Nota editorial: publicada originalmente em 2023 e atualizada em setembro de 2026.
Na LVMH, a sucessão não é um evento. É um processo lento, conduzido à vista de todos, com cinco nomes no tabuleiro.
Bernard Arnault construiu o maior grupo de moda e bens de alto padrão do mundo e, ao longo das últimas duas décadas, distribuiu os cinco filhos por algumas de suas casas mais estratégicas. Em 2025, os acionistas aprovaram a elevação do limite de idade para o cargo de CEO, o que permite a ele seguir no comando até os 85 anos. Enquanto isso, a próxima geração acumula experiência, assentos no conselho e, inevitavelmente, especulação. Em 2026, o próprio Arnault respondeu publicamente a reportagens sobre disputas entre os herdeiros, dizendo que os filhos dirigem maisons, montam equipes e conversam aos domingos, sem o drama que a imprensa lhes atribui.
Delphine Arnault: a Dior

Primogênita do primeiro casamento de Bernard, com Anne Dewavrin, Delphine estudou na London School of Economics e na EDHEC e começou na McKinsey antes de entrar no grupo, em 2000. Passou pela Dior e foi vice-presidente executiva da Louis Vuitton até assumir, em fevereiro de 2023, a presidência e a direção executiva da Christian Dior Couture. Integra o conselho e o comitê executivo da LVMH.
Antoine Arnault: imagem e holding

Também filho do primeiro casamento, Antoine dirigiu a Berluti e presidiu a Loro Piana. Hoje responde por comunicação, imagem e meio ambiente da LVMH e comanda a Christian Dior SE, holding por meio da qual a família controla o grupo. É casado com a modelo Natalia Vodianova.
Alexandre Arnault: o vinho e os destilados

O mais velho do segundo casamento, com a pianista Hélène Mercier, Alexandre dirigiu a Rimowa e, depois da aquisição da Tiffany & Co., foi vice-presidente executivo da joalheria. Em fevereiro de 2025, tornou-se vice-CEO da Moët Hennessy, a divisão de vinhos e destilados, num momento delicado para o setor.
Frédéric Arnault: da relojoaria à Loro Piana

Formado pela École Polytechnique, com passagem pelo Facebook antes de entrar no grupo, Frédéric assumiu a TAG Heuer aos 25 anos e, em 2024, passou a comandar toda a divisão de relógios da LVMH. Em 2025, foi nomeado CEO da Loro Piana. É também diretor-geral da Financière Agache, holding da família, e integra o conselho do grupo.
Jean Arnault: os relógios da Louis Vuitton

O caçula, com formação em engenharia mecânica pelo Imperial College London e em matemática financeira pelo MIT, entrou na Louis Vuitton em 2021 e hoje dirige a relojoaria da maison, área em que a marca tem investido para disputar espaço com as manufaturas suíças tradicionais.
Cinco filhos, cinco frentes, um único tabuleiro. Na LVMH, a sucessão continua sendo escrita como se escrevem as grandes casas: devagar, com método e sem pressa de anunciar o fim.
Redação WAYFARER

