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O jato particular de Elvis Presley, dos assentos de veludo vermelho ao leilão

Comprado por Elvis em 1976 e esquecido por quatro décadas no deserto do Novo México, o Lockheed JetStar de veludo vermelho foi leiloado em 2023 e ganhou um destino inesperado: a estrada.

Por WAYFARER8 dezembro, 2022

Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.

Há objetos que envelhecem. E há objetos que viram cápsula do tempo. O jato de Elvis Presley passou quatro décadas no deserto tentando decidir qual dos dois seria.

Em dezembro de 1976, poucos meses antes de morrer, Elvis comprou um Lockheed 1329 JetStar de 1962, vermelho e prata, por 840 mil dólares, algo em torno de 4,4 milhões em valores atuais. Era o jato executivo das celebridades e dos grandes executivos da época, e se somou a uma pequena frota particular: o Convair 880 batizado “Lisa Marie”, com o indicativo Hound Dog 1, e outro JetStar, o Hound Dog 2. Esses dois estão hoje em exposição em Graceland, a casa-museu do cantor em Memphis.

A cabine: veludo, ouro e anos 1970

O JetStar tinha quatro motores montados em pares na traseira da fuselagem e levava cerca de nove passageiros, além da tripulação. O interior é o que faz a lenda: painéis de madeira, estofamento em veludo vermelho com acabamentos dourados, seis poltronas giratórias e um sofá. No móvel de mídia, televisão, toca-fitas e videocassete RCA; na copa, micro-ondas e dispensador de bebidas. Um retrato fiel do que era voar com estilo naquela década.

O deserto: quarenta anos parado

Depois da morte de Elvis, o avião trocou de mãos e terminou estacionado em Roswell, no Novo México, onde ficou por cerca de quatro décadas. O sol do deserto castigou a pintura; motores e parte do cockpit foram removidos. O interior, curiosamente, resistiu quase intacto. Em 2017, o jato já havia passado por um leilão, arrematado por cerca de meio milhão de dólares.

O desfecho: do leilão à estrada

Quando esta matéria foi publicada, o JetStar estava prestes a ir a leilão. A venda aconteceu em janeiro de 2023, no Mecum Kissimmee, na Flórida, às vésperas do que seria o 88º aniversário de Elvis. O lance final ficou em torno de 260 mil dólares, muito abaixo do que o avião custara em 1976 e pouco mais da metade do valor pago em 2017.

O comprador, o youtuber americano Jimmy Webb, do canal Jimmy’s World, dedicado a restaurações aeronáuticas, deu ao jato um destino inesperado: nunca mais voar. Ele montou a fuselagem sobre um chassi de motorhome e transformou o avião de Elvis num trailer que roda por estradas americanas. Para bancar o projeto, vendeu medalhões numerados feitos com partes externas da aeronave, como asas e tanques. A cabine de veludo vermelho foi preservada e, religada, voltou a funcionar, de televisão a micro-ondas. O resultado foi apresentado em 2024 na EAA AirVenture, em Oshkosh, o maior encontro de aviação dos Estados Unidos, com visitas revertidas a uma organização de veteranos militares.

O jato do Rei não voltou ao céu, mas também não ficou no deserto. Seguiu o caminho mais americano possível: a estrada, com o veludo vermelho intacto e a década de 1970 viajando junto.

Redação WAYFARER

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