DRIVE · AUTO
São Paulo · 13 de agosto de 2026
Antes de Interlagos, a Audi manda ao Brasil o carro, a história da equipe e o nome do piloto que respondeu por todos os seus pontos na temporada.
Há marcas que estreiam. E há marcas que constroem uma estreia.
O showcar da Audi Revolut F1 Team desembarcou no Brasil em 6 de agosto, vindo do Reino Unido, e começa agora uma volta pelo país que só termina em Interlagos. É uma réplica em escala real do monoposto da equipe, com as proporções, os materiais e a identidade visual do carro que Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg levam ao grid neste ano. Serve para o que quase nada mais serve: colocar o público a um metro de distância de um objeto que, na televisão, ele nunca consegue medir.
As quatro argolas no desenho de uma nova eraDivulgação / Audi do Brasil
3
sedes
1.400
pessoas
5,362
metros
2030
a meta
I
A chegada: 355 quilos de proporção exata
São 5,362 metros de comprimento, 1,893 metro de largura, 1,156 metro de altura e 355 quilos. A exatidão é o ponto: o público entende de perto o quanto é baixo, o quanto é largo, o quanto o desenho da categoria depende de centímetros.
A operação de desembarque foi tratada com cerimônia. A Audi do Brasil organizou uma carreata e recorreu à Volkswagen Caminhões, que cedeu um VW Meteor 29.530 — 530 cavalos, capacidade para tracionar até 74 toneladas — para o transporte. O trajeto saiu do Porto de Santos, passou pelo centro de distribuição de peças em Vinhedo e terminou no Audi experience center, na zona sul de São Paulo. Escoltando o caminhão, um comboio de RS3, RS Q8, RS e-tron GT Performance, TT RS e R8. O passado esportivo da marca abrindo caminho para o presente.


II
A equipe: quatro anos de construção antes da primeira volta
A Audi anunciou a entrada na Fórmula 1 em agosto de 2022. Levou quatro temporadas para chegar ao grid — tempo gasto comprando, peça por peça, a estrutura da Sauber, em Hinwil, e transformando-a em equipe de fábrica. É a primeira vez que a marca das quatro argolas disputa a categoria com chassi e motor próprios, num movimento que a própria empresa trata menos como campanha esportiva e mais como redirecionamento industrial.
A operação vive em três endereços. O chassi nasce em Hinwil, na Suíça, nas mesmas instalações onde a Sauber construiu quase quatro décadas de história. A unidade de potência — a AFR 26 Hybrid, primeiro motor de Fórmula 1 desenvolvido pela Audi — é feita em Neuburg an der Donau, na Baviera. E um centro técnico em Bicester, na Inglaterra, completa o triângulo. São mais de 1.400 pessoas envolvidas.
No comando está Mattia Binotto, que passou 28 anos na Ferrari e chefiou a Scuderia entre 2019 e 2022. Chegou ao projeto como responsável técnico e acumulou a função de chefe de equipe após a saída de Jonathan Wheatley, em março, duas corridas depois da estreia. Allan McNish responde pela direção de corrida; James Key, pela área técnica. O calendário que Binotto anunciou é honesto ao ponto de soar impopular: 2026 e 2027 são anos de fundação, vitórias a partir de 2030.
“
A pista é a cereja do bolo. Antes de tudo, é preciso preparar o bolo.
Mattia Binotto, CEO e chefe da Audi na Fórmula 1
O silêncio antes de InterlagosDivulgação / Audi do Brasil
III
Revolut: o nome que divide a carroceria
A parceria com a Revolut é o detalhe que mais diz sobre o momento. A fintech britânica não é apenas patrocinadora: é title partner, e por isso o nome oficial da equipe é Audi Revolut F1 Team — uma decisão incomum para uma montadora alemã acostumada a assinar sozinha. É também um sinal de para onde o dinheiro da categoria se moveu. Os patrocínios que hoje dividem espaço com as marcas históricas vêm de serviços financeiros digitais, não de tabaco nem de petróleo.
O carro que estreou em Berlim, em 20 de janeiro, traduz isso em pintura: prata titânio, preto carbono e o novo Audi Red, num desenho que abandona a exuberância cromática da concorrência em favor de algo mais próximo de um objeto industrial. A adidas assina o uniforme. É um pacote de marcas montado com o mesmo critério que a Audi aplica a um interior: poucas peças, todas escolhidas.
IV
Bortoleto: o brasileiro que marcou todos os pontos da Audi
Gabriel Bortoleto tem 21 anos, nasceu em Osasco e chegou à Fórmula 1 com uma credencial rara: venceu a Fórmula 3 em 2023 e a Fórmula 2 em 2024, em ambos os casos na temporada de estreia — feito que apenas outros três pilotos haviam conseguido antes. Passou 2025 como estreante na Sauber e, em Spielberg, encerrou uma sequência de 159 Grandes Prêmios sem brasileiros na zona de pontos.
Em 2026, o número que resume a temporada é este: a Audi soma dez pontos no Mundial de Construtores, e os dez são dele. Marcou na estreia da equipe, em Melbourne, com um nono lugar; repetiu o oitavo posto em Silverstone e em Spa. Nico Hülkenberg, com mais de 250 largadas na carreira e uma das mãos mais experientes do grid, foi traído pela confiabilidade do carro em boa parte do primeiro semestre — abandonou quatro das nove primeiras corridas. Ler o placar interno como veterano superado por garoto seria fácil e errado.
A equipe chegou à pausa de verão em nono no Mundial de Construtores, depois de um GP da Hungria em que Bortoleto terminou em 11º, a menos de um segundo da zona de pontuação. A temporada recomeça entre 21 e 23 de agosto, em Zandvoort — exatamente o fim de semana em que o showcar estará no Velocittá. Para o público brasileiro, a coincidência é conveniente. E há um detalhe que não é coincidência nenhuma: o carro exposto no Audi experience center traz o número 5 na lateral, o de Bortoleto, e não o 27 de Hülkenberg. Numa réplica em que cada centímetro foi decidido, essa é a decisão mais eloquente de todas.
Prata titânio, preto carbono e o novo Audi RedDivulgação / Audi do Brasil
V
O roteiro: do Velocittá para o resto do país
A primeira parada pública é o Audi driving experience, de 18 a 23 de agosto, no Autódromo Velocittá. Dali em diante, o carro vira itinerante: shoppings, aeroportos, espaços públicos e concessionárias, em ações que devem passar por São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Guarulhos, Recife e Blumenau até o fim do ano.
“Queremos levar essa experiência para diferentes pontos do país”, resume Gerold Pillekamp, Head de Marketing e Produto da Audi do Brasil. A operação logística, o contêiner do veículo e boa parte das exposições ficam a cargo da Equipa Group, responsável também pela integração das ativações junto à rede de concessionárias.
Ao lado das exposições, simuladores de Fórmula 1® transformam a visita em disputa. O público roda voltas virtuais em Interlagos e registra tempos num ranking nacional; os dez melhores colocados no geral são convocados para uma etapa especial ao lado de Rubens Barrichello, com experiências exclusivas do universo da categoria em jogo. É um mecanismo simples e, por isso mesmo, eficiente: transforma quem olha em quem participa, e uma exposição em campeonato de seis meses.
VI
O fim de semana: o que acontece fora da pista
Para o Grande Prêmio de São Paulo, a Audi montou um programa à parte. A operação das experiências ficará com a agência Haute, encarregada dos convidados no Paddock e na Second Hospitality ao longo do fim de semana. O Audi experience center funciona como hub — ponto de encontro, base e sala de estar da operação.
O desenho é o de sempre no luxo automotivo contemporâneo, e a Audi o executa com método: transporte dedicado, programação cultural e gastronômica em diferentes pontos de São Paulo, festas. A corrida dura duas horas; o fim de semana, quatro dias. Quem organiza bem entende que o segundo é o produto.
2026 é um ano de recomeços para a marca no Brasil: a fábrica de São José dos Pinhais voltou a operar com a terceira geração do Q3, a rede passou de quarenta lojas e quase R$ 90 milhões foram investidos em infraestrutura de recarga pelo país. A Fórmula 1 é a moldura em volta disso tudo.
Em novembro, em Interlagos, o carro será outro. Mas quem estiver na arquibancada já vai conhecer de cor o desenho, as proporções e o nome do piloto. Era exatamente esse o trabalho.
Gabriel Silveirado, para a WAYFARER
São Paulo · com informações da Audi do Brasil · fotos: divulgação
A ficha
Equipe
Audi Revolut F1 Team · equipe de fábrica desde 2026, sobre a estrutura da Sauber
Sedes
Hinwil, Suíça (chassi) · Neuburg an der Donau, Alemanha (motor) · Bicester, Inglaterra (centro técnico)
Carro e pilotos
R26, motor Audi AFR 26 Hybrid · Gabriel Bortoleto (#5) e Nico Hülkenberg (#27)
Showcar
5,362 m × 1,893 m × 1,156 m · 355 kg · chegada em 6 de agosto de 2026, do Reino Unido
Primeira exposição
Audi driving experience · 18 a 23 de agosto · Autódromo Velocittá
Itinerância
Shoppings, aeroportos, espaços públicos e concessionárias, até o fim de 2026
GP de São Paulo
Hospitalidade com a agência Haute · hub no Audi experience center


