Dark Mode Light Mode

O luxo das raquetes: tênis, padel e pickleball são o novo clube

O efeito João Fonseca lotou os clubes, o padel virou o golfe da nova geração e o pickleball chegou aos endereços mais exclusivos de São Paulo. Como as quadras viraram o lugar onde a elite se encontra, faz negócios e se veste.
Polo e short brancos da linha Racket Sports da LIVE! Polo e short brancos da linha Racket Sports da LIVE!
Foto: Divulgação LIVE!

WAYFARER · Sports | Comportamento

O novo clube não tem lareira nem sala de charutos. Tem rede, vidro, saibro e uma lista de espera. Em São Paulo, assim como em Paris, Madri e Miami, a conversa que antes acontecia no green migrou para a quadra, e levou junto o guarda-roupa, o patrocínio e o mercado imobiliário.

O jogo em 30 segundos

  • Tênis: inscrições em torneios paulistas cresceram 163% em 2025
  • Padel: 35 milhões de jogadores no mundo, 42% a mais em um ano
  • Pickleball: já está nos clubes mais exclusivos de São Paulo
  • O código: networking, bem-estar e um novo jeito de vestir

Primeiro set

Tênis: o efeito João Fonseca

Toda onda precisa de um rosto. A do tênis brasileiro tem o de João Fonseca, e os números mostram o tamanho do efeito. Segundo a Federação Paulista de Tênis, as inscrições em torneios cresceram 163% em 2025 e o número de filiados, 135%. Nos campeonatos infantojuvenis da Confederação Brasileira, a participação bateu recorde. É, nas palavras do presidente da federação paulista, Danilo Gaino, o melhor momento do tênis no país desde Guga.

Mas o dado mais revelador não está no ranking. Está nas quadras lotadas e nas listas de espera dos clubes, nos CEOs que disputam os torneios da federação e nos lançamentos imobiliários de alto padrão que passaram a incluir quadra de tênis como argumento de venda. As marcas seguiram o público: beleza nos torneios femininos, moda nos infantis, investimentos e imóveis entre os veteranos.

A conversa que acontecia no green migrou para a quadra.

Segundo set

Padel: o golfe da nova geração

Se o tênis é tradição, o padel é desejo. A Federação Internacional contabilizou 35 milhões de praticantes regulares em 2025, 42% a mais do que no ano anterior, com a Europa à frente e a América do Sul em segundo. O New York Times resumiu o apelo numa frase: o esporte é “mais exclusivo que ambos”, o tênis e o pickleball. Na Confederação Brasileira, a comparação é com o golfe: é na quadra de vidro que, na Espanha, se fecham negócios.

O luxo entendeu rápido. A Audemars Piguet é a cronometrista oficial do Premier Padel Tour de 2026. A Lacoste instalou quadras em Courchevel. A Golden Goose abriu em Milão um espaço que mistura padel, restaurante, bem-estar e boutique. Em Paris, uma hora de quadra com vista para a Torre Eiffel custa a partir de 50 euros.

No Brasil, o esporte chegou pelo Sul no fim dos anos 1980, por influência argentina, e de lá saiu Pablo Lima, o único brasileiro a chegar ao número um do mundo. O Sul segue como centro, mas o eixo começa a se deslocar. Ronaldo Fenômeno financia o projeto Galácticos Rackets para levar quadras ao Rio e a São Paulo, e Neymar tem um complexo no Sul do país com espaço para o padel. Em São Paulo, onde o metro quadrado pesa e a quadra de vidro custa caro, a hora de jogo chega a R$ 300. Escassez, afinal, também é um tipo de exclusividade.

Terceiro set

Pickleball: o recém-chegado dos clubes

O mais novo dos três chegou ao Brasil por Governador Valadares, em Minas Gerais, e encontrou endereço nobre em pouco tempo. Em São Paulo, já aparece no Club Athletico Paulistano, no Clube de Campo, no projeto do Beyond The Club, que tem a BTG Pactual Asset Management entre os investidores, e no São Paulo Surf Club, da JHSF. Perto da Avenida Berrini, a Pickleball Point Arena se apresenta como a primeira academia da cidade dedicada só ao esporte.

O apelo é fácil de entender. Aprende-se em uma tarde, joga-se em duplas e conversa-se o tempo todo. Nos Estados Unidos, onde virou febre, a liga profissional atraiu como donos de times nomes como LeBron James, Tom Brady, Patrick Mahomes, Eva Longoria e Heidi Klum.

Escassez também é um tipo de exclusividade.

Match point

O guarda-roupa da quadra

Onde há clube, há código de vestir. O chamado tenniscore saiu das quadras para as passarelas: a Miu Miu e a Prada recolocaram o tênis no centro da moda, a Gucci tem Jannik Sinner como rosto, Carlos Alcaraz é próximo da Louis Vuitton, e a Lacoste e a Ralph Lauren vivem há décadas dos códigos do clube. O filme Rivais fez o resto, e levou a estética da quadra do cinema para a rua.

No Brasil, a LIVE! acaba de lançar Racket Sports, linha pensada para tênis, padel e pickleball e também para o depois do jogo. Saias, saia-short, macaquinho combinado à saia balonê, tops e vestidos, com tule em sobreposição, proteção UV 50+ e uma cartela que soma vinho, lavanda, azul e verde ao branco, preto e marinho da tradição. O editorial tem a tenista juvenil Giovana Shincariol, e a marca passa a lançar novidades da categoria todo mês. “O que vestimos importa e deve traduzir nossa identidade”, diz Joice Sens, cofundadora e diretora criativa.

O detalhe que entrega a seriedade da peça está no bolso: discreto, na lateral da saia, do tamanho exato de uma bolinha. Elegância, na quadra, também é não ter as mãos ocupadas.


O clube mudou de forma, mas não de função. Continua sendo o lugar onde se encontra quem importa, onde se fala baixo entre um ponto e outro e onde a roupa diz de onde você vem. A diferença é que, agora, também é preciso saber devolver uma bola.

Onde jogar em São Paulo

Os grandes clubes da cidade, como o Paulistano e o Clube de Campo, reservam as quadras aos sócios. Entre os endereços de nova geração, o Beyond The Club , em construção às margens do Rio Pinheiros, perto da Ponte Transamérica, promete reunir tênis em saibro e quadra rápida, padel, pickleball, beach tennis e squash num mesmo endereço. O São Paulo Surf Club inclui o pickleball entre suas modalidades. A linha Racket Sports está no site e em lojas selecionadas da LIVE!.

Gabriel Silveirado, para a WAYFARER. São Paulo.
Fotos: Divulgação LIVE!

Previous Post
Campanha de 50 anos da L'Occitane en Provence

L'Occitane en Provence, 50 anos: de um alambique de alecrim a três mil boutiques

Next Post
Jacob Elordi com a pulseira LOVE da Cartier

Cartier LOVE Unlimited: Jacob Elordi pelo olhar da irmã