Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026. Este texto é informativo e não substitui a avaliação de um cirurgião plástico.
Toda cirurgia plástica começa bem antes da sala de operação. E termina bem depois dela.
O Brasil está entre os países que mais realizam procedimentos estéticos no mundo, e a naturalidade com que o assunto circula pode dar a impressão de que operar é quase tão simples quanto marcar um tratamento de pele. Não é. Trombose, sangramento, infecção e problemas de cicatrização são riscos reais de qualquer cirurgia, e a maior parte deles se controla com três coisas: escolher bem o médico, fazer uma avaliação pré-operatória honesta e respeitar o pós-operatório.

Escolha: o especialista vem antes do procedimento
Ter CRM ativo significa ser médico, não ser cirurgião plástico. A especialidade é comprovada pelo RQE, o Registro de Qualificação de Especialista, e os dois podem ser consultados no portal do Conselho Federal de Medicina, na busca de médicos. A filiação à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) não é obrigatória, mas indica formação reconhecida pela entidade, e o site da SBCP tem sua própria ferramenta de busca. Vale também perguntar onde a cirurgia será feita: hospital ou clínica com estrutura para intercorrências.
Pré-operatório: a parte mais importante
É na primeira consulta que paciente e cirurgião alinham expectativa e técnica. É também ali que se conta tudo: doenças, remédios, suplementos, hábitos. Omitir informação por vergonha ou pressa é uma das formas mais eficientes de transformar uma cirurgia eletiva em complicação. A partir desse relato vêm os exames e, quando necessário, a avaliação de outros especialistas. Só com o quadro clínico favorável a data deve ser marcada.
Cigarro: parar com antecedência
O tabaco contrai os vasos e prejudica a circulação da pele, o que aumenta o risco de necrose, de problemas de cicatrização e de complicações cardiovasculares e respiratórias. A Organização Mundial da Saúde recomenda parar de fumar pelo menos quatro semanas antes de uma cirurgia, e cada semana adicional sem cigarro melhora o prognóstico. Parar só depois da operação é tarde.

Trombose: anticoncepcional e outros fatores
Anticoncepcionais hormonais, obesidade, cirurgias longas e imobilidade aumentam o risco de trombose venosa profunda. Se e quando suspender a pílula é decisão individual, tomada com o cirurgião e, se preciso, com o ginecologista, a partir de uma avaliação de risco. Nunca por conta própria.
Pós-operatório: disciplina é resultado
Cada cirurgia tem suas próprias orientações, e elas existem para ser seguidas à risca: repouso, hidratação, proteção solar sobre hematomas e cicatrizes, uso de cintas quando indicado, retornos regulares. Sinais como vermelhidão crescente, febre, secreção ou dor desproporcional pedem contato imediato com o médico. Receita caseira e conselho de amigo não entram nessa conta.
O retorno a exercícios físicos e à vida sexual também depende do procedimento. Esforço aumenta a pressão arterial e a circulação, o que pode provocar sangramento na área operada. Os prazos variam de dias a semanas, e quem define é o cirurgião, caso a caso.
Silicone e amamentação: o que dizem os estudos
A ideia de que a prótese de mama não interfere na amamentação ficou mais nuançada. Revisões e meta-análises recentes indicam que mulheres com implantes amamentam, na maioria, mas com chance um pouco menor de sucesso do que mulheres sem implantes, e o impacto tende a ser maior quando a cirurgia envolve incisão na aréola ou reposicionamento de tecido, como na mastopexia. Quem planeja ter filhos deve levar a questão para a consulta.
Calendário: a melhor época é a do repouso
Não existe estação ideal por si só. A melhor época para operar é aquela em que é possível parar de verdade, sem viagem marcada, sem compromisso inadiável, sem pressa de exibir o resultado. O corpo precisa de tempo para cicatrizar, e o resultado final costuma levar meses para aparecer.
A cirurgia dura algumas horas. A preparação e a recuperação, semanas. Quem entende essa proporção antes de entrar no centro cirúrgico já fez a parte mais importante do procedimento.
Redação WAYFARER
