Dark Mode Light Mode

Chicago no inverno: a fuga perfeita do verão brasileiro

Entre dezembro e março, enquanto o Brasil ferve, Chicago oferece patinação no Millennium Park, o lago congelado, museus de primeira ordem e uma mesa que vai do deep dish às três estrelas.

Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.

Enquanto o Brasil ferve, Chicago congela. Para quem cansou do calor, é um argumento.

Entre dezembro e março, auge do verão brasileiro, a cidade à beira do Lago Michigan vive seu inverno mais rigoroso: neve nas avenidas, o lago parcialmente coberto de gelo, temperaturas frequentemente abaixo de zero. Para o viajante que troca de bom grado a umidade tropical por um casaco pesado, Chicago oferece uma temporada inteira de programas que só fazem sentido no frio, sem abrir mão dos museus, da arquitetura e de uma das cenas gastronômicas mais sérias dos Estados Unidos.

Gelo: a cidade sobre patins

No Millennium Park, a pista de patinação diante da Michigan Avenue é gratuita, e o aluguel de patins é à parte. A poucos passos, o Maggie Daley Park tem o Skating Ribbon, uma fita de gelo sinuosa que serpenteia entre árvores e relevos, com o dobro da extensão de uma pista tradicional. As duas costumam funcionar de meados de novembro ao início de março, conforme o clima.

Skating Ribbon no Maggie Daley Park

O Feijão sob a neve

A escultura Cloud Gate, de Anish Kapoor, apelidada de “the Bean”, o Feijão, é a imagem mais fotografada da cidade. No inverno, a superfície espelhada reflete um horizonte branco e um céu baixo, e a praça fica mais silenciosa. É a melhor estação para vê-la sem multidão.

Cloud Gate coberto de neve, Millennium Park

O lago como paisagem

A Lakefront Trail, que acompanha a orla do Lago Michigan, oferece nos dias mais frios uma vista rara: blocos de gelo empilhados na margem e o skyline ao fundo. Perto do Soldier Field, a Northerly Island, península artificial com trilhas naturais, recebe observadores de aves de inverno. Para se aquecer, a Magnificent Mile concentra as compras, e o Museum Campus reúne o Adler Planetarium, o Shedd Aquarium e o Field Museum.

Museus: o abrigo mais nobre

O frio é o pretexto ideal para passar uma tarde inteira no Art Institute of Chicago, com uma das coleções impressionistas mais importantes fora de Paris, ou no Museum of Science and Industry. E o Lincoln Park Zoo, gratuito e aberto todos os dias do ano, mostra no inverno ursos-polares, pinguins e macacos-das-neves em seu elemento.

À mesa: do deep dish às três estrelas

Chicago tem seus clássicos populares, a pizza deep dish, o cachorro-quente à moda da cidade, o sanduíche de carne italiana, a pipoca Garrett. E tem também uma alta gastronomia de peso: na edição de 2025 do Guia Michelin, o Smyth se tornou o único três estrelas da cidade, depois que o célebre Alinea passou a ter duas. Nas noites mais frias, rooftops com lareiras, estufas individuais e iglus privativos transformam o inverno em cenário, e um chocolate quente em qualquer café do West Loop ou de Pilsen resolve o resto.

Uma nota prática: as exigências sanitárias de entrada nos Estados Unidos do período da pandemia não estão mais em vigor. Brasileiros precisam de visto americano válido.

No Brasil, fevereiro é suor e maresia. Em Chicago, é o rangido dos patins no gelo, o vapor saindo das xícaras e o lago branco até onde a vista alcança. Às vezes, fugir do verão é a forma mais inteligente de aproveitá-lo.

Redação WAYFARER

Previous Post

Viceroy Chicago: um hotel de design na Gold Coast

Next Post

Negroni, o clássico mais vendido nos melhores bares do mundo