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3 roteiros clássicos de viagens de trem na Europa

Londres a Amsterdã, Veneza a Roma, Zurique a Interlaken: três travessias de trem que seguem clássicas porque a paisagem pela janela ainda é o melhor motivo para viajar devagar.

Nota editorial: publicada originalmente em 2017 e atualizada em setembro de 2026.

Há viagens que se medem em escalas. E há viagens que se medem em janelas. A Europa, costurada por trilhos de ponta a ponta, ainda é o lugar onde o trem faz mais sentido do que o avião: estações no centro das cidades, nenhuma fila de embarque, a paisagem passando no ritmo exato para ser lida.

Três roteiros resistem ao tempo. Não são segredos, são clássicos, e é justamente por isso que merecem ser feitos com calma.

Londres, Paris, Bruxelas, Amsterdã: as capitais em sequência

O ponto de partida é St Pancras, em Londres, e o túnel sob o Canal da Mancha faz o resto. O Eurostar chega à Gare du Nord em pouco mais de duas horas, tempo suficiente para trocar a luz cinzenta do Tâmisa pela pedra clara dos bulevares. Em Londres, os grandes museus seguem, em sua maioria, com entrada gratuita. Em Paris, a regra é não tentar ver tudo.

Uma mudança importante para quem conhece o trajeto de viagens antigas: os trens vermelhos da Thalys, que ligavam Paris a Bruxelas e Amsterdã, foram incorporados ao Eurostar e passaram a circular com a marca a partir de 2023. O percurso é o mesmo. De Paris a Bruxelas, cerca de uma hora e vinte. Na capital belga, as ruas estreitas em torno da Grand-Place, o chocolate, a cerveja de abadia. Pouco depois, o mesmo trem entrega Amsterdã, onde os canais pedem um passeio de barco sem pressa e a Casa de Anne Frank pede reserva antecipada e silêncio.

Veneza, Florença, Roma: a Itália em três atos

Começa pela água. Veneza se descobre perdendo o caminho, entre pontes e fachadas que parecem flutuar. A estação Santa Lucia fica à beira do Grande Canal, e dali os trens de alta velocidade chegam a Florença em cerca de duas horas. A capital do Renascimento é um museu que não fecha: os Uffizi, o Duomo de Brunelleschi, a luz virando âmbar sobre o Arno no fim da tarde.

De Florença a Roma, mais uma hora e meia de colinas toscanas e úmbrias pela janela. Vale escolher o assento do lado certo e deixar o telefone no bolso. Roma não se visita, se atravessa em camadas: a antiga, a barroca, a cotidiana.

Para quem prefere transformar o trajeto em destino, a Itália ganhou um novo capítulo: o La Dolce Vita Orient Express, com interiores do estúdio milanês Dimorestudio inspirados no design italiano dos anos 1960 e 1970, parte de Roma Termini em itinerários de uma a três noites pelo país.

Zurique, Lucerna, Interlaken: a Suíça em altitude

Na Suíça, a pontualidade é paisagem. Zurique pede o centro histórico, a orla e um barco pelo lago. Lucerna fica a menos de uma hora de trem, com sua ponte de madeira coberta, as fachadas medievais e os Alpes ao fundo, sempre presentes.

O trecho seguinte é o mais bonito dos três roteiros. O trem panorâmico Luzern-Interlaken Express leva cerca de uma hora e cinquenta minutos para vencer 74 quilômetros, passando por cinco lagos e subindo o Passo de Brünig com auxílio de cremalheira. Não há motivo para ter pressa.

Interlaken, entre dois lagos, é o ponto de partida para o Jungfraujoch, apelidado de Top of Europe: a estação ferroviária mais alta do continente, a 3.454 metros, com geleira, neve o ano inteiro e um silêncio que só a altitude sabe produzir.

No fim, o que fica não é a lista de cidades. É a janela. O Tâmisa virando Sena, os canais de Veneza virando colinas toscanas, os lagos suíços virando gelo. Para quem entende viagem como algo que acontece também entre um destino e outro, o trem continua sendo a forma mais elegante de chegar.

Redação WAYFARER

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