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Starlight Festival: música eletrônica em cinco palcos diante das Pirâmides de Gizé

Em 9 e 10 de outubro, o Starlight Festival levou Charlotte de Witte, Adriatique, Pete Tong e Vintage Culture para diante de Quéops, com público de 114 países. A segunda edição já tem data: novembro de 2027.

EVENTOS · Música | Starlight Festival, Egito

Em 9 e 10 de outubro, EXIT e P+US levaram Charlotte de Witte, Adriatique, Pete Tong e Vintage Culture para diante de Quéops, no primeiro festival de vários dias e vários palcos já montado nesse cenário.

Há cerca de 4.600 anos, a Pirâmide de Quéops foi erguida para abrigar a eternidade de um faraó. Em outubro de 2026, ela se tornou o pano de fundo de um dos experimentos mais ambiciosos já feitos no cruzamento entre música eletrônica e turismo cultural: o Starlight Festival, primeiro evento de vários dias e vários palcos realizado junto às Grandes Pirâmides de Gizé, no norte do Egito.

Por duas noites, um vento saariano cruzou o deck principal enquanto canhões de CO2 desenhavam plumas no ar, e nomes como Vintage Culture, Pete Tong e o duo suíço Adriatique se revezaram sob o olhar silencioso de Quéops, a última sobrevivente das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. A plateia, formada por visitantes de 114 países segundo os organizadores, assistiu a um show de luzes batizado de “The Rise to Starlight”: feixes amarelos emergindo do piramídion, a 146,5 metros de altura, pouco antes do set de encerramento.

Adriatique se apresenta de frente para a Pirâmide de Quéops iluminada
O duo suíço Adriatique assumiu o horário principal na noite de abertura do Starlight Festival.

Uma turnê que termina no deserto

O evento, com ingressos esgotados, nasceu de uma parceria entre o EXIT Festival, da Sérvia, e a P+US, plataforma de música eletrônica da Venture Lifestyle, em conjunto com parceiros locais. Trata-se do maior evento de música eletrônica realizado na última Maravilha do Mundo Antigo desde o concerto do milênio de Jean-Michel Jarre, em 1999.

“A mensagem central do ‘Rise to Starlight’ é unidade e paz”, afirma Dusan Kovacevic, fundador e CEO do EXIT. “Em um mundo marcado por guerra, ganância e destruição ambiental, é fácil sentir-se impotente. O convite a ‘acender a luz interior’ é um lembrete de que qualquer transformação significativa começa no plano pessoal. Quisemos lembrar as pessoas de que ainda temos escolha sobre como reagimos e tratamos umas às outras.”

Pete Tong e Vintage Culture tocam juntos no palco principal do Starlight
Pete Tong e Vintage Culture dividiram a cabine na primeira noite de festival.

O Starlight ganha um significado adicional por marcar o encerramento da turnê internacional do EXIT, iniciada depois que o festival sérvio foi forçado a deixar seu país de origem após apoiar protestos estudantis na Sérvia.

O line-up reuniu mais de 60 artistas internacionais e regionais distribuídos por cinco palcos. Charlotte de Witte liderou a programação com sua estreia no Egito, ao lado de nomes como Michael Bibi, Adriatique, Indira Paganotto, Enrico Sangiuliano, Vintage Culture, Pete Tong e WhoMadeWho. A produção visual ficou a cargo da Sila Sveta, estúdio por trás de algumas das cerimônias e shows mais celebrados do circuito global, responsável por um jogo de luzes que criava a ilusão óptica de pirâmides flutuando sobre o palco principal.

DJ Cloonee se apresenta com a Pirâmide de Quéops ao fundo
Cloonee comandou um dos sets que exploraram a relação entre luz, música e o monumento milenar.

Música como destino

Como experiência de música-destino, o Starlight ocupa um território particular. É possível ir a Tulum, no México, pelo Zamna, e combinar praias com ruínas maias; ou ao Tomorrowland Winter, para esquiar em Alpe d’Huez, na França; ou ainda ao EDC Thailand, em Phuket. Nenhum desses cenários, porém, carrega o peso simbólico das Grandes Pirâmides do Egito, algo que só se compreende de fato ao vivenciar o lugar.

Vale reservar um dia inteiro para o Grande Museu Egípcio, a poucos quilômetros do platô e aberto oficialmente em novembro de 2025. A arquitetura, por si só, já é um feito contemporâneo, e o acervo impressiona mesmo quem não costuma ser entusiasta de museus. As origens, a construção e o propósito das pirâmides seguem cercados de teorias: de explicações técnicas apresentadas por guias especializados a interpretações alternativas que circulam amplamente nas redes.

Vista do palco principal com a Pirâmide de Quéops ao centro durante o show de luzes
O palco principal foi posicionado de modo a enquadrar Quéops entre duas telas triangulares de vídeo.

Entre o que se mede e o que se imagina

O que se sabe com segurança é que Quéops foi erguida com cerca de 146,5 metros de altura e permaneceu como a estrutura mais alta feita pelo homem por quase 3.800 anos, até ser superada pelas catedrais góticas europeias. Sua base é quase perfeitamente nivelada e alinhada ao norte verdadeiro, com desvio de apenas alguns minutos de arco. Foram usados cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra, e há quase tantas teorias sobre como eles foram assentados.

A matemática alimenta o mistério. Divida o perímetro da base pelo dobro da altura e o resultado fica próximo de 3,14, vizinho de π. Multiplique a altura por um bilhão e chega-se perto da distância média entre a Terra e o Sol. A latitude da pirâmide, em torno de 29,979° N, lembra os primeiros algarismos da velocidade da luz. Egiptólogos tratam a maior parte dessas relações como coincidências numéricas ou efeitos do método construtivo; o público, nem sempre. É justamente essa névoa entre o que se mede e o que se imagina que torna a visita tão magnética, sobretudo quando o monumento vira palco de um festival com proposta declarada de união.

Charlotte de Witte encerra o Starlight Festival em frente às pirâmides iluminadas
Charlotte de Witte assinou um dos poucos sets de techno do line-up, encerrando o festival.

“O Starlight demonstra que o Egito tem potencial para ser muito mais do que um destino visitado por sua história e monumentos”, afirma Rabih Mokbel, fundador e CEO da Venture Lifestyle e da P+US. “Pode também ser um lugar onde música internacional, cultura e entretenimento contemporâneo se encontram de uma forma difícil de replicar em qualquer outro canto do mundo.”

Ele acrescenta: “Para quem pensa em uma futura edição, recomendo vir de mente aberta. A experiência vai além de assistir a um festival. É uma oportunidade de descobrir o Egito por outra lente, onde milênios de história encontram a energia de um evento musical global.”

Diante do êxito desta primeira edição, o Starlight Festival já abriu as pré-inscrições para a segunda, marcada para 5 e 6 de novembro de 2027.

Há 4.600 anos, Quéops foi erguida para guardar a eternidade de um faraó. Em outubro, por duas noites, guardou também outra coisa: o instante em que milhares de pessoas de 114 países ergueram os olhos para o seu topo iluminado. A pirâmide já viu passar impérios. Um festival, para ela, é apenas mais uma noite; para quem esteve lá, dificilmente será.

Serviço · Starlight Festival 2027

  • Quando: 5 e 6 de novembro de 2027
  • Onde: área designada diante das Grandes Pirâmides de Gizé, Egito
  • Ingressos: pré-inscrição aberta no site oficial do festival
  • Classificação: 21 anos na edição de 2026

Da redação da WAYFARER.

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