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Donna: a cozinha ítalo-paulistana de André Mifano nos Jardins

Nos Jardins desde 2021, o Donna marca o reencontro de André Mifano com a cozinha italiana que o projetou, agora em nova fase, com sócia e cardápio renovado.

Nota editorial: publicada originalmente em 2022 e atualizada em setembro de 2026.

Há chefs que mudam de cozinha a cada casa nova. André Mifano preferiu voltar para a que o fez conhecido, e ir além dela.

O Donna, aberto no fim de 2021 na Rua Peixoto Gomide, marcou duas estreias para o chef. Foi a primeira vez que ele deixou o eixo Vila Madalena e Pinheiros, onde fez carreira, para se instalar nos Jardins. E foi o reencontro com a cozinha italiana que o projetou em São Paulo nos tempos do Vito, depois de uma fase dedicada a outras linguagens no Lilu, fechado em 2020.

A cozinha: ítalo-paulistana

Mifano define o Donna como uma cozinha ítalo-paulistana: os clássicos estão ali, mas tratados com processo, rigor de ingrediente e a bagagem de mais de duas décadas de ofício. Na abertura, alguns pratos da era Vito voltaram para matar a saudade, como a barriga de porco, servida com salada de melancia, rabanete, pepino e hortelã, os embutidos feitos na casa, o spaghetti à carbonara e o fettuccine ao ragu bolonhesa à moda original, sem molho de tomate. O bolo de abobrinha, outro clássico do chef, fechava a refeição.

“Aqui, eu revisito a cozinha clássica italiana aplicando processos, zelando pelos ingredientes e tratando-os com esmero”, resumiu Mifano na abertura. O molho de tomate, com 13 ingredientes, segue a receita que ele fazia no Vito.

Spaghetti Carbonara
Wagyu & Trufa
Barriga de porco, melancia, pepino e rabanete

A casa hoje: nova fase, mesma assinatura

O Donna amadureceu sem perder o eixo. Ganhou uma seção de massas frescas e, a partir de 2025, uma nova fase com a entrada da empresária Manu Carvalho como sócia. A casa passou por uma reforma no salão, com sofás e uma área de espera redesenhada, e o cardápio incorporou pratos como arancini com aioli de limão-siciliano, ravioli de pernil de cordeiro com creme de grana padano, ossobuco braseado em baixa temperatura e tiramisù montado à mesa. O bar ganhou uma carta de bourbons escolhida pelo próprio chef.

O projeto arquitetônico original, da arquiteta Cláudia Abreu, pensou cada ambiente como uma descoberta própria, da área externa ao salão, numa leitura contemporânea da tradição italiana. A escala é pequena, e isso faz parte do encanto: uma casa de bairro nos Jardins, com cozinha de autor.

Para quem entende a mesa italiana como memória, e não como fórmula, o Donna é uma das conversas mais interessantes da cidade.

Serviço

Donna
Rua Peixoto Gomide, 1815, Jardim Paulista, São Paulo
Jantar de segunda a sábado e almoço aos sábados; horários sujeitos a mudança, confirme na reserva
@restaurantedonna_

O chef que um dia saiu da cozinha italiana voltou para ela nos Jardins. Não como quem repete a receita, mas como quem finalmente entende por que ela funciona.

Redação WAYFARER

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