
Arte · Parque Ibirapuera, São Paulo
Dois anos depois de deixar a marquise do Ibirapuera, o Museu de Arte Moderna de São Paulo reabre a sede com o 39º Panorama da Arte Brasileira, um edifício reorganizado por dentro e uma mesa nova no térreo.
Alguns museus se mudam. O MAM foi obrigado a sair, e passou dois anos provando que continuava existindo.
Fechado desde agosto de 2024 para as obras de restauro da marquise do Ibirapuera, o museu levou o acervo para endereços emprestados: o Sesc, a FAAP, a Cinemateca, o Instituto Tomie Ohtake. Em 12 de setembro, voltou a abrir a própria porta. Chegou com uma exposição que é também uma pergunta, e com a casa arrumada de um jeito que o visitante percebe antes de entender por quê.
A casa, reorganizada
A reforma leva a assinatura do Metrópole_arq, escritório de Anna Helena Villela e Silvio Oksman, e trabalha no que não aparece na fotografia. Os desníveis foram eliminados, a antiga escada de acesso ao auditório saiu, as salas expositivas ganharam um forro técnico com trilhos flexíveis e a bilheteria foi para a área externa. Educativo, biblioteca e loja foram refeitos por inteiro. A sinalização é nova, desenhada pelo Estúdio CLDT, de Celso Longo e Daniel Trench.
O edifício continua o mesmo, integrado ao parque e à marquise de Niemeyer. O que muda é a maneira de percorrê-lo: mais fluida, mais acessível, menos interrompida.
Retornar ao Parque Ibirapuera é motivo de grande alegria e de renovação.
Elizabeth Machado, presidente do MAM São Paulo
Depois que tudo foi dito
A reabertura coube ao Panorama da Arte Brasileira, a mostra bienal que há décadas funciona como termômetro do museu. A 39ª edição tem curadoria de Diane Lima, a mesma curadora que responde pelo Pavilhão do Brasil na 61ª Bienal de Veneza, e toma emprestado o título de uma formulação da filósofa Denise Ferreira da Silva. A questão é o que resta, o que se transforma e o que surge quando certos debates parecem ter chegado ao fim.
São 33 artistas de 11 estados, distribuídos entre as salas Millú Villela e Paulo Figueiredo, a Sala de Vidro e o Projeto Parede. Estão ali o carioca Allan Weber e suas assemblages de papelão, a potiguar Jota Mombaça, a fotógrafa baiana Lita Cerqueira, que registra a cultura negra desde os anos 1970, a mineira Josi, com seus pigmentos de feijão e raiz, e o goiano Moacir, artista da Chapada dos Veadeiros morto em 2025, que começou desenhando nas próprias rochas da paisagem.
A mesa e a parede
A outra novidade está no térreo. O Petí, do chef Victor Dimitrow e da restauratrice Bárbara Camargo, reconhecido com o Bib Gourmand do Guia MICHELIN, assume o restaurante do museu. Funciona no horário das exposições, com menu fixo e sazonal e pratos que dialogam com o que está em cartaz.
Na parede do restaurante, um neon de Carmela Gross: Brasil à mão livre, o mapa político do país desenhado de memória. A mesma obra existe como múltiplo banhado a ouro, em tiragem de 70 peças, na edição comemorativa do Clube de Colecionadores. A edição regular de 2026/27 reúne trabalhos de León Ferrari, Mayara Ferrão e Rodrigo Cass.
O MAM passou dois anos existindo em endereços que não eram os seus. Agora volta a ter porta, parede e marquise, e a pergunta do Panorama, sobre o que permanece depois que tudo foi dito, ganha de novo o lugar certo para ser feita.
MAM São Paulo, Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque Ibirapuera, São Paulo.
Terça a domingo, das 10h às 18h. Fechado no domingo, 4 de outubro, por causa das eleições.
39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, curadoria de Diane Lima. Até 24 de janeiro de 2027. mam.org.br
Redação WAYFARER




