Antes das dez minutos de desfile, há uma coreografia inteira de filas, empurrões e ansiedade contida. Depois, quando as luzes da passarela se apagam, começa a parte da semana de moda que raramente ganha manchete: a noite. É ali, entre coquetéis, DJs e aparições relâmpago de celebridades, que a temporada realmente respira.
Esta edição da New York Fashion Week confirmou a regra. As festas não foram apêndice do calendário oficial, foram extensão dele, com tanto planejamento quanto qualquer show de sessenta looks.
Club Guizio
Na véspera do início oficial da semana, Danielle Guizio, à frente da marca Guizio, deu o tom com uma festa de pré-lançamento na região oeste de Midtown Manhattan. No topo do The Edge, com vista para o Vessel, o Club Guizio propôs uma atmosfera contida e sofisticada, quase um antídoto ao nervosismo que antecede os dias de desfile. Coquetéis de poppi, peças da coleção expostas pelo espaço e passagens de estrelas de Love Island compuseram uma noite mais sobre clima do que espetáculo.

UGG x Willy Chavarria
Mais ao sul, no Lower East Side, o primeiro dia oficial da semana levou editores e it-girls a um cenário bem diferente: Ray’s, um dive bar de luz baixa e ares despojados, escolhido por UGG e Willy Chavarria para celebrar a colaboração dos dois em botas de couro. A proposta era clara: transportar o espírito grunge da parceria para dentro de um espaço sem pretensão de glamour tradicional, ainda que por uma noite ele tenha hospedado toda a teatralidade própria da semana de moda.
Foi também uma das raras temporadas em que Chavarria não apresentou desfile formal, mas isso não significou ausência de performance. Motociclistas do Aztec Rebels, clube latino de bikers, tomaram o quarteirão em torno do bar, com fumaça e motores em alto volume, dando uma trilha sonora literal à estética biker que inspirou o calçado.


Festa de 85 anos da Coach
Se havia dúvida sobre o retorno das festas de verdade, a Coach dissipou qualquer hesitação. A marca não apenas pagou o bar aberto: recriou, em Piers 36, à beira do rio, uma produção que evocava as noites da Studio 54, com o desfile emendando direto na celebração, no mesmo espaço e no mesmo fôlego.
Tapete vermelho estendido, bar em formato de ferradura, torres de champanhe e de camarão recebiam os convidados logo na entrada. Bandejas metálicas circulavam com hambúrgueres, batatas fritas e taças, enquanto balões cor-de-rosa saltavam pelo chão da pista elevada. Entre os rostos conhecidos, o verdadeiro protagonista da noite foi o próprio ato de dançar: horas seguidas, embaladas pelo DJ Zack Fox e seu repertório ghetto-tech recheado de clássicos, que manteve a pista em movimento muito depois de o desfile ter terminado.

Do lado de fora, a celebração seguia em ritmo próprio: a banca de jornal montada pela marca virou ponto de encontro para quem já se despedia, levando brindes e doces como lembrança da noite.

A festa (nada) privada de VANSZA
A noite, no entanto, ainda tinha um capítulo final. Nenhuma semana de moda está completa sem uma dose de imprevisto, e foi exatamente isso que SZA proporcionou ao anunciar, no próprio Instagram, com endereço, data e hora, a festa que lançaria Vansza, a nova colaboração da cantora com a marca de skate Vans. O ponto de encontro: 260 Bowery.
Do lado de fora, reinava o caos anunciado. Pessoas se aglomeravam apenas com um print da publicação na mão, perguntando à equipe da porta se a cantora estava mesmo lá dentro. Estava. A espera de meia hora veio acompanhada de um aviso direto da assessoria de imprensa: “Nem vale a pena escrever sobre isso, é impossível se mexer lá dentro.” A frase, ao menos em parte, se confirmou.
Dentro do clube, revestido de veludo vermelho, o cenário era exatamente o prometido: uma sala lotada de rappers, influenciadores e atletas, todos comprimidos como em uma vitrine de quem vale a pena ver e ser visto. Conforme a noite avançava e algum espaço para respirar surgia, a festa se transformava em exercício coletivo de observação, todos à espera de quem apareceria em seguida da lista de convidados de SZA.
A pista voltou a se comprimir quando Kaytranada assumiu a cabine de som. No instante em que as primeiras batidas tomaram o ambiente, qualquer respiro conquistado pela multidão desapareceu de novo, prova de que, nesta NYFW, as festas depois do desfile carregaram tanto peso simbólico quanto as próprias passarelas.

