

O trabalho não foi assim tão simples, foi preciso muito trabalho, muitos projetos e estudos de viabilidade, e certamente muito lobby, mas a velha linha férrea elevada por onde tinham passado desde 1934 tantos vagões carregados de mercadorias ficou mesmo de pé, mantendo aquelas plataformas à superfície que fazem parte da paisagem da cidade.Muitos pensaram que iam fazer do novo espaço um jardim monumental, cheio de espécies exóticas, mas não. Tiveram o bom gosto de utilizar as plantas que lá haviam espontaneamente crescido, agora mais organizadas e tratadas. As espécies, sobretudo nativas, foram escolhidas por sua resistência, sustentabilidade e variação de texturas e cores. A ideia de usar espécies nativas mostra a que ponto este passeio público foi pensado ao detalhe e como seu planejamento que têm tanto que ver com o século que vivemos. Sustentabilidade é a palavra-chave neste projeto, em tempo de alterações climáticas e crises a vários níveis.Visitando a Highline
Iniciamos o percurso subindo uma rampa que permite a passagem de cadeiras de rodas (noutros locais haverá elevadores para esse efeito), no ponto geralmente considerado o término, na Rua W 34, entre as avenidas 10ª e a 12ª. Temos a intenção de ir até à outra ponta e visitar o Whitney Museum, mas isso fica para depois. Dirigimo-nos ao rio, para andarmos um pouco ao longo da margem – e da 12ª Avenida – no frio seco da manhã de inverno.E aí deparamos com uma quantidade exuberante de vagões de trem, linhas e linhas paralelas que constituem o depósito ferroviário, ao fundo da Penn Station. É uma visão gigantesca e fantástica, e o som dos trens sobrepõe-se ao caos sonoro habitual da cidade. A baixa temperatura não impede que circulem por ali os cuidadores do jardim, devidamente identificados com coletes.Viramos as costas ao rio e vamos em direção à 10ª Avenida, por cima da Rua W 30, e passamos por pontos de acesso com escadas – como encontraremos em todo o percurso – sobreviventes com décadas de uso. Aqui, a vegetação é apenas a que nasce espontaneamente, numa rudeza que parece convidar-nos a olhar para o rio Hudson e a cidade de New Jersey. Estamos a caminhar por cima da 10ª Avenida, num longo percurso que nos mostra este lado da cidade, onde novos edifícios substituem os que presumimos que foram desaparecendo. A estrutura das antigas estradas de ferro estão a vista, porém foram trabalhadas de forma acessível para os mais novos. E há mesmo algumas crianças, embrulhadas em casacos e gorros, brincando por ali, em pequenas aventuras de saltos e altos e baixos, perigos imaginários porque tudo está devidamente protegido.
Continuamos a andar mas temos uma área de descanso com bancos de madeira, como se estivéssemos numa estação de trem antiga, e aqui as plantas são mais exuberantes. Nada que ultrapasse as magnólias que nos esperam um pouco mais à frente, numa passagem entre vários edifícios de maior envergadura. Por contraste, passamos depois para a zona nobre Chelsea, cheia de árvores e arbustos, e também aí imaginamos como em meses mais quentes as flores e os cheiros serão convidativos.Deixamos a floresta e mais à frente temos uma paisagem que se abre sobre o rio novamente e nos mostra a Estátua da Liberdade ao fundo. É sempre bom vê-la, já se sabe, mas deparar com esta visão inesperadamente e enquanto passeamos sem pressa, com toda a carga de história e de atualidade que nos vem à cabeça, é ainda melhor. 
Estamos numa zona que foi realmente industrial e isso sente-se nos edifícios de tijolo vermelho. Um pouco à frente, na Chelsea Market Passage, encontramos uma esplanada onde paramos para um café que nos aquece um pouco. Dá para perceber que há aqui atividades culturais. Falta-nos caminhar ainda para chegar ao fim e procurar o Whitney Museum, mas há agora chaises longues de madeira que correm engenhosamente sobre rodas e nos obrigam a uma pausa. E chegamos à zona coberta, sobre a Rua W 14, onde vemos artistas expondo pinturas e fotografias e aproveitamos para comprar boas recordações. Resta-nos ir até à plataforma final que foi cortada abruptamente, estendida no ar para mostrar como todo este passeio podia não existir se o desmantelamento da High Line tivesse sido concretizado. Está na hora de descer para o museu, num edifício desenhado por Renzo Piano, repleto de arte dos séculos XX e XXI e começar outra jornada.Guia Nova York
Moeda: dólares. O real esta muito desvalorizado em comparação ao dólar. Um real equivale 4,3 vezes um dólar. Fuso horário: GMT – 5 horas. Idioma: inglês Documentos: passaporte com validade mínima de seis meses e visto americano válidoComo ir A Delta voa diretamente de São Paulo para Nova Iorque a partir de 899 dólares.Onde ficar CROSBY STREET HOTEL Situado numa rua tranquila no coração do vibrante Soho, um dos bairros mais badalados e menos turístico do que muitos outros, este cinco estrelas de design contemporâneo é um verdadeiro luxo. Tem 86 quartos disponíveis, um pátio interior e um restaurante no terraço, e fica a poucos minutos a pé do metro.79 CROSBY STREET, NOVA IORQUETEL: +1 212 226 6400 QUARTO DUPLO A PARTIR DE 600$ FIRMDALEHOTELS.COMCOMER GRAMERCY TAVERN O Gramercy Tavern, um clássico que continua a brilhar em Nova Iorque, é um restaurante requintado com duas áreas distintas – a taverna, onde é servido um menu mais simples, à la carte, durante o almoço; e a sala de jantar principal, onde há um menu de degustação para experimentar à noite. Aberto todos os dias, das 11h30 às 23h30.42 E 20TH STREET, NOVA YORK TEL: +1 212 477 0777 GRAMERCYTAVERN.COMJONGRO BBQ O restaurante sul-coreano Jongro BBQ, tal como o nome indica, é especializado em carnes grelhadas (barbecue). A decoração é uma homenagem à antiga Seoul, capital da Coreia do Sul, com uma estrutura de madeira,pilares de tijolos brancos e cartazes de filmes coreanos nas paredes. A comida é boa, as doses são generosas e é bem mais barato do que os restaurantes em Koreatown. Aberto todos os dias: de domingo a quinta-feira, das 11h30 às 2h; sexta-feira e sábado, das 11h30 às 4h.22 W. 32ND STREET, NOVA IORQUE TEL.: +1 212 473 2233 JONGROBBQNY.COMContinue explorando: descubra a época mais acessível para visitar Nova York e conheça o icônico The Carlyle.

