Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.
Um navio de 339 metros pode ser uma cidade. O MSC Seashore prefere ser uma varanda sobre o mar.
A MSC é uma armadora curiosa: tem sede na Suíça, país sem litoral, e se tornou uma das maiores construtoras de navios de cruzeiro do mundo. O Seashore, entregue em 2021, inaugurou a classe Seaside EVO, uma evolução da classe Seaside com mais de 65% dos espaços públicos redesenhados, 16 metros a mais de comprimento e cerca de 10 mil metros quadrados extras de convés. São 339 metros, pouco mais de 170 mil toneladas brutas e capacidade para até 5.632 hóspedes. Um irmão, o MSC Seascape, chegou no ano seguinte.
O desenho: um navio feito para o ar livre
A ideia central da classe é aproximar o hóspede da água. O Seashore foi pensado para mares quentes, e isso aparece em cada deck: restaurantes com mesas ao ar livre, passarelas panorâmicas e uma piscina de borda infinita só para adultos, com espreguiçadeiras parcialmente submersas na parte rasa. A Ponte dos Suspiros, passarela de vidro na popa, oferece a vista mais dramática do navio, o mar abrindo em esteira logo abaixo.
No centro, o Atrium ocupa quatro decks, com escadarias de cristal, bares e um palco de apresentações ao longo do dia. São quatro piscinas e um parque aquático; a principal tem palco e telão, e a Jungle Pool, coberta por um teto retrátil, funciona com qualquer tempo.





A mesa: o sotaque italiano
Como a MSC tem raízes italianas, a cozinha pende para o Mediterrâneo. O buffet principal fica no alto do navio, com massas, saladas e a pizza que sai a quase qualquer hora. Os restaurantes principais servem jantar à la carte todas as noites. O melhor, porém, está nos restaurantes de especialidades, concentrados em boa parte no Chef’s Court: frutos do mar, a churrascaria Butcher’s Cut com mesas ao ar livre, um teppanyaki com show e uma cantina mexicana. Vale reservar ao menos dois ou três.



As cabines: e o navio dentro do navio
As cabines têm desenho limpo e funcional, com sofás que viram cama e acomodam famílias de até quatro pessoas, e dezenas de unidades adaptadas para cadeira de rodas. Para quem busca outra escala de serviço, o MSC Yacht Club funciona como um navio dentro do navio: suítes, piscina e restaurante exclusivos, lounge próprio, embarque prioritário e mordomo disponível para reservas, excursões e o que mais for preciso.




A família: um navio de todas as idades
A MSC investe pesado no público familiar. Há clubes supervisionados para crianças e espaços próprios para adolescentes, parque aquático, fliperama com simulador de Fórmula 1 e cinema. É um navio que funciona tanto para uma família com três gerações quanto para um casal que se refugia no Yacht Club.



Ocean Cay: a ilha que era um canteiro
Boa parte dos roteiros do Seashore passa por Ocean Cay MSC Marine Reserve, ilha nas Bahamas a cerca de 100 quilômetros de Miami. Antes, era um antigo sítio de extração de areia, cercado de recifes danificados e sucata industrial. A MSC limpou a ilha, replantou vegetação nativa, realocou corais e transformou o entorno em reserva marinha de cerca de 165 quilômetros quadrados, criada em parceria com o governo bahamense.
Hoje são oito praias, um farol que vira palco de festa ao anoitecer e um cardápio de atividades de baixo impacto: snorkel, caiaque, stand-up paddle. O almoço está incluído, e os navios atracam direto no píer, sem necessidade de lanchas.


Onde navega: do Brasil ao Caribe
O Seashore fez a temporada brasileira de 2022/2023, com saídas de Santos e escalas no litoral do Sudeste e do Nordeste. Desde então, voltou ao Caribe. Depois de sua primeira docagem obrigatória, nas Bahamas, em abril de 2026, o navio opera o ano todo a partir de Port Canaveral, na Flórida, com roteiros de três a sete noites pelo Caribe e pelas Bahamas, quase sempre com parada em Ocean Cay. A partir de novembro de 2027, a MSC prevê transferi-lo para Miami, com cruzeiros de seis a nove noites.
Ficha de serviço
MSC Seashore: classe Seaside EVO, entregue em 2021, 339 metros, até 5.632 hóspedes. Base atual em Port Canaveral, Flórida. msccruzeiros.com.br
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Trezentos e trinta e nove metros de aço, e o que fica na memória é a varanda: a passarela de vidro na popa, a esteira branca no mar azul, o navio inteiro desenhado para que o horizonte nunca saia de vista.
Redação WAYFARER


