Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.
A Califórnia dos cartões-postais é conhecida. Los Angeles, San Francisco, San Diego, as praias de sempre. A que interessa ao viajante exigente fica um passo ao lado: vulcões sem fila, neve a duas horas do mar, mesas de três estrelas e retiros onde o tempo corre em outra velocidade.
Esta matéria nasceu de um relatório de tendências de viagem publicado pela rede Virtuoso para 2020. Os anos passaram, e as ideias centrais continuam de pé: menos multidão, mais sentido, mais cuidado com a jornada.
Longe das multidões: o norte vulcânico
No norte do estado, o Parque Nacional Lassen Volcanic é pouco conhecido do viajante brasileiro, e por isso mesmo precioso. Montanhas, fumarolas e piscinas de lama em ebulição desenham uma paisagem quase lunar. O ponto alto é Bumpass Hell, a maior área hidrotermal do parque, alcançada por trilha sinalizada que costuma abrir só nos meses sem neve. Vale confirmar as condições no site do parque antes de ir.


Praia e neve: a mesma viagem
O sul da Califórnia permite uma combinação rara. A cerca de duas horas de Los Angeles, Big Bear Lake fica a mais de 2 mil metros de altitude: no verão, a vida acontece em torno do lago; no inverno, nas pistas de esqui. Dá para acordar em La Jolla ou Santa Monica e, no dia seguinte, descer a montanha na neve.


Viajar pela mesa: San Francisco e o vale do vinho
San Francisco segue como uma das capitais gastronômicas dos Estados Unidos. O Atelier Crenn, de Dominique Crenn, primeira chef mulher do país a conquistar três estrelas Michelin, mantém a distinção máxima com uma cozinha pescetariana que une a Bretanha natal da chef à Califórnia. Do outro lado do espectro, bairros como o Richmond revelam a mesa cotidiana e multicultural da cidade. Ao norte, Napa e Sonoma completam o roteiro com vinícolas, degustações e hospedagens de campo.


Viagens entre amigos: a cidade da diversidade
San Francisco também é referência histórica na luta pela diversidade. A parada do orgulho LGBTQ, em junho, é uma das mais tradicionais do mundo, e o bairro do Castro mantém programação o ano inteiro. Um bom pretexto para viajar em grupo.


Viagens com sentido: parques, pomares e Esalen
Parte do viajante contemporâneo busca experiências que devolvam algo além da foto. Na Califórnia, isso pode ser uma caminhada longa num parque nacional como Yosemite, ou uma tarde numa fazenda de colheita própria, as u-pick farms, onde se colhem morangos, amoras ou maçãs.
Na Highway 1, em Big Sur, fica o Esalen Institute, fundado em 1962 por Michael Murphy e Dick Price sobre as fontes termais de Slates Hot Springs. Berço do movimento do potencial humano, recebeu nomes como Alan Watts e Joseph Campbell e segue oferecendo workshops de meditação, yoga, psicologia e ecologia, além das banheiras de água quente debruçadas sobre o Pacífico.


A jornada como parte da viagem: o terminal privado
Para quem voa comercial mas prefere não atravessar o aeroporto, o PS, antes chamado The Private Suite, opera desde 2017 um terminal privado no LAX. O passageiro passa pelos procedimentos de segurança longe do terminal principal, espera em suítes com cama e banheiro e é levado de carro até a porta do avião. Uma resposta discreta a um dos aeroportos mais movimentados do mundo.


A Califórnia dos cartões-postais continua lá, e continua bonita. Mas a que fica na memória é outra: a fumaça de um vulcão sem ninguém em volta, uma mesa de cinco horas em San Francisco, a água quente de Esalen com o Pacífico escurecendo lá embaixo.
Redação WAYFARER

