Nota editorial: publicada originalmente em 2020 e atualizada em setembro de 2026.
Todo país tem sua maneira de atravessar a meia-noite. No Brasil, é roupa branca, sete ondas e fogos sobre o mar. Em outros lugares, a virada se faz com sinos, biscoitos, pontes e silêncio, e cada gesto diz muito sobre quem o repete.
Oito cidades, oito formas de começar o ano.
Tóquio: 108 badaladas
No Japão, a noite de 31 de dezembro pertence aos templos budistas. No ritual do Joya no Kane, os sinos soam 108 vezes, número que, segundo a tradição, corresponde aos desejos e paixões mundanas que o novo ano deve purificar. A última badalada chega com o ano novo. Na manhã seguinte, muitos acordam cedo para ver o primeiro nascer do sol, o Hatsuhinode, e depois visitam templos e santuários xintoístas para pedir saúde e sorte.

Sófia: tapinhas de boa sorte
Na Bulgária, o primeiro dia do ano começa com um gesto curioso: crianças batem de leve nas costas dos adultos com a survachka, um galho decorado, desejando saúde e prosperidade. No inverno, o país também revive o ritual dos kukeri, homens vestidos com máscaras e fantasias de pele que dançam para espantar os maus espíritos.

Edimburgo: Hogmanay
Na Escócia, o último dia do ano tem nome próprio, Hogmanay, e em Edimburgo a festa se estende por vários dias, com concertos, cortejos e fogos sobre o castelo, indiferente ao frio. A tradição mais bonita é o first-footing: a primeira pessoa a cruzar a porta de uma casa depois da meia-noite traz presentes, como biscoitos amanteigados, bolo ou uísque, para garantir sorte ao ano inteiro.

Sydney: duas viradas
Nenhuma festa lembra tanto a de Copacabana quanto a de Sydney, com fogos sobre a Harbour Bridge e a Opera House refletidos na baía. A diferença está no cuidado com as famílias: às 21h, uma primeira queima, a Family Fireworks, permite que as crianças vejam o espetáculo sem esperar até a meia-noite. E, como em quase todo o mundo, ninguém se preocupa em vestir branco.

Roma: San Silvestro
Na Itália, a noite de San Silvestro é farta em superstições. Lentilhas à mesa, para atrair dinheiro, e roupa íntima vermelha, para a sorte. O antigo costume de jogar objetos velhos pela janela à meia-noite, sobretudo no sul, está desaparecendo por ser perigoso. Em Roma, no primeiro dia do ano, alguns corajosos ainda mantêm a tradição de saltar de uma ponte no rio Tibre.

Punta del Este: a temporada começa
Na América do Sul, poucas viradas são tão concorridas quanto a de Punta del Este. O balneário uruguaio abre ali o auge do seu verão, com festas em casas noturnas, jantares longos e paradores de praia, e fogos vistos da areia, entre argentinos, uruguaios e brasileiros.

Nova York: sessenta segundos
A descida da bola do alto do One Times Square, tradição que remonta a 1907, é uma das imagens mais famosas da virada. Vista ao vivo, é outra história: horas de espera no frio, em meio a uma multidão cercada por barreiras, por um espetáculo que dura um minuto. Para muitos, a melhor forma de viver a noite em Nova York é longe da praça, num jantar ou num terraço com vista.

Berlim: o Portão de Brandemburgo
Na capital alemã, a festa se concentra diante do Portão de Brandemburgo, com palco, música, barracas de comida e cerveja e uma queima de fogos que ilumina um dos cenários mais carregados de história da Europa.

Sinos em Tóquio, galhos em Sófia, uísque em Edimburgo, ondas em Copacabana. O gesto muda de uma cidade para outra; a vontade de recomeçar, não.
Redação WAYFARER

