Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.
O bem mais raro de um superiate talvez não esteja no convés. Está duzentos metros abaixo dele.
A holandesa U-Boat Worx, especializada em submersíveis privados e comerciais, apresentou em 2022 a série Nexus, sua linha principal para levar passageiros ao fundo do mar com conforto de salão. São submarinos pensados para operar a partir de iates ou de bases em terra, com certificação para mergulhar a até 200 metros, a profundidade em que a luz do sol já é memória e o azul vira quase preto.
Modelos: sete ou oito a bordo
A linha tem hoje duas versões. O Nexus 7 leva seis passageiros e o piloto. O Nexus 8, maior, acomoda sete passageiros e o piloto, ou nove ocupantes quando duas das vagas são de crianças. Ambos usam bateria de íon-lítio de 62 kWh, com autonomia de até 18 horas, o suficiente para uma sequência de mergulhos ao longo do dia. Oito propulsores vetoriais permitem movimentos em qualquer direção, inclusive laterais, e a velocidade chega a cerca de 3 nós, número modesto na superfície e generoso lá embaixo.


A bordo: a cúpula como janela
O que distingue o Nexus é o casco de pressão em acrílico, elíptico e totalmente transparente, que garante vista de 360 graus a todos os ocupantes. A fabricante fala em 900 a 914 litros de espaço interno por adulto, ar-condicionado com ajuste individual, som por Bluetooth e um compartimento refrigerado para bebidas. Os assentos giram, de modo que ninguém precisa escolher entre o cardume à esquerda e o recife à direita. A escotilha de entrada tem o maior diâmetro do segmento e pode ser combinada com um elevador opcional, detalhe que muda tudo para quem embarca a partir de uma plataforma de popa.
Há ainda o controle tipo joystick, que permite aos passageiros conduzir o submarino sob supervisão do piloto, e um sistema que impede o veículo de ultrapassar a profundidade máxima. Os tanques de lastro ficam no topo, fora do campo de visão.
Para quem: o brinquedo que virou expedição
Submersíveis particulares deixaram de ser excentricidade. Estaleiros de superiates e operadores de expedição passaram a projetar hangares e guindastes para recebê-los, e a concorrência, como a americana Triton, também aposta em cúpulas cada vez maiores. A U-Boat Worx não divulga preços: a proposta é feita caso a caso, conforme configuração e operação.
Na superfície, o iate continua sendo o cenário. Mas é lá embaixo, no silêncio azul de duzentos metros, que a viagem acontece de verdade.
Redação WAYFARER


