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Audemars Piguet troca o mostrador por pedras: nasce a Royal Oak Joaillerie

Durante meio século, o Royal Oak ensinou a contar o tempo. Em Paris, a Audemars Piguet apresenta 19 peças de joalheria que carregam o desenho do bracelete e dispensam o mostrador.

WAYFARER · ESTILO | Joalheria

Durante meio século, o Royal Oak foi medido em minutos. Agora, em quilates.

Em plena Paris Fashion Week, a Audemars Piguet apresentou algo inédito em sua história: uma coleção de joalheria que leva o nome de seu relógio mais célebre e não traz um único mostrador. A Royal Oak Joaillerie reúne 19 peças, entre colares, brincos, braceletes e chokers, e marca a entrada formal da manufatura suíça num dos setores mais aquecidos do luxo contemporâneo.

A origem do projeto está na própria clientela. A popularidade do Royal Oak Mini, de 23 mm, revelou um comportamento que a marca não previa. “Vimos clientes empilhando e usando as peças quase como joias, o que nos mostrou uma forma muito contemporânea de viver o Royal Oak além do relógio em si”, afirma Ilaria Resta, CEO da Audemars Piguet.

Bracelete rígido da coleção Royal Oak Joaillerie
DO ROYAL OAK MINI À JOIA

O desafio, segundo a executiva, não foi reproduzir os códigos do bracelete, mas reinterpretá-los. “Em vez de reproduzir os códigos já conhecidos do Royal Oak, olhamos para o bracelete quase como um objeto autônomo e perguntamos como sua geometria, seu ritmo e seu movimento poderiam se traduzir em joalheria.” Os elos entrelaçados que fizeram do modelo um ícone desde os anos 1970, com seu jogo de luz entre acabamentos polidos e acetinados, reaparecem transpostos para o universo joalheiro. A inspiração vai além da relojoaria: os desenhos dialogam com a paisagem do Vallée de Joux, sede histórica da manufatura, de lagos congelados a flores locais.

Cravejada de pedras preciosas e semipreciosas sobre ouro e titânio, a coleção tem peças de grande impacto. O colar Dream of Joux, em formato de laço, une ouro branco e titânio azul anodizado, com 42 diamantes em corte pera que somam cerca de 63 quilates e 1.670 safiras azuis, que passam de cinco quilates no total. Os brincos que o acompanham levam oito diamantes pera, de 1,5 a 3 quilates cada, ladeados por 196 safiras.

Colar e brincos Dream of Joux em titânio azul e diamantes
DREAM OF JOUX: TITÂNIO AZUL E DIAMANTES PERA

A paleta muda de tom no colar e no bracelete Risoud Eclipse, nomeados em referência à floresta homônima da região. Em titânio enegrecido e ouro branco, apostam em esmeraldas de corte sugarloaf: cinco pedras somando cerca de 16,5 quilates no colar e três de aproximadamente 12 quilates no bracelete, pontuadas por diamantes.

Colar Risoud Eclipse com esmeraldas e titânio enegrecido
RISOUD ECLIPSE: ESMERALDAS SUGARLOAF

A natureza do Vallée de Joux volta nos seis braceletes rígidos. O Sunburst Royal Oak combina safiras laranja e amarelas com espessartitas numa composição vibrante; o Blueberries Royal Oak propõe uma leitura quase figurativa de um arbusto de mirtilos, com 506 diamantes em corte folha e brilhante, 19 ametistas cabochão e 16 espinélios pretos, também cabochão.

Braceletes rígidos da coleção Royal Oak Joaillerie
SUNBURST E BLUEBERRIES: A FLORA DO VALLÉE DE JOUX

Os chokers e braceletes de corte mais discreto, pensados para o uso cotidiano e para compor com relógios Royal Oak que as clientes já possuem, recebem o acabamento Frosted Gold, textura de ouro martelado desenvolvida pela manufatura com a joalheira Carolina Bucci em 2016 e hoje disputada por colecionadores.

Chokers em ouro frosted da coleção Royal Oak Joaillerie
FROSTED GOLD, PARA O USO DIÁRIO

A incursão não surge do nada. Desde o século XIX, a casa produziu relógios-pingente e anéis em parceria com joalherias como Tiffany, Cartier e Bulgari. Nos anos 1980, abriu seu próprio ateliê de joalheria, de onde saiu o bracelete Baroque, criado para os 125 anos da maison e cravejado de diamantes e safiras amarelas e rosa. Mais recentemente, a coleção secreta Diamond Trilogy, lançada entre 2015 e 2017, flertou com uma estética mais irreverente.

Bracelete Risoud Eclipse com esmeraldas e diamantes
O BRACELETE RISOUD ECLIPSE

O momento também diz algo. Em maio, o Morgan Stanley reduziu a 2,5% sua projeção de crescimento do setor de luxo em 2026, pressionado por incertezas macroeconômicas e pelo conflito no Oriente Médio. Nesse cenário, a joalheria se consolidou como refúgio de consumo, cada vez mais vista como investimento, movimento reforçado pela alta do ouro. É o motor de grupos como a Richemont, cujas maisons do setor cresceram 24% no terceiro trimestre fiscal encerrado em junho, contra 8% da relojoaria.

Dentro da casa, diversificar além do Royal Oak é uma busca antiga, visível também na expansão da linha redonda Code 11.59. A aposta em esmeraldas e safiras acompanha a tendência do setor, e a coleção sinaliza a leitura de um público feminino que compra joias para si, sem intermediação masculina.


O Royal Oak sempre ensinou a ver as horas. A Royal Oak Joaillerie ensina outra coisa: que o desenho de um bracelete pode sobreviver ao relógio. Se o histórico da manufatura servir de indício, é apenas o primeiro capítulo de uma frente que promete crescer com a mesma ousadia que consagrou o original.

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