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WAYFARER · FLY

A bordo de um dos voos mais longos do mundo: Newark a Singapura

Em 2019, a WAYFARER cruzou de Newark a Singapura, sem escalas, no A350-900ULR da Singapore Airlines. O registro da travessia e o que mudou desde então no ranking dos voos mais longos.

Por Gabriel Silveirado9 dezembro, 2019

Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.

Não existe hidratante suficiente no universo. Foi esse o primeiro pensamento diante da ideia de passar quase um dia inteiro dentro de um avião. Voos longos costumam cobrar a conta na pele, oleosa e ressecada ao mesmo tempo, justamente na hora de pousar e começar o dia numa cidade estrangeira.

Em 2019, a WAYFARER embarcou no que era então o voo comercial mais longo do mundo: Newark a Singapura, sem escalas, pela Singapore Airlines. Mais de 15 mil quilômetros e perto de 18 horas no ar. Este é o registro daquela travessia, revisto à luz do que mudou desde então.

Airbus A350-900ULR da Singapore Airlines
Cabine executiva do A350-900ULR

O posto: quem voa mais longe hoje

O título mudou de mãos, mas não de companhia. Desde novembro de 2020, o voo mais longo do mundo é o SQ23/SQ24, da própria Singapore Airlines, entre Singapura e o aeroporto JFK, em Nova York, com cerca de 15.350 km de distância em linha reta. A rota de Newark, SQ21/SQ22, segue em operação diária e continua entre as mais longas do planeta. No horizonte está o Project Sunrise, da Qantas, que promete ligar Sydney a Londres sem escalas a partir de 2027.

O avião: fibra de carbono e ar mais úmido

O protagonista das duas rotas é o Airbus A350-900ULR, versão de alcance ultralongo que a Singapore Airlines foi a primeira a operar. Boa parte da fuselagem é de compósitos de fibra de carbono, o mesmo princípio dos supercarros: mais leveza, menos combustível, mais distância. Os motores são Rolls-Royce Trent XWB.

O material traz uma vantagem menos óbvia para quem está a bordo. Como não sofre corrosão como o alumínio, permite uma cabine com umidade mais alta e pressurização equivalente a uma altitude menor, além de janelas maiores. A iluminação acompanha o ciclo natural do dia e evita a luz azul nas horas de sono. Na prática, o efeito foi perceptível: nenhuma sensação de ar rarefeito, e a pele chegou a Singapura sem o estrago esperado.

Cabine executiva do A350-900ULR
Executiva da Singapore Airlines

A cabine: sem classe econômica

Não há econômica nesses voos. O A350-900ULR leva 161 passageiros: 67 na executiva e 94 na premium economy. Os assentos da executiva estão entre os mais largos da categoria, e o serviço inclui edredom grosso, travesseiros extras e uma tela ampla com horas de entretenimento que nenhuma travessia consegue esgotar.

Premium economy do A350-900ULR
Premium economy do A350-900ULR

A mesa: do Canyon Ranch ao Golden Door

Em 2019, o programa de bem-estar a bordo era assinado pelo Canyon Ranch. O Dr. Richard Carmona, ex-cirurgião-geral dos Estados Unidos e então responsável pelas inovações em saúde do grupo, ajudou a desenhá-lo, e não escondia o entusiasmo pela parceria: segundo ele, a companhia havia repensado o avião inteiro para que o passageiro desembarcasse com menos jet lag. O cardápio tinha sucos com açafrão, lagosta e folhas cultivadas numa fazenda vertical perto de Newark, a AeroFarms.

Entrada com folhas da AeroFarms

O capítulo se encerrou em 2021. Desde 2022, os voos sem escalas entre os Estados Unidos e Singapura servem, na executiva e na premium economy, a cozinha do spa californiano Golden Door, com pratos pensados para evitar picos de glicose e digestão pesada, além de bebidas próprias e sequências de alongamento no sistema de entretenimento.

O desembarque: o teste que importa

No fim, a pergunta é uma só: como se chega do outro lado? A resposta, naquela travessia, foi melhor do que qualquer previsão. Descansado, sem exaustão, com disposição para um treino rápido no hotel e para sair à noite atrás do que Singapura tem de melhor à mesa e no copo.

O hidratante, afinal, voltou quase intacto na bagagem. Quase um dia inteiro no ar e a pele chegou inteira, prova de que, a 12 mil metros, o que mais pesa é o cuidado com o detalhe.

Redação WAYFARER

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