WAYFARER · Vinhos
Floratta Rosé e Moscatel Branco, safra 2025, premiados no Citadelles du Vin 2026 em Bourg-sur-Gironde. Os dois pelo método Asti.
O Brasil demorou a entender que não precisava fazer champanhe para ser levado a sério na França.
Em Bourg-sur-Gironde, o Citadelles du Vin 2026 premiou com ouro dois espumantes da Cooperativa Vinícola Garibaldi: o Floratta Rosé e o Moscatel Branco, ambos da safra 2025. O concurso, realizado desde 2000 sob a patronagem da Organização Internacional da Vinha e do Vinho, reuniu 45 degustadores de 19 países para avaliar 369 amostras produzidas em 16 países. Seis brasileiros saíram com ouro. Dois eram da Garibaldi.
Não é estreia. Em 2025 a cooperativa já havia levado dois prêmios no mesmo concurso, entre eles um Gran Ouro para o Moscatel da safra 2024. O Moscatel Branco acumula reconhecimento desde 2019 e, só neste ano, somou ouros também no Brazil Wine Challenge e no Grande Prêmio Vinhos do Brasil.
O detalhe técnico é onde mora a matéria. Os dois espumantes são feitos pelo método Asti: uma única fermentação, em tanques de aço inoxidável. Sem segunda fermentação em garrafa, sem anos sobre borras. É o oposto do procedimento que a Champagne transformou em dogma, e a comparação com Reims, embora inevitável, é a menos reveladora. O Asti não disputa com a Champagne. Disputa com a ideia de que espumante bom precisa de tempo. Aqui o tempo é adversário: a moscatel perde aroma a cada mês em contato com borras, e o método existe para engarrafar a fruta antes que ela se dissolva em fermento.
O método Asti não disfarça a uva. Expõe.

O Moscatel Branco nasce de Moscatel Giallo. Amarelo palha, perlage fina, aroma floral com melão, mel e maçã verde. O Floratta Rosé, primeiro ouro em 2026, vem de Moscato de Hamburgo, com cereja, framboesa e um fundo de maçã caramelizada. São vinhos de fruta, frescos, de baixa pretensão e alta precisão. Servem à mesa brasileira melhor do que qualquer imitação de Reims.
Há uma lição de posicionamento aqui que costuma passar despercebida. Durante décadas o produtor brasileiro foi julgado por quão perto chegava de um modelo europeu. A Garibaldi vence justamente onde não tenta chegar perto. Um júri internacional, em solo francês, premiou um método que a França não reivindica.
Ganhar na casa dos outros é bom. Ganhar sem falar a língua deles é melhor.
Gabriel Silveirado, para a WAYFARER.


