O Audi e-tron Sportback foi a resposta da Audi a uma pergunta de mercado: se o comprador de SUV aceitaria pagar mais por um teto mais baixo. A receita é a mesma do e-tron convencional, primeiro elétrico de série da marca, com a linha do teto caindo em direção à traseira, no estilo fastback que a Audi chama de Sportback. No Brasil, o modelo chegou em agosto de 2020 e, a partir de 2023, foi renomeado Q8 Sportback e-tron na atualização da linha.
Design
O perfil é o que distingue o Sportback. A caída do teto dá ao carro uma silhueta mais esguia que a do e-tron SUV, sem abandonar a altura e a posição de dirigir elevada que o público do segmento procura. A frente mantém a identidade da Audi, com a grade octogonal fechada e faróis de LED. O preço da forma aparece atrás: o espaço para a cabeça no banco traseiro e o volume do porta-malas são um pouco menores que os do modelo de teto convencional.



Desempenho
A versão vendida no Brasil, a 55 quattro, usa dois motores elétricos, um em cada eixo, o que garante tração integral. Em modo boost, o conjunto chega a 408 cv e 67,7 kgfm de torque. Segundo a Audi, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 5,7 segundos e tem velocidade máxima de 200 km/h, números de esportivo para um carro de quase 2,5 toneladas. Ao volante, o e-tron se mostrou ágil e versátil, com a aceleração rápida típica dos elétricos e uma rodagem suave e silenciosa. A frenagem mescla bem os freios hidráulicos com a regeneração dos motores elétricos, que responde pela maior parte das desacelerações do dia a dia.
Autonomia e recarga
A bateria tem 95 kWh de capacidade bruta, organizada em 36 módulos e com cerca de 700 kg. A Audi declarou 446 km de autonomia no ciclo europeu WLTP, ligeiramente acima do e-tron SUV graças à aerodinâmica do Sportback. Na prática, é um número que fica atrás dos rivais mais recentes do segmento.
A recarga compensa parte da diferença. Em estações rápidas de corrente contínua, o e-tron Sportback aceita até 150 kW e vai a 80% da bateria em cerca de 30 minutos, segundo a fabricante.



Tecnologia e cabine
O painel segue o padrão Audi da época: duas telas sensíveis ao toque no console central, a superior de 10,1 polegadas para multimídia e a inferior de 8,6 polegadas para o ar-condicionado e atalhos, além do quadro de instrumentos digital Audi Virtual Cockpit. Há Apple CarPlay e Android Auto, e o som pode ser assinado pela Bang & Olufsen.
O item mais curioso é opcional: os retrovisores virtuais, que trocam os espelhos externos por pequenas câmeras e exibem a imagem em telas instaladas na parte interna das portas dianteiras. A solução reduz o arrasto aerodinâmico, mas exige alguns quilômetros de adaptação, porque o olhar precisa procurar a imagem mais abaixo do que de costume. Passada essa fase, o uso se torna natural.


Fora isso, o e-tron Sportback é deliberadamente normal. O acabamento e a ergonomia são os de qualquer Audi de topo, sem a estética de nave espacial que outros elétricos adotaram. Para quem quer trocar de motor sem trocar de hábitos, essa familiaridade é parte do argumento.
O Sportback provou que havia público disposto a pagar mais por um teto mais baixo, desde que o resto continuasse sendo um Audi. A troca de nome para Q8 Sportback e-tron mudou a etiqueta, não a ideia.
Ficha técnica: Audi e-tron Sportback 55 quattro
- Motores: dois elétricos, um por eixo
- Potência: 408 cv (modo boost)
- Torque: 67,7 kgfm
- Tração: integral quattro
- 0 a 100 km/h: 5,7 s
- Velocidade máxima: 200 km/h
- Bateria: 95 kWh (bruta)
- Autonomia: 446 km (WLTP)
- Recarga rápida: até 150 kW (80% em cerca de 30 min)
- Peso: 2.480 kg
- Preço: R$ 511.990 no lançamento (agosto de 2020)

