca brasileira que atravessa a fronteira decide o que faz com o Brasil. A PatBO decidiu usá-lo como gramática — e, no mesmo dia, mostrou que pretende conjugá-la em mais categorias. O bordado segue sendo a história que ela conta. Os óculos são a frase que ela ainda vai precisar terminar.

Gabriel Silveirado, para a WAYFARER.

Texto Gabriel Silveirado
Fotos BFA, Alex Feggi e Rodolfo Sanches
WAYFARER Estilo · Setembro de 2026



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