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O Brasil no mapa do scotch: consumo de whisky cresce enquanto o mercado global esfria

Com 54 milhões de garrafas em 2025, o Brasil está entre os cinco maiores mercados do whisky escocês em volume. Enquanto isso, o whisky como investimento viveu o fim da euforia.

Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.

O scotch aprendeu a falar português. E o Brasil aprendeu a beber devagar.

Quando esta matéria foi publicada, em 2022, o mercado de whisky vivia um momento de euforia: a retomada pós-pandemia fez as exportações escocesas dispararem, e a América Latina aparecia como a região de crescimento mais acelerado. Quatro anos depois, os números contam uma história mais madura. O entusiasmo arrefeceu no mundo, mas o Brasil consolidou um lugar que não parecia óbvio há uma década: o de um dos maiores consumidores de scotch do planeta.

Os números: o Brasil no mapa do scotch

Segundo a Scotch Whisky Association, as exportações de whisky escocês somaram cerca de £5,3 bilhões em 2025, com leve queda em valor e em volume em relação a 2024, num cenário marcado por tarifas nos Estados Unidos e desaceleração em mercados maduros. O Brasil foi na direção contrária. Em 2024, o volume enviado ao país cresceu quase 23%, para 52 milhões de garrafas de 70 cl, e a região da América Central e do Sul foi a que mais cresceu no mundo. Em 2025, o Brasil voltou a avançar, para 54 milhões de garrafas, e ficou em quinto lugar entre os maiores mercados do scotch em volume.

Parte desse movimento tem um marco institucional: em 2024, o Brasil reconheceu o Scotch Whisky como Indicação Geográfica, o que dá ao consumidor mais segurança sobre a origem e a autenticidade do que está no copo. A outra parte é cultural. O whisky deixou de ser apenas a garrafa de sempre e passou a ser tema de clubes, bares especializados e coleções particulares.

Volume não é valor

Há uma nuance importante. O crescimento brasileiro é puxado sobretudo pelos blends engarrafados, e o país ainda não aparece entre os dez maiores mercados em valor. O consumo de single malts e de rótulos de alta idade cresce, mas a partir de uma base pequena. É um mercado em formação, com uma camada de conhecedores cada vez mais exigente e um público amplo que ainda está descobrindo a categoria.

Whisky como investimento: o fim da euforia

Em 2022, falava-se em whisky como “ouro líquido”. O índice de whiskies raros da consultoria Knight Frank havia acumulado valorização expressiva na década anterior. Desde então, o mercado corrigiu: o índice caiu em 2023, voltou a cair em 2024 e, segundo o relatório publicado em 2026, registrou nova queda, de cerca de 11%, no período mais recente. Garrafas realmente raras, de destilarias históricas e procedência impecável, seguem disputadas em leilão. O restante mostrou que o whisky, como qualquer ativo, não sobe para sempre. Para o colecionador, a lição é antiga: compre o que gostaria de beber.

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O mercado global esfriou, os leilões ficaram mais seletivos, e o Brasil seguiu enchendo o copo. Talvez seja o sinal mais claro de que, por aqui, o whisky deixou de ser moda para virar hábito.

Redação WAYFARER

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