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Maldito Paris estreia no Brasil com um rosto que ninguém escolheu

Francisco Terra apresentou a maison no Cine Copan e trouxe, como primeiro objeto, um boneco sem expressão. Foram 208 unidades.
Maldito Toy, colecionável da Maldito Paris criado com o DUIU Maldito Toy, colecionável da Maldito Paris criado com o DUIU
Cine Copan, São Paulo, 25 de julho

WAYFARER · Estilo

Francisco Terra apresentou a maison no Cine Copan e trouxe, como primeiro objeto, um boneco sem expressão. Foram 208 unidades.

Francisco Terra construiu uma maison em Paris para poder voltar ao Brasil nos próprios termos.

No sábado, 25 de julho, a Maldito Paris fez seu primeiro desfile no país, no Cine Copan, em São Paulo. O endereço não foi acaso. Poucos edifícios brasileiros carregam tanta ambiguidade quanto a curva de Niemeyer sobre a Ipiranga, e foi num cinema encravado na base dela que a marca escolheu se apresentar.

A estreia veio acompanhada de um objeto, não de uma coleção. O Maldito Toy foi o primeiro colecionável da maison, desenvolvido com o DUIU, plataforma social de origem sueca recém-chegada ao mercado brasileiro, e produzido pela Toys Don’t Cry, estúdio brasileiro especializado em designer toys.

O personagem não tem expressão facial. A decisão é o texto inteiro da peça.

Quem decidiu quem você deveria ser?

Francisco Terra

Terra explicou a escolha sem rodeio: achou injusto definir um sentimento por alguém, porque definiram por ele durante tempo demais. O boneco chega vazio para que quem o encontra o preencha. É uma ideia simples e, exatamente por isso, difícil de executar sem escorregar no discurso.

A execução salvou. A primeira edição saiu em blind box, quatro modelos, 208 unidades. A versão mais rara traz a identidade do DUIU aplicada à cabeça do personagem, o que insere a plataforma dentro do objeto em vez de ao redor dele. Jöa Azevedo, que representa a maison no Brasil e fundou o Yume Craft Studio, levou quase dois anos desenhando o projeto.

Todo produto deveria nascer de uma comunidade, e não o contrário

Jöa Azevedo

A plateia disse o que a marca pretende ser. Paulo Borges e Arlindo Grund respondem pela leitura institucional da moda brasileira. Erika Hilton, Urias e Jup do Bairro carregam a pauta identitária que o boneco encena. Sabrina Sato, Sasha Meneghel, Juliano Floss e as irmãs Okereke entregam alcance. Reunir os três grupos na mesma sessão não foi acaso de assessoria: foi uma definição de público. A exposição e a pop-up store ficaram abertas ao público no Cine Copan até 31 de julho.

Duzentas e oito unidades foi um número honesto. Não foi lançamento de massa nem performance de raridade inventada. Foi o tamanho exato de uma primeira tiragem feita à mão, num estúdio, para um público que já existia antes do produto.


O boneco se recusa a dizer o que sentir. Em 2026, isso já é uma posição.

Gabriel Silveirado, para a WAYFARER.

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