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Marc Veyrat contra o Guia Michelin: o processo pela terceira estrela e seu desfecho

O chef francês perdeu a terceira estrela, processou o guia e perdeu no tribunal de Nanterre. O que ficou do caso conhecido como cheddargate.

Nota editorial: publicada originalmente em 2019 e atualizada em setembro de 2026.

Uma estrela Michelin pode ser ganha, perdida e disputada. O que não se consegue é levá-la ao tribunal e sair vencedor.

Essa é a lição do caso que ficou conhecido na França como “cheddargate”, protagonizado por Marc Veyrat, um dos chefs mais reconhecíveis do país, com seu inseparável chapéu de aba larga, e pela instituição mais temida da gastronomia mundial.

A estrela perdida

Em 2018, La Maison des Bois, o restaurante de Veyrat em Manigod, nos Alpes franceses, recebeu a terceira estrela, a distinção máxima do guia. Um ano depois, na edição de janeiro de 2019, ela foi retirada. O chef reagiu com uma fúria rara no meio. Disse que a perda foi pior do que a morte dos próprios pais, pediu para ser excluído do guia, o que a Michelin recusou, e afirmou que os inspetores teriam confundido o queijo de seu suflê: segundo ele, julgaram que havia cheddar onde havia reblochon, beaufort e tomme, cor dada pelo açafrão.

Marc Veyrat

O processo e a decisão da Justiça

Em 2019, Veyrat levou o guia à Justiça francesa. Pedia acesso às anotações dos inspetores e uma indenização simbólica de um euro. A Michelin respondeu em nota que compreendia a decepção do chef, cujo talento ninguém questionava, mas lamentava sua insistência em acusar publicamente. No fim de dezembro de 2019, o tribunal de Nanterre, nos arredores de Paris, rejeitou a ação: considerou que Veyrat não comprovou prejuízo com a perda da estrela e que a independência da avaliação faz parte da liberdade de expressão dos críticos. O chef foi condenado a arcar com custas do processo e chegou a anunciar que continuaria a briga, sem que o desfecho mudasse.

O que veio depois

A Maison des Bois ficou fechada por cerca de três anos e reabriu em 2022 sob o comando de Élise Veyrat, filha do chef, com uma proposta mais convivial. Marc Veyrat seguiu para Megève, onde abriu novos projetos. Em 2025, voltou às manchetes ao declarar que os inspetores da Michelin não eram bem-vindos em seu restaurante na estação de esqui. “Não quero fazer provas nem ser classificado”, disse à imprensa francesa, mantendo a versão de que o suflê nunca levou cheddar.

O episódio permanece como caso de estudo sobre a relação, às vezes tóxica, entre chefs e guias. Mostrou que a Justiça francesa trata a crítica gastronômica como opinião protegida, e que nenhuma estrela é vitalícia. Também reforçou uma tendência que só cresceu desde então: a de chefs que preferem abrir mão das classificações a viver sob elas.

Um suflê, três queijos alpinos e uma cor que talvez fosse de açafrão. Veyrat perdeu a estrela e perdeu no tribunal. Mas ganhou algo que o guia não concede: a liberdade de cozinhar sem prestar contas a ninguém.

Redação WAYFARER

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