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Pietrolina: a passagem do MASP que Beatriz Milhazes transformou em desfile

A passagem que liga os dois edifícios do MASP abriu com Pietrolina, obra de quase cem metros de Beatriz Milhazes. Com o Nubank Arte Lab no Conjunto Nacional, a Paulista ganhou um novo roteiro de arte.
Os edifícios Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi, do MASP, na Avenida Paulista

Arte · Avenida Paulista, São Paulo

Um desfile sob a avenida

A passagem subterrânea que liga os dois edifícios do MASP abriu com Pietrolina, obra de Beatriz Milhazes de quase cem metros. A poucos passos dali, o Nubank Arte Lab ocupa o Conjunto Nacional. A Paulista ganhou um novo roteiro.

Texto Redação WAYFARERFoto Leonardo Finotti / MASPAberta desde 11 de setembro

Há obras que se veem de frente. Esta se atravessa.

Desde 11 de setembro, quem sai do edifício de Lina Bo Bardi em direção ao prédio novo do MASP não precisa mais subir à calçada. Desce. Uma passagem de cerca de 50 metros, escavada sob a Avenida Paulista, liga os dois edifícios do museu. E suas paredes foram entregues a Beatriz Milhazes.

50 mde passagem sob a Paulista
98 mde obra nas duas paredes
60 mde pintura em cor
38 mde dourado sobre azul

Pietrolina

O título ecoa os dois edifícios que a passagem conecta: o de Lina Bo Bardi, que desenhou o museu original, e o de Pietro Maria Bardi, o primeiro diretor artístico da casa, que dá nome ao prédio inaugurado em 2024. A obra ocupa as duas paredes e soma cerca de 98 metros. De um lado, 60 metros de pintura, com a cor e o vocabulário geométrico que tornaram Milhazes uma das artistas brasileiras mais reconhecidas do mundo. Do outro, 38 metros de elementos dourados e refletivos presos a uma parede azul-marinho, que acompanham o visitante como uma segunda luz.

O ponto de partida foi um fragmento de Avenida Paulista, a pintura que a artista criou e doou ao acervo do MASP em 2020, quando o museu lhe dedicou a maior exposição de sua carreira até então. A ideia, segundo ela, é a de um desfile de carnaval: cada trecho funciona como uma ala, com cores, símbolos e formas próprios.

Não estamos mais chamando esse espaço de túnel, e sim de passagem.

Regina Teixeira de Barros, curadora e coordenadora do acervo do MASP

Construída de cima para baixo

A passagem estava em desenvolvimento desde 2019 e só pôde ser inaugurada depois do edifício novo, pela complexidade da obra. Para não interromper a avenida, foi construída de cima para baixo: primeiro o teto, depois a escavação. O projeto é do METRO Arquitetos Associados, o mesmo escritório do anexo, e dependeu de aprovações do Iphan, do Metrô, da CET e da Secretaria de Infraestrutura Urbana, além de mudanças nas redes de água, esgoto, energia e telefonia que correm sob a Paulista.

Escada do Edifício Pietro Maria Bardi, do MASP
O Edifício Pietro Maria Bardi, destino da passagem. Foto Leonardo Finotti / MASP

Do outro lado da avenida

A Paulista das artes não termina no MASP. No primeiro piso do Conjunto Nacional, o Nubank Arte Lab abriu ao público em 15 de agosto como o maior espaço permanente de arte imersiva do país: 2.700 metros quadrados, arquitetura da Jacobsen Arquitetura, projeto da Aventura e da DeepLab. A estreia é O Brasil de Tarsila, mostra de projeções em 360 graus que abre as comemorações dos 140 anos de Tarsila do Amaral e fica em cartaz até 31 de outubro. Na inauguração, o espaço chegou a ocupar o vão livre do MASP com uma intervenção interativa, Entre Cubos.

O mesmo prédio vai receber, no primeiro trimestre de 2027, o Time Out Market São Paulo. E, na quarta-feira, 7 de outubro, o MASP recebe a Festa MASP 2026, com show de Aria Vega e Marina Sena. Em poucos quarteirões, a avenida reúne o acervo mais importante de arte europeia do Hemisfério Sul, uma pintura que se percorre a pé e uma Tarsila que se vê por dentro.

A Paulista sempre foi atravessada por cima, na pressa de quem cruza a avenida. Agora existe um jeito de passar por baixo dela devagar, entre alas de cor e dourado, como quem assiste a um desfile que não acaba na quarta-feira.

MASP, Avenida Paulista, 1578, Bela Vista, São Paulo. Passagem entre os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi.
Terça a quinta, das 10h às 18h; sexta, das 10h às 21h; sábado e domingo, das 10h às 18h. Ingresso R$ 85 (meia R$ 42); entrada gratuita às terças e às sextas a partir das 18h.
Nubank Arte Lab, Conjunto Nacional, primeiro piso, Avenida Paulista, 2073. O Brasil de Tarsila até 31 de outubro. Ingressos de sexta a domingo a partir de R$ 100 (meia R$ 50).

Redação WAYFARER

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