Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.
Chicago come como pensa: com generosidade, sem cerimônia e com um certo espírito rebelde.
A cidade que reinventou a pizza e fez do bife uma instituição tornou-se, nas últimas décadas, um dos polos gastronômicos mais sérios dos Estados Unidos, com vencedores recorrentes do James Beard e um Guia Michelin próprio. Revisitamos a seleção que publicamos em 2019: o que segue aberto, e o que ficou como registro de uma época.
RL Restaurant: o clube de Ralph Lauren
Ao lado da maior loja Ralph Lauren da Magnificent Mile, o RL foi o primeiro restaurante do designer, aberto em 1999, e segue concorrido no almoço e no jantar. A cozinha serve clássicos americanos, de saladas a hambúrgueres e cortes de carne, num salão que traduz a grife em ambiente: madeira escura, luz baixa, obras da coleção particular de Mr. Lauren.


El Che: a Argentina de John Manion
No West Loop, atrás de uma fachada de azulejos verde-jade, o chef John Manion, que passou parte da infância em São Paulo e viajando pela América do Sul, escreve sua carta de amor à parrilla. Tijolo preto, ripas de madeira e um grande fogo aberto ao fundo; no cardápio, carnes na brasa, empanadas e morcilla. A casa segue entre as mais comentadas da cidade.


Marisol: muito além de um restaurante de museu
Instalado no Museum of Contemporary Art e batizado em homenagem à escultora Marisol, cuja obra foi a primeira aquisição do museu, o Marisol é comandado por Jason Hammel, chef premiado pelo James Beard e um dos pioneiros do movimento farm-to-table em Chicago com o Lula Cafe. Cozinha sazonal, com forte presença de vegetais, que justifica a visita mesmo para quem não vem pela arte.


Joe’s: o stone crab longe de Miami
Filial do lendário Joe’s Stone Crab de Miami Beach, o Joe’s de Chicago tem alma de steakhouse americana, mas o motivo da visita é outro: o stone crab, caranguejo de temporada do Golfo do México, de garra doce e suculenta, servido com o molho de mostarda da casa.


Harry Caray’s: a steakhouse do beisebol
No Meio-Oeste, terra de pecuária, a steakhouse é quase um gênero literário. O Harry Caray’s, batizado em homenagem ao lendário locutor dos Cubs, junta cortes generosos, clássicos ítalo-americanos como o frango Vesuvio e paredes cobertas de memorabilia de beisebol. Um programa para quem gosta de carne e de esporte na mesma medida.


Terrace 16: a cidade vista do 16º andar
No 16º andar do Trump International Hotel & Tower, à beira do rio Chicago, o Terrace 16 vale sobretudo pela vista, uma das mais bonitas do centro, com a arquitetura do Loop emoldurando o terraço. Boa escolha para uma ocasião especial.


Registro: as casas que fecharam
Parte da lista de 2019 não resistiu ao tempo. O Dusek’s, gastropub de Pilsen instalado no histórico Thalia Hall, encerrou as atividades no fim de 2023, depois de uma década. O Bar Ramone, bar de vinhos do grupo Lettuce Entertain You em River North, e o Pacific Standard Time, de cozinha californiana e fornos a lenha, também fecharam. O Cafe Spiaggia, versão descontraída do Spiaggia na Michigan Avenue, saiu de cena junto com a casa-mãe, em 2021. Já a Margeaux Brasserie, a brasserie parisiense de Michael Mina no Waldorf Astoria, aparece como fechada em guias da cidade e não teve o funcionamento confirmado. Ficam aqui como memória de uma cena que se renova depressa.










Ficha de serviço
RL Restaurant: 115 E. Chicago Ave. ralphlauren.com
El Che Steakhouse & Bar: 845 W. Washington Blvd. elchechicago.com
Marisol: 205 E. Pearson St., no MCA. marisolchicago.com
Joe’s Seafood, Prime Steak & Stone Crab: 60 E. Grand Ave. joes.net
Harry Caray’s Italian Steakhouse: 33 W. Kinzie St. harrycarays.com
Terrace 16: 401 N. Wabash Ave. trumphotels.com
Leia também: a gastronomia de Chicago no Guia MICHELIN 2024 e Chicago como polo de festivais da América do Norte.
Casas abrem, casas fecham, e Chicago continua comendo como pensa: com fogo, com generosidade, sem pedir licença.
Redação WAYFARER

