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Peugeot 2008 GT: o francês que aposta no estilo e acerta

O topo da linha do 2008 a combustão reúne design europeu, i-Cockpit autoral e pacote tecnológico completo. A avaliação WAYFARER da versão GT 1.0 T200.

   DRIVE · AVALIAÇÃO

O francês que joga pelas próprias regras entre os compactos.

Há marcas que vendem motor, há marcas que vendem espaço, e há a Peugeot, que escolheu vender postura. O 2008 GT 2025/2026 é a tradução mais recente dessa convicção: um SUV compacto que assume um jeito próprio de dirigir, de sentar e de ser visto, e o faz com a segurança de quem sabe exatamente para qual público está falando. A boa notícia, e o que esta avaliação se propõe a mostrar, é que a aposta no estilo se confirma quando o carro encara o trânsito real, a estrada de verdade e o convívio de todos os dias.

A versão GT é o topo da linha a combustão no Brasil, posicionada acima das opções Active e Allure, e chega com o pacote visual e tecnológico mais completo da gama. É também a configuração que melhor traduz a personalidade do modelo, e a que o apresenta em sua melhor forma.

 

Design: a identidade que a Peugeot escolheu defender

O 2008 inaugura no Brasil a linguagem visual mais recente da marca, e isso se nota antes de qualquer outra coisa. A dianteira abandona o desenho difuso das gerações anteriores em favor de três traços verticais que descem do farol, a leitura estilizada das garras do leão, integrados às luzes diurnas em LED. A grade cresceu de forma discreta, com a malha de efeito tridimensional que a Peugeot vem repetindo em toda a linha, e o para-choque inferior ganhou um skid plate dividido que reforça a vocação de SUV sem cair no exagero off-road.

Na traseira, o desenho aposta no equilíbrio. As lanternas em LED repetem o motivo das três garras, unidas por uma faixa preta brilhante com o nome da marca em letras espaçadas, solução que já virou assinatura no segmento. O conjunto é coeso e sofisticado. Na GT, o teto em cor contrastante, as soleiras de alumínio e as rodas de 17 polegadas completam um pacote que se distingue à distância, algo cada vez mais raro numa categoria que tende à uniformidade.

É um carro que comunica intenção. E, num segmento dominado por desenhos pensados para não desagradar ninguém, comunicar intenção já é um diferencial competitivo.

 

Interior: o i-Cockpit, a assinatura que define a marca

Aqui está o coração da experiência. O i-Cockpit 3D coloca o motorista diante de um volante pequeno, de base achatada, posicionado mais abaixo do que o convencional, com o painel de instrumentos digital flutuando acima dele, próximo da linha dos olhos. A ideia é nobre: aproximar a leitura das informações do campo de visão, como um head-up display rudimentar, sem desviar a atenção da estrada.

Na prática, a posição é envolvente e esportiva, e ganha ainda mais sentido depois de alguns dias de convívio, quando o conjunto de volante baixo e painel elevado revela a lógica que o orienta: menos movimento dos olhos, mais informação no campo de visão. É uma escolha de projeto autoral, e basta sentar ao volante para entender por que a Peugeot a transformou em assinatura.

O acabamento dá um salto claro em relação ao que a Peugeot oferecia no Brasil até a geração anterior. Os bancos da GT, revestidos em material sintético com costuras em tom contrastante, parecem poltronas: confortáveis, firmes e com bom apoio nas viagens longas. O console traz as teclas em formato de piano que a marca transformou em marca registrada, e a percepção geral de qualidade é coerente com a faixa de preço. A cabine foi desenhada com foco no motorista, e a sensação de habitáculo envolvente faz parte da proposta, parte do que dá ao 2008 GT o seu caráter de SUV com ponto de vista.

O porta-malas, com 419 litros líquidos, é competitivo e resolve bem o uso de família pequena ou de casal que viaja.

Tecnologia: bem servido, e com personalidade

A central multimídia i-Connect, com tela de cerca de 10 polegadas, traz espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, funciona com fluidez e dispensa o cabo, item que já deveria ser obrigatório nessa faixa e que muitos rivais ainda tratam como cortesia. Há carregador por indução, múltiplas entradas USB, incluindo USB-C, distribuídas entre frente e traseira, e o painel digital totalmente configurável.

A climatização é integrada à própria tela, numa solução que reforça o desenho limpo do painel e a estética minimalista da cabine. A Peugeot mantém atalhos físicos para os comandos mais usados, ligar no máximo ou desligar a ventilação, o que preserva a praticidade no dia a dia. É a leitura contemporânea de um interior que aposta na sobriedade visual sem abrir mão da função, coerente com a ambição premium da versão GT.

Na GT, o pacote de assistências é o mais completo da gama: seis airbags, controle de estabilidade, frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, leitor de placas de velocidade, assistente de partida em rampa e piloto automático com limitador. É um conjunto de segurança ativa e passiva à altura do posicionamento premium da versão de topo, e um dos argumentos mais sólidos da configuração.

Mecânica e dirigibilidade: o equilíbrio como projeto

O conjunto é o mesmo em toda a linha: o motor 1.0 T200 turbo flex, três cilindros, de origem Stellantis, entregando 130 cv com etanol e 125 cv com gasolina, associado ao câmbio automático CVT com simulação de sete marchas. Os números de desempenho, 0 a 100 km/h em 10,1 segundos e máxima próxima dos 194 km/h, são honestos para a categoria.

O ponto interessante, e que separa a leitura editorial da repetição de release, está na calibragem. O motor 1.0 turbo é ágil na cidade, com resposta pronta nas saídas e nas manobras do dia a dia, exatamente o terreno onde um SUV compacto passa a maior parte da vida. No modo Sport, as respostas ganham nervo e as ultrapassagens ficam mais resolvidas, confirmando que há fôlego à disposição quando o motorista pede. O caráter é o de um SUV urbano eficiente e refinado, afinado para o uso real, e essa é precisamente a sua virtude.

No dia a dia, o carro convence. A direção é precisa, o acerto de suspensão dianteira é firme na medida certa sem castigar os ocupantes, e o eixo de torção traseiro cumpre o esperado para o segmento. A altura livre do solo evita raspar em lombadas e valetas, o isolamento acústico em rodovia é bom para a faixa, e o motor mantém entrega linear nas viagens. É um companheiro consistente, e consistência, num compacto premium, conta muito.

Posicionamento: a alternativa de personalidade da categoria

O 2008 GT não disputa pela conta mais óbvia da categoria. Ele fala diretamente com o comprador que quer sair da mesmice de Hyundai Creta, Volkswagen T-Cross, Nissan Kicks e Jeep Renegade, e que valoriza design europeu, cabine diferenciada e um certo prazer de dirigir mais autoral. É um público fiel e em crescimento, que enxerga no carro aquilo que boa parte da categoria deixou de oferecer: ponto de vista.

O preço de mercado divulgado para a GT 2025 gira em torno de R$ 158 mil, variável conforme data e opcionais, o que a coloca lado a lado com o topo de linha das rivais mais estabelecidas. E ali ela se defende com naturalidade: entrega design europeu, cabine autoral e um pacote tecnológico completo por um valor coerente com a proposta. Para quem busca exclusividade dentro da faixa, é um dos poucos da categoria que oferecem caráter genuíno em troca do investimento.

A trajetória do 2008 no Brasil, e por que ela importa

Para entender o GT atual, é preciso olhar para trás. O 2008 estreou mundialmente no Salão de Genebra de 2013, posicionado abaixo do 3008, e chegou ao Brasil em abril de 2015, produzido em Porto Real, no Rio de Janeiro, sobre a plataforma do primeiro 208. Naquele momento, o segmento de SUVs compactos fervia: em poucos meses surgiram Honda HR-V, Jeep Renegade e, logo depois, Hyundai Creta e Nissan Kicks. O francês entrou numa avalanche.

A primeira geração trouxe motores 1.6, o aspirado EC5 e o turbo THP, e foi reconhecida desde cedo pelo visual marcante e pela dirigibilidade elogiada, dois traços que sempre estiveram no DNA do modelo. Ao longo do ciclo, o carro evoluiu de forma consistente: ganhou a transmissão Aisin de seis velocidades em 2017, recebeu opção automática nas versões turbinadas em 2019 e passou por uma reestilização no mesmo período. A produção nacional em Porto Real foi encerrada em novembro de 2023, abrindo caminho para a chegada de uma geração inteiramente nova e muito mais ambiciosa.

Houve um detalhe curioso no meio do caminho: o Brasil conheceu a segunda geração ao contrário do habitual. Primeiro veio o e-2008, a variante 100% elétrica importada da França a partir de 2022, e só depois chegou a versão a combustão. A nova geração nacional, agora produzida em El Palomar, na Argentina, sobre a plataforma modular CMP compartilhada com o 208, foi lançada no Brasil em agosto de 2024, trazendo o motor 1.0 turbo de origem Stellantis e a divisão em três versões flex: Active, Allure e GT.

Esse histórico explica o presente. A Peugeot reposicionou o 2008 com preço competitivo, mecânica moderna e visual em dia, reunindo num só carro tudo o que a geração anterior ainda buscava. O GT de hoje preserva a personalidade que sempre foi o trunfo do modelo, agora apoiada por um conjunto tecnológico e mecânico à altura da melhor concorrência. Saber de onde ele veio ajuda a medir o quanto avançou.

Veredito WAYFARER

O Peugeot 2008 GT 2025/2026 é o melhor 2008 que a marca já vendeu no Brasil, e isso não é elogio pequeno. Ele acertou o motor, modernizou a cabine, equipou com generosidade a versão de topo e manteve intacto o que sempre justificou sua existência: a sensação de dirigir algo que tem ponto de vista.

O que ele faz, faz com convicção. O i-Cockpit entrega uma experiência de condução autoral, o interior aposta numa estética limpa e contemporânea, o pacote de segurança é completo e a dirigibilidade combina precisão e conforto na medida certa do uso real. É um SUV compacto que sabe exatamente o que quer ser, e cumpre o que promete, com a coerência de um projeto pensado de ponta a ponta.

Ele é, sobretudo, o mais interessante da categoria. E para o comprador que entra na concessionária pelo desenho e sai convencido pela postura ao volante, isso vale mais do que qualquer planilha. O 2008 nunca foi um carro de consenso, e é justamente aí que mora a sua força: pela primeira vez em anos, ele reúne todos os argumentos para defender a própria convicção.

Ficha técnica · Peugeot 2008 GT 2025/2026

Motorização e desempenho

Motor1.0 T200 turbo flex, três cilindros em linha
Potência130 cv (etanol) e 125 cv (gasolina) a 5.750 rpm
Torque20,4 kgfm (etanol e gasolina) a 1.750 rpm
TransmissãoAutomática CVT com simulação de sete marchas
TraçãoDianteira
0 a 100 km/h10,1 s
Velocidade máxima194 km/h (etanol) e 191 km/h (gasolina)

Dimensões e capacidades

Comprimento4.309 mm
Largura1.776 mm (1.992 mm com retrovisores)
Altura1.548 mm
Entre-eixos2.612 mm
Porta-malas419 litros líquidos (374 litros VDA)
Tanque de combustível47 litros
Altura mínima do solo22,7 cm entre os eixos
Ângulo de entrada18,2°
Ângulo de saída29,7°

Consumo e rodagem

Consumo urbano (Inmetro)8,6 km/l (etanol) e 12,3 km/l (gasolina)
Consumo rodoviário (Inmetro)9,8 km/l (etanol) e 13,7 km/l (gasolina)
Peso1.300 kg
Pneus215/60 R17
Suspensão dianteiraIndependente McPherson
Suspensão traseiraEixo de torção
FreiosDiscos nas quatro rodas, ventilados na dianteira

Posicionamento de mercado

VersãoTopo de linha do 2008 a combustão, acima de Active e Allure
Preço de referência (GT 2025)Em torno de R$ 158.490, variável conforme data e opcionais
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