Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.
Dormir sob lona nunca foi sinônimo de desconforto. Os safáris africanos do início do século 20 já provavam o contrário. O glamping, contração de glamour e camping, apenas deu nome a uma ideia antiga: estar dentro da natureza sem abrir mão de uma boa cama.

A ideia: menos parede, mais paisagem
A proposta é simples. Em vez de quartos convencionais, tendas, cabanas ou pavilhões leves, instalados em lugares de natureza quase intocada. Ninguém monta barraca, carrega mochila ou dorme no chão. Há camas de verdade, banheiros completos, às vezes climatização, banheiras ao ar livre e serviço de hotel. A diferença está no que separa o hóspede da paisagem: uma lona, e não uma parede de concreto.
O formato atrai quem vive a rotina das grandes cidades e busca, por alguns dias, silêncio, céu aberto e o ritmo da luz natural. Serve a casais em viagem a dois e a quem viaja sozinho em busca de introspecção. E cumpre uma regra básica: aproveitar o que está em volta, com passeios pela região e cozinha feita de ingredientes locais.

Três endereços que definem o gênero
Clayoquot Wilderness Lodge, Canadá. Na costa oeste da Ilha de Vancouver, dentro de uma reserva da biosfera reconhecida pela Unesco, são 25 tendas de safári à beira do Clayoquot Sound, cercadas por floresta temperada antiga. O acesso é por hidroavião ou barco, e a casa abre só na temporada de verão, de maio a setembro.
Longitude 131°, Austrália. No deserto vermelho do centro australiano, 16 pavilhões tendados olham para Uluru através de paredes de vidro. O Dune Pavilion, com piscina privativa, é apresentado como a única acomodação do país em que Uluru e Kata Tjuta dividem o mesmo horizonte.
Shinta Mani Wild, Camboja. Na floresta das Montanhas Cardamomo, 15 tendas desenhadas uma a uma por Bill Bensley se debruçam sobre o rio Tmor Rung, numa área de 350 hectares. O modelo inclui refeições, atividades e traslados, e a proposta está amarrada à conservação da floresta.

Antes de reservar: o que observar
O termo glamping ficou elástico, e hoje cobre desde tendas simples com colchão até acampamentos de alto padrão. Vale confirmar se o banheiro é privativo e dentro da tenda, se há controle de temperatura, como é feito o acesso e o que está incluído na diária. Em destinos remotos, a temporada importa: muitos acampamentos funcionam só em parte do ano. E, sobretudo, vale perguntar como a hospedagem lida com o entorno, porque um bom glamping deixa pouca marca no lugar que o acolhe.

No fim, o glamping devolve ao viajante algo que o hotel convencional esconde: o som da chuva na lona, o frio da madrugada, o céu inteiro acima da cama. Conforto, sim, mas com a natureza ainda do lado de dentro.
Redação WAYFARER

