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Redescobrindo o High Line, o parque mais interessante de Nova York

Uma ferrovia elevada que a cidade quase demoliu virou o passeio público que redefiniu o parque urbano. A história, o percurso e o que mudou no entorno.

Nota editorial: publicada originalmente em 2020 e atualizada em setembro de 2026.

Quase tudo sobre Nova York já foi dito, filmado ou fotografado. O High Line é uma das raras exceções que continuam rendendo. Uma ferrovia elevada que a cidade quase demoliu virou, em pouco mais de uma década, o passeio público que redefiniu o que um parque urbano pode ser.

A origem: trilhos, perus congelados e uma associação de bairro

O viaduto nasceu no início dos anos 1930, parte do plano que tirou os trens de carga do nível da rua no West Side de Manhattan. O primeiro trem passou em 1933, a estrutura foi inaugurada oficialmente em 1934, e o último, em 1980, levava uma carga de perus congelados. Depois vieram duas décadas de abandono, com lixo e mato crescendo entre os dormentes.

Em 1999, dois moradores do bairro, Joshua David e Robert Hammond, fundaram a associação Friends of the High Line para impedir a demolição. Levou anos de estudos, projetos e articulação política. O desenho final coube ao escritório de paisagismo James Corner Field Operations e aos arquitetos Diller Scofidio + Renfro, com o plantio assinado pelo holandês Piet Oudolf, nascido em Haarlem, a cidade que emprestou o nome ao bairro do Harlem.

Plantas de inverno no High Line, Nova York
O High Line
Caminho do High Line

O jardim: o mato que já estava lá

A decisão mais inteligente do projeto foi não inventar um jardim exótico. Oudolf partiu da vegetação que havia brotado sozinha sobre os trilhos e a reorganizou em cerca de 400 espécies, a maioria nativa, escolhidas pela resistência e pela variação de textura e cor ao longo do ano. No inverno, as hastes secas ficam de pé em vez de serem cortadas. É um parque que aceita as estações, e talvez por isso seja tão fotografado em fevereiro quanto em junho.

O percurso: de 34th Street ao Whitney

São cerca de 2,3 quilômetros, abertos em etapas: o primeiro trecho em 2009, o segundo em 2011, o último até a 34th Street em 2014. Começar pelo norte tem suas vantagens. A ponta junto ao rio mostra o pátio ferroviário que alimenta a Penn Station, linhas paralelas de vagões e o barulho dos trens se sobrepondo ao resto da cidade. Ali a vegetação é a mais rude do parque, e a vista se abre para o Hudson e Nova Jersey.

Descendo pela 10ª Avenida, o trilho elevado atravessa um bairro em reconstrução permanente, com torres novas ocupando o lugar de galpões. Os trilhos originais continuam à vista, incorporados a bancos, espreguiçadeiras de madeira que correm sobre rodas e áreas onde as crianças brincam de equilibrismo. Em Chelsea, o parque vira quase bosque, com árvores e arbustos mais densos, antes de chegar aos prédios de tijolo vermelho do antigo distrito industrial.

Trecho do High Line
Cores de outono perto do The Standard, no High Line

Na altura da Chelsea Market Passage há onde parar para um café. Mais adiante, o trecho coberto sobre a 14th Street costuma receber artistas e instalações. O fim é na Gansevoort Street, ao lado do Whitney Museum of American Art, no prédio de Renzo Piano, dedicado à arte americana dos séculos XX e XXI. Um fecho natural para o passeio, e o começo de outro.

Vista do High Line
Whitney Museum of American Art

O entorno: o que mudou desde 2020

O parque cresceu para os lados. Em 2019 abriu o Spur, braço sobre a 30th Street com a 10ª Avenida, com um pedestal dedicado a esculturas contemporâneas. Em 2023, uma passarela de madeira e aço, o Moynihan Connector, passou a ligar o High Line ao complexo Manhattan West, vizinho da Moynihan Train Hall, costurando o parque à malha de Hudson Yards. E, a poucos quarteirões da ponta sul, a Little Island, parque sobre pilares no rio Hudson aberto em 2021, virou extensão quase obrigatória do passeio.

Guia: onde ficar e onde comer

Crosby Street Hotel. Hotel da britânica Firmdale numa rua tranquila do SoHo, com 86 quartos, pátio interno e decoração de Kit Kemp. 79 Crosby Street, Nova York. firmdalehotels.com

Gramercy Tavern. Clássico de Danny Meyer com duas salas: a Tavern, de cardápio à la carte, e o Dining Room, com menu degustação. 42 East 20th Street, Nova York. gramercytavern.com

Jongro BBQ. Churrasco coreano em Koreatown, com decoração que evoca a Seul antiga e funcionamento até tarde. 22 West 32nd Street, 2º andar, Nova York.

Continue explorando: descubra a época mais acessível para visitar Nova York e conheça o icônico The Carlyle.

Quase tudo sobre Nova York já foi dito. Mas há poucos lugares na cidade em que se caminha acima do trânsito, entre capim e trilhos, sem pressa nenhuma. Ferro, mato, silêncio: o High Line segue sendo a prova de que preservar também é uma forma de inventar.

Redação WAYFARER

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