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Marques de Casa Concha: o Chile desenhado vale por vale

Do Limarí ao Itata, como o enólogo Marcelo Papa construiu a linha da Concha y Toro associando cada uva ao lugar onde ela se expressa melhor.

Nota editorial: publicada originalmente em 2021 e atualizada em setembro de 2026.

Todo vinho é um mapa. Alguns desenham um vale. O Marques de Casa Concha, linha da chilena Concha y Toro, tenta desenhar um país inteiro, uva por uva, do deserto do norte às chuvas do sul. Quem traçou boa parte desse mapa foi o enólogo Marcelo Papa, à frente da linha há mais de 25 anos.

Marques de Casa Concha
Marques de Casa Concha

A origem: um Cabernet de 1974

A linha nasceu com um Cabernet Sauvignon, cuja primeira safra completou 50 anos em 2024, data que a marca celebrou com uma nova identidade visual, mais moderna e com cores diferentes para cada variedade. Papa assumiu o projeto em 1999, quando as origens clássicas de Puente Alto e Peumo já estavam estabelecidas. Em 2019, o crítico britânico Tim Atkin o elegeu enólogo do ano.

O método: uma uva, um lugar

A ideia que guia o trabalho é simples de dizer e difícil de executar: cada variedade deve vir do lugar onde se expressa melhor. Nos primeiros sete anos, a equipe se concentrou na zona central, nos vales do Maipo e do Rapel. Depois percorreu cerca de mil quilômetros, de norte a sul, da cordilheira ao mar. Hoje o mapa da linha passa pelos vales do Limarí, do Maipo, do Cachapoal, do Maule e do Itata.

Felipe Bronze e Marcelo Papa
Felipe Bronze e Marcelo Papa, em 2021
Equipe da Concha y Toro
Nelso Berto, Pietro Capuzzi e Vero Hahn, da Concha y Toro

O mapa: vale por vale

Limarí. Foi a grande aposta de Papa, primeiro para o Chardonnay e depois para o Pinot Noir. Solos calcários, influência do Pacífico, pouca água. Em 2021, ele descreveu os vinhos da região como de muita estrutura e tensão, “salgados, calcários, bem verticais”. Por ser uma área extrema e seca, defendia expandir ali só em escala limitada, privilegiando vinhos de alta gama.

Maipo. Casa do Cabernet Sauvignon e do Syrah, sobretudo no Alto Maipo. O Cabernet que Papa persegue tem cassis marcado e taninos redondos, menos opulência e mais suculência do que os tintos chilenos de outras décadas, e fôlego para envelhecer.

Peumo, no Cachapoal. Território do Carménère, a uva que o Chile adotou como sua. “O Carménère é Peumo, sem sombra de dúvida”, resumiu ele. É o tinto mais encorpado e generoso da linha.

Maule e Itata. Ao sul, o Maule deu à linha um Merlot fresco e delicado, de San Clemente, e um Malbec mais tenso e ácido que os argentinos. O Itata, de vinhas antigas, é a origem do Cinsault usado no rosé, o rótulo que Papa associa à delicadeza, em contraponto à força do Cabernet.

Sobre o ofício, ele guardava uma frase que explica a obsessão: a maior emoção é quando, depois da primeira colheita, a taça confirma tudo o que se imaginou sobre aquele lugar.

Leia também: conheça a Gran Reserva da Concha y Toro e a nova linha do Casillero del Diablo.

Todo vinho é um mapa, e este cobre um país estreito e longo, do Limarí ao Itata. Calcário, cordilheira, mar: abrir uma garrafa da linha é refazer, com os sentidos, o caminho que Marcelo Papa levou décadas para percorrer.

Redação WAYFARER

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