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Negroni, o clássico mais vendido nos melhores bares do mundo

Pelo quinto ano seguido, o Negroni lidera o ranking de clássicos da Drinks International. A origem florentina, a receita da IBA e as variações que o mantêm vivo.

Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.

Três ingredientes, partes iguais, nenhum segredo. E, ainda assim, o coquetel que o mundo mais pede.

O Negroni ocupa o primeiro lugar do ranking anual de clássicos mais vendidos da Drinks International, levantamento feito entre os melhores bares do mundo, pelo quinto ano consecutivo na edição de 2026. Na mesma lista, Margarita, Old Fashioned, Dry Martini e Espresso Martini completam o topo. A liderança diz algo sobre o momento da coquetelaria: menos fumaça e espuma, mais equilíbrio e reprodutibilidade. A estrutura 1:1:1 garante que o drinque saia igual em Milão, em Nova York ou em São Paulo, e essa constância é parte de sua força.

Origem: Florença, com ressalvas

A versão mais difundida situa o nascimento em Florença, por volta de 1919. O conde Camillo Negroni teria pedido ao bartender Fosco Scarselli, do Caffè Casoni, que fortalecesse seu Americano, trocando a água com gás por gim. A casca de laranja, no lugar do limão, marcava a diferença. Historiadores da coquetelaria, como David Wondrich, questionam detalhes do relato, inclusive o título de conde, e há famílias que reivindicam outras paternidades. Nenhuma das versões alternativas se sustenta tão bem quanto a florentina, que segue sendo a oficial na memória dos bares.

Receita: o cânone da IBA

A International Bartenders Association registra o Negroni em partes iguais, montado sobre gelo em copo baixo:

  • 30 ml de gim
  • 30 ml de vermute tinto doce
  • 30 ml de Campari

Mexa com calma, sem pressa de diluir demais, e finalize com uma fatia ou casca de laranja. O Campari, ingrediente citado pela IBA, é o que dá ao drinque o vermelho e o amargor que o definem. O resto é escolha: um gim mais seco deixa o conjunto austero, um vermute mais especiado o torna mais redondo.

Variações: o clássico que aceita conversa

Parte da longevidade vem da capacidade de se reinventar sem perder a identidade. O Negroni Sbagliato troca o gim por espumante e fica mais leve. O White Negroni substitui o Campari por Suze e o vermute por Lillet Blanc, em tons de ouro. O Boulevardier, primo próximo, usa bourbon ou rye no lugar do gim e ganha corpo para as noites frias. Todos partem da mesma geometria: três partes, um amargo, um vinho aromatizado, um destilado.

Há também a Negroni Week, criada pela Imbibe e pelo Grupo Campari, que todo ano reúne bares ao redor do mundo em torno do drinque com arrecadação para causas beneficentes. É o tipo de ritual que mantém um clássico vivo sem transformá-lo em peça de museu.

Um século depois do pedido no balcão florentino, a fórmula não mudou uma vírgula. Talvez seja exatamente por isso que o mundo continua pedindo o mesmo copo.

Redação WAYFARER

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