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Chanel in Vogue documenta a história da maison na revista Vogue

O lançamento de um novo livro celebra uma das relações mais duradouras e influentes da história da moda. Publicado pela editora Thames & Hudson, Chanel in Vogue revisita mais de um século de encontros entre a maison francesa e as páginas da revista Vogue, revelando como a trajetória da marca e o olhar editorial da publicação se entrelaçaram desde o início do século XX.

A história começa em 1913, quando Gabrielle “Coco” Chanel foi mencionada pela primeira vez na revista. Naquele momento, ela ainda era conhecida sobretudo por seus chapéus e por uma abordagem inovadora para o vestuário feminino. Ao longo das décadas seguintes, repórteres, fotógrafos e editores acompanharam a expansão de sua marca, que evoluiu de um pequeno ateliê para uma das casas de alta-costura mais influentes do mundo.

O projeto editorial é dividido em dois volumes. Um deles é dedicado à presença de Gabrielle Chanel nas páginas da revista, enquanto o outro analisa como a marca Chanel foi retratada ao longo dos anos. Juntos, os livros funcionam como um arquivo visual e narrativo que revela a forma como a imprensa de moda ajudou a consolidar o prestígio da maison em uma época anterior às redes sociais e à comunicação digital.

Grande parte da publicação também se dedica ao período em que Karl Lagerfeld assumiu a direção criativa da Chanel, em 1983. O estilista, responsável por reinventar o legado da marca para novas gerações, aparece amplamente citado nas páginas do livro. Sua visão estética e seu papel na reconstrução contemporânea da Chanel ocupam boa parte do conteúdo, refletindo a influência que exerceu até sua morte, em 2019.

Ao longo das décadas, a cobertura da Vogue demonstrou uma admiração consistente pela criadora francesa. Em 1925, a revista descreveu Chanel como uma mulher de “gosto perfeito”. Nos anos 1930, suas criações foram associadas a encantamento, feminilidade e glamour. Décadas depois, a editora Diana Vreeland escreveria em suas memórias que ninguém poderia ser comparado a Chanel, sintetizando o status quase mítico da estilista na cultura da moda.

O livro também reúne imagens emblemáticas da história editorial da revista. Entre elas estão capas e fotografias com modelos como Linda Evangelista, Inès de la Fressange e Claudia Schiffer, musas frequentes de Lagerfeld nas décadas de 1980 e 1990. Fotografias assinadas por nomes fundamentais da fotografia de moda, como Horst P. Horst e Helmut Newton, ajudam a construir um retrato visual do período.

Além da dimensão estética, a publicação também percorre momentos decisivos da vida de Gabrielle Chanel. O livro retrata sua rotina sofisticada no Ritz Paris e a influência de seu círculo social na cena cultural europeia. Ao abordar o período da Segunda Guerra Mundial, no entanto, o relato concentra-se principalmente no fechamento de sua boutique e na suspensão da produção da marca, sem aprofundar controvérsias históricas relacionadas à estilista.

Mais do que um simples registro cronológico, Chanel in Vogue oferece um retrato da era analógica da moda, quando imagens sem retoques digitais e editoriais cuidadosamente construídos definiam a narrativa visual das grandes maisons. O livro mostra como fotógrafos, modelos e diretores de arte contribuíram para construir o imaginário em torno da marca, muitas vezes tendo Paris como cenário recorrente.

Escrita pela pesquisadora Rebecca C. Tuite e pela curadora Susanna Brown, a obra reúne documentos, fotografias e textos que atravessam mais de cem anos de história editorial. Para admiradores da Chanel e para interessados na evolução da imprensa de moda, trata-se de um panorama que evidencia como a relação entre marca e mídia ajudou a moldar um dos legados mais duradouros do universo fashion.

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