Dark Mode Light Mode

WAYFARER · WELLNESS

Cinco pontos de nutrição para quem quer se tornar vegano

Uma dieta vegana bem planejada atende às necessidades de adultos, dizem as entidades de nutrição. O que separa o bem planejado do improviso, da vitamina B12 às leguminosas.

Por Gabriel Silveirado21 novembro, 2019

Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.

Tornar-se vegano é uma decisão ética. Fazê-lo bem é uma decisão técnica.

A alimentação à base de plantas deixou de ser nicho. Uma pesquisa Ipec encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira em 2021 apontou que 14% dos brasileiros se declaram vegetarianos, e a oferta de restaurantes e produtos acompanhou o movimento. A ciência, por sua vez, é clara: a Academy of Nutrition and Dietetics, maior entidade de nutricionistas dos Estados Unidos, considera que uma dieta vegana bem planejada pode atender às necessidades nutricionais de adultos. A expressão que importa é “bem planejada”. Cinco pontos ajudam a entender por quê.

1. Vitamina B12: a única regra sem exceção

A B12 é produzida por bactérias e, na prática, só aparece em quantidade confiável em alimentos de origem animal. Para quem é vegano, a suplementação ou o consumo regular de alimentos fortificados não é opcional: é consenso entre as entidades de nutrição. A deficiência se instala devagar e pode causar anemia e danos neurológicos. Exames periódicos ajudam a acompanhar os níveis.

2. Os outros nutrientes de atenção

Além da B12, alguns nutrientes pedem cuidado: vitamina D, iodo, cálcio, ferro, zinco e os ômega-3 de cadeia longa, EPA e DHA. O ferro vegetal é absorvido em menor proporção, e combiná-lo com vitamina C na mesma refeição melhora o aproveitamento. O cálcio pode vir de bebidas vegetais fortificadas, tofu e folhas verde-escuras. Para o ômega-3, existem suplementos feitos a partir de microalgas. Vale uma correção a um mito frequente: o folato, ou vitamina B9, é abundante em vegetais, e costuma estar bem coberto numa dieta vegana variada.

3. Proteína: leguminosas no centro do prato

A proteína vegetal vem sobretudo das leguminosas: feijões, lentilha, grão-de-bico, ervilha e soja, além de tofu, tempeh, castanhas e sementes. A soja se destaca por oferecer todos os aminoácidos essenciais, e combinações clássicas da mesa brasileira, como arroz com feijão, cumprem o mesmo papel. Verduras e legumes são importantes, mas não bastam como fonte principal de proteína.

4. Transição: de uma vez ou aos poucos

Não há regra universal. Há quem prefira cortar tudo de uma vez e quem se adapte melhor retirando os produtos de origem animal por etapas, refeição a refeição. O ritmo gradual costuma facilitar o aprendizado de novas receitas e a adaptação do paladar. Frequentar bons restaurantes veganos ajuda nesse processo: apresenta texturas, técnicas e combinações que depois podem ser levadas para a cozinha de casa.

5. Acompanhamento profissional

Um nutricionista ajuda a montar um plano adequado à rotina, à idade e ao momento de vida, e a definir quais exames e suplementos fazem sentido. Gestantes, lactantes, crianças e idosos têm necessidades específicas, e algumas sociedades médicas europeias recomendam cautela extra nesses grupos. Com orientação, a dieta vegana deixa de ser uma aposta e passa a ser um projeto.

A convicção leva alguém a mudar o prato. O conhecimento é o que mantém a mudança de pé, ano após ano, com saúde para sustentar a escolha.

Redação WAYFARER

Previous Post

Prince A. Sanders: do balé à hotelaria de Nova York

Next Post

Sevilha, a capital da Andaluzia