O segmento de picapes médias no Brasil se consolidou como território de disputa acirrada, dominado por nomes que carregam décadas de reputação. Foi nesse cenário que a Ram decidiu apresentar a Dakota, sua primeira incursão nesse porte de caminhonete no país, construída sobre boa parte da engenharia que também sustenta a Fiat Titano. A aposta da Stellantis mira um público que busca robustez com um acabamento de outro nível.
Rodamos 350 km com a versão de entrada, a Dakota Warlock, para entender o que a picape oferece no dia a dia. A resposta aponta para um conjunto bem equilibrado entre conforto, tecnologia e eficiência, com detalhes que justificam a atenção de quem avalia o segmento.
Acabamento que eleva o padrão da categoria
O interior é onde a Dakota mais se diferencia. Mesmo na configuração de entrada, o painel evita o plástico rígido em excesso, com revestimento emborrachado na parte superior e detalhes em couro sintético na área central. A mesma lógica se estende às portas, incluindo acabamento em black piano ao redor dos comandos de vidro. Os bancos seguem a mesma curadoria: confortáveis, bem construídos e revestidos em couro sintético.

Tecnologia embarcada em profusão
A lista de equipamentos reforça o posicionamento da picape. O quadro de instrumentos digital de 7 polegadas se integra à central multimídia de 12,3 polegadas, com funcionamento fluido durante toda a semana de testes. O carregador por indução chama atenção pelo sistema de resfriamento, que evita o superaquecimento do smartphone durante o uso.

A câmera de 540 graus e os sensores de estacionamento facilitam manobras em espaços apertados, enquanto o pacote de assistência à condução inclui monitoramento de ponto cego, assistente de permanência em faixa, piloto automático adaptativo e frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres e ciclistas.
Motor e câmbio em sintonia
Sob o capô, a Dakota recebe o motor 2.2 Multijet II turbodiesel de 200 cv e 45,9 kgfm de torque, associado ao câmbio automático de oito marchas com tração 4×4, capaz de alternar entre 4×2 traseira, 4×4 automática e 4×4 reduzida. O entrosamento entre motor e transmissão surpreende pela suavidade: as trocas de marcha acontecem no momento certo, sem trancos perceptíveis.

Em situações de retomada, quando a caixa precisa reduzir marchas rapidamente, o movimento acontece de forma sutil. O mesmo comportamento se repete em saídas de pedágio ou semáforo, sempre com trocas bem calibradas.
Eficiência que se destaca no segmento
Para quem roda longas distâncias, o consumo é um capítulo decisivo. Nos testes, a Dakota registrou médias de 10,8 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada. Com o tanque de 80 litros, a autonomia chega a 864 km em perímetro urbano e 1.080 km em rodovias, números que superam rivais tradicionais do segmento.

Valor de revenda que joga a favor
Outro ponto que fortalece a proposta da Dakota é a baixa desvalorização registrada pelo índice mais recente da plataforma Webmotors. Ainda com pouco tempo de mercado, o modelo perdeu apenas 0,3% do valor de tabela, um desempenho que se destaca frente a rivais consolidadas do segmento.

O indicador é relevante para quem pensa no momento da revenda: quanto menor a perda de valor, mais sólido é o retorno financeiro ao longo da posse do veículo.

Capacidade para o uso intenso
A caçamba da Dakota comporta até 1.210 litros de bagagem e suporta 1.020 kg de carga, números competitivos para quem precisa de espaço para trabalho ou lazer. Já a arquitetura de suspensão, independente na dianteira e com eixo rígido na traseira, entrega o equilíbrio esperado de uma picape pensada tanto para o asfalto quanto para terrenos mais exigentes.




Entre o acabamento que surpreende na entrada de gama, a tecnologia embarcada e a eficiência que se traduz em autonomia, a Ram Dakota Warlock constrói um argumento consistente para quem busca uma picape média com identidade própria, sem abrir mão do refinamento que a marca do carneiro montanhês carrega em seu repertório.
Ficha técnica: Ram Dakota Warlock 2.2 Turbodiesel
| Motor | 2.2 turbodiesel, quatro cilindros em linha, injeção direta, turbocompressor de geometria variável e intercooler ar-água |
|---|---|
| Cilindrada | 2.184 cm³ |
| Potência | 200 cv a 3.500 rpm |
| Torque | 450 Nm, ou 45,9 kgfm, a 1.500 rpm |
| Combustível | Diesel S10 |
| Câmbio | Automático de oito marchas |
| Tração | 4×4 automática, com modos 4×2 e 4×4 reduzida; bloqueio do diferencial traseiro |
| Aceleração de 0 a 100 km/h | 9,9 s |
| Velocidade máxima | 180 km/h |
| Consumo oficial PBEV | 9,7 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada |
| Suspensão dianteira | Independente, duplo A, com molas helicoidais e barra estabilizadora |
| Suspensão traseira | Eixo rígido, com feixe de molas |
| Freios | Discos ventilados nas quatro rodas |
| Direção | Assistência elétrica; diâmetro de giro de 14,1 m |
| Rodas e pneus | Rodas de liga leve de 17 × 7,5 polegadas; pneus de uso misto 265/65 R17 |
| Comprimento | 5.357 mm |
| Largura | 1.965 mm sem retrovisores; 2.225 mm com retrovisores |
| Altura | 1.823 mm sem antena; 1.873 mm com antena |
| Distância entre eixos | 3.180 mm |
| Altura livre do solo | 228 mm |
| Ângulos | 27,7° de entrada; 24,1° de rampa; 26,7° de saída |
| Peso em ordem de marcha | 2.150 kg |
| Capacidade de carga | 1.020 kg |
| Caçamba | 1.210 litros; 1.584 mm de comprimento, 1.530 mm de largura e 502 mm de altura |
| Capacidade de reboque com freio | 3.500 kg |
| Tanque de combustível | 80 litros |
| Garantia | Cinco anos, sem limite de quilometragem, conforme as condições do manual do proprietário |
Fonte: Ram/Stellantis. Consumo oficial aferido pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.


