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A Marselha íntima que inspira as coleções da marca francesa Sessùn

Marselha resiste a qualquer síntese fácil. Não é apenas o Vieux-Port tomado por turistas, nem as fachadas em tons pastel que ilustram cartões-postais. É uma cidade porosa, construída por camadas de trocas, migrações e contrastes que nunca se resolveram em uma única identidade. Foi nesse terreno instável e rico que nasceu a Sessùn, marca francesa cuja fundadora e diretora criativa, Emma François, transformou a paisagem local em vocabulário estético.

“Marselha ocupa um lugar essencial no meu imaginário criativo”, diz François. “A luz mediterrânea, as paisagens, os materiais naturais e os saberes artesanais locais influenciam desde sempre o nosso olhar. É daqui que vem uma paleta de cores muito particular: os ocres, os brancos pátina, os azuis do mar, os verdes das oliveiras. E também um gosto por matérias com textura e autenticidade.”

Modelo veste peça da coleção Sessùn em ambiente externo
A paleta mediterrânea de Marselha atravessa as coleções da Sessùn.

O que guia François é a liberdade que caracteriza o estilo da cidade. “Marselha é um cruzamento onde muitas histórias se encontram”, explica. “Aqui as pessoas se vestem de acordo com o clima, com a proximidade do mar; ninguém busca se conformar a um padrão. Existe uma elegância instintiva, nunca ostentada. Diferente da parisiense, mais construída e codificada.”

Do centro a Endoume: passado e presente sem fronteiras

Para entender a dimensão cosmopolita da cidade, o ponto de partida é o centro. “Não pode faltar uma parada na Maison Empereur, antiga loja de miudezas e art de la table, templo autêntico da memória artesanal”, recomenda François. Para o almoço, sugere L’Idéal, Le Grand Rouge ou Suffren, antes de se perder entre os antiquários da rue Edmond Rostand.

Fachada do restaurante Chez Paul em Marselha à beira-mar
Chez Paul, entre os barcos de pescadores, é parada obrigatória no roteiro de François.

A vitalidade contemporânea da cidade encontra sua expressão máxima nos bairros de Endoume e Les Catalans, onde a alma histórica do centro (os bares, as peixarias, os sapateiros) convive sem atrito com uma nova geração de restaurantes liderados por chefs jovens, livrarias e galerias. “O que me impressiona é essa coexistência sem fraturas: a Marselha de ontem e a de hoje se encontram com naturalidade”, observa François.

Os equipamentos culturais completam esse retrato. Entre as paradas indispensáveis estão o Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo e o conjunto arquitetônico barroco da Vieille Charité.

Pátio interno da Vieille Charité em Marselha
A Vieille Charité, marco barroco do centro histórico de Marselha.
Fachada do Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo
O MuCEM traduz em arquitetura o diálogo entre Marselha e o Mediterrâneo.

Rumo a Les Goudes, na direção do Mediterrâneo

O roteiro segue até Les Goudes, último posto urbano antes das célebres Calanques. Ali o Mediterrâneo retoma o protagonismo: um banho na pequena praia do vilarejo, um aperitivo no Tuba Club, com vista para as pedras, ou um jantar no Chez Paul, entre as barcas dos pescadores.

“Em Marselha o mar está em todo lugar e dita o ritmo dos dias: nada-se antes do trabalho, almoça-se de frente para a água, despede-se do dia sobre as rochas”, conclui Emma François. “Existe uma arte de viver que convida à simplicidade.” É talvez essa espontaneidade, cultivada ao longo do tempo, que moldou a estética da Sessùn.

Look da coleção outono-inverno 2026 da Sessùn em tons terrosos
Outono-inverno 2026: a paleta ocre e os tecidos naturais traduzem o olhar mediterrâneo da marca.
Modelo em peça de alfaiataria fluida da Sessùn
Texturas ricas e cortes soltos reafirmam o vocabulário artesanal da Sessùn.
Detalhe de tecido e acabamento da coleção Sessùn
Materiais com textura e autenticidade, herança direta da paisagem marselhesa.
Look completo da coleção outono-inverno 2026 da Sessùn
A coleção outono-inverno 2026 fecha o ciclo inspirado na luz e nos tons do Mediterrâneo.
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