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Rio Negro: projetos de ecoturismo, educação e conservação na Amazônia

Em Novo Airão, às portas de Anavilhanas, turismo comunitário, educação ribeirinha e a proteção dos quelônios do Jauaperi mostram como manter a floresta de pé.

Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.

A floresta não se protege só com fiscalização. Protege-se também com gente que tem motivo para mantê-la de pé.

O Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro desde 2007, costuma lembrar o tamanho do desafio: queimadas, garimpo ilegal, avanço agropecuário e biopirataria pressionam um bioma que regula chuvas muito além de suas fronteiras e abriga mais de 25 milhões de brasileiros na Amazônia Legal. Mas o calendário é só um pretexto. No baixo e médio Rio Negro, no Amazonas, algumas iniciativas mostram, o ano inteiro, que turismo, educação e conservação podem trabalhar juntos.

Ecoturismo: Novo Airão e Anavilhanas

Novo Airão, a cerca de 180 quilômetros de Manaus por estrada, é a porta de entrada do Parque Nacional de Anavilhanas, um labirinto de aproximadamente 400 ilhas no Rio Negro, entre os maiores arquipélagos fluviais do planeta. Criada como estação ecológica em 1981, a área virou parque nacional em 2008. Boa parte do território do município está sob alguma forma de proteção, e o ecoturismo é uma das atividades que dão sustento à população local.

Pioneira do turismo de base comunitária na região, a Expedição Katerre navega o Rio Negro e seus afluentes há mais de 20 anos, com guias ribeirinhos, visitas a comunidades e incentivo ao artesanato local. A frota tem três embarcações: o La Jangada, catamarã de 12 cabines, o Jacaré-Açu, de oito, e o Jacaré-Tinga, de três. Os roteiros vão de Anavilhanas ao Parque Nacional do Jaú, à Reserva Extrativista do Baixo Rio Branco-Jauaperi e à Serra do Aracá. Em terra, às margens do rio e de frente para o arquipélago, o Mirante do Gavião Amazon Lodge recebe hóspedes em bangalôs de madeira com vista para o Rio Negro.

Educação: a floresta como sala de aula

Se o turismo sustenta o presente, a educação decide o futuro. Em Novo Airão, a Fundação Almerinda Malaquias completa 25 anos de trabalho com crianças e jovens da região, em atividades de contraturno escolar e educação ambiental, além de programas de geração de renda e formação de educadores.

Uma das frentes da fundação é o projeto Educação Ribeirinha, pensado para melhorar a infraestrutura e o ensino em escolas de comunidades isoladas do município, com apoio pedagógico aos professores em parceria com as redes municipal e estadual. Quando foi lançado, o projeto previa a construção ou reforma de 25 escolas, com energia solar, internet, cozinha para a merenda e saneamento, e unidades desenhadas pelo Atelier Marko Brajovic em linguagem de bioarquitetura, integrada à paisagem e aos signos culturais das populações locais.

Conservação: os quelônios do Jauaperi

Na bacia do Rio Negro, quatro espécies de quelônios, iaçá, irapuca, tracajá e tartaruga-da-amazônia, sofrem com a caça e o tráfico. No rio Jauaperi, o Projeto Bicho de Casco, liderado pelo educador escocês Paul Clark, fundador da escola Vivamazônia, e por Francisco Parede, da Associação de Artesãos do Rio Jauaperi, organizou comunidades ribeirinhas para vigiar as praias de desova. Em 2022, o projeto somava quase duas décadas de trabalho e cerca de 3 mil filhotes devolvidos ao rio a cada temporada.

SERVIÇO

Expedição Katerre: saídas de Novo Airão (AM), roteiros de 3 a 7 noites e fretamentos. katerre.com
Mirante do Gavião Amazon Lodge: Rua Francisco Cardoso, s/n, Novo Airão (AM).
Fundação Almerinda Malaquias: Novo Airão (AM). fundacaoalmerindamalaquias.org

A floresta não se protege só com fiscalização. No Rio Negro, ela se protege com um guia que conhece o igapó, uma escola com energia na margem do rio e uma praia vigiada na noite da desova.

Redação WAYFARER

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