Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.
No Rio, a orla é a regra. Santa Teresa é a exceção.
O bairro não tem mar à porta, e é justamente essa ausência que lhe dá o que Copacabana e Ipanema perderam há tempos: silêncio. Subindo as ladeiras de paralelepípedo a partir da Escadaria Selarón, a cidade muda de temperatura. Casarões antigos viram ateliês, bares de esquina, restaurantes pequenos, e o bonde amarelo segue cortando a colina como se o século não tivesse virado. É nesse cenário, boêmio e arborizado, que funciona o Santa Teresa Hotel RJ, da coleção MGallery, do grupo Accor.


Não é por acaso que o endereço construiu fama entre artistas que preferem passar despercebidos. Amy Winehouse, Alicia Keys, Alanis Morissette, James Blunt e Robert Plant estão entre os nomes que escolheram a colina em vez da orla. A lógica é simples: estar perto de tudo, sem estar no meio de tudo.
O bairro: longe e perto ao mesmo tempo
Santa Teresa foi uma das primeiras expansões da cidade para além do Centro, ocupada por famílias abastadas que ergueram casarões de inspiração europeia. O que sobrou desse passado é a escala: ruas estreitas, árvores altas, a sensação de estar no interior a poucos minutos do Centro histórico. Caminha-se. Não há pressa.


A casa: fazenda de café, desenho contemporâneo
O hotel ocupa uma antiga fazenda de café do século XIX, restaurada e reinterpretada. Por muito tempo, antes da reforma, o casarão ficou conhecido como Hotel dos Descasados, apelido herdado dos hóspedes e moradores recém-separados que ali buscavam abrigo. O nome sobreviveu no bar, instalado sob arcos centenários, com piso de ladrilhos vermelhos e brancos e uma carta dedicada a runs brasileiros e caipirinhas.
Os quartos e suítes combinam paredes brancas, venezianas que filtram a luz e madeiras tropicais de reflorestamento, como jacarandá e ipê, ao lado de ardósia local e fibras naturais. Arte e artesanato brasileiros aparecem por toda parte. A piscina fica cercada por jardim tropical, com um lounge voltado para a Baía de Guanabara. Completa o conjunto o Le Spa, com massagens e tratamentos que trabalham óleos naturais e ingredientes locais.





Térèze: a baía como pano de fundo
O restaurante Térèze é o centro gravitacional da casa. A cozinha parte de técnica francesa e trabalha ingredientes brasileiros e latino-americanos, sob o comando dos chefs executivos Jérôme Dardillac e Luanna Malheiros. A vista, aberta para a baía, faz o resto. Funciona do café da manhã ao jantar, o que o torna também um bom motivo para subir a colina sem estar hospedado.



A bandeira MGallery reúne hotéis-boutique com história própria, e aqui a história não é decoração: está nos arcos, no chão, no nome do bar. Para quem entende viagem como a escolha de um bairro antes da escolha de um quarto, o argumento está feito.
Serviço
Santa Teresa Hotel RJ, MGallery
Rua Almirante Alexandrino, 660, Santa Teresa, Rio de Janeiro
Restaurante Térèze, Bar dos Descasados e Le Spa em funcionamento
santateresahotelrio.com
Lá embaixo, a orla segue com seu barulho de sempre. Na colina, o bonde passa, a luz vira âmbar sobre a baía, e o Rio parece, por algumas horas, uma cidade que aprendeu a falar baixo.
Redação WAYFARER
