WAYFARER · VIAGEM | Cidadania
Quem quer uma segunda cidadania costuma olhar para Portugal, Malta ou alguma ilha caribenha. A Argentina decidiu entrar na disputa.
O país anunciou seu primeiro programa de passaporte dourado e se tornou o pioneiro da América do Sul nesse tipo de iniciativa, segundo apurou a ABC News. A lógica é direta: quem doar ou investir determinada quantia no governo argentino recebe a cidadania em troca.
Duas portas de entrada
- Doação de US$ 350 mil ao tesouro nacional.
- Compra de um título de US$ 800 mil.
- Família: o benefício se estende a dependentes por pelo menos mais US$ 100 mil, conforme o comunicado que detalha as regras.
O que o passaporte entrega
Os valores são expressivos, mas o retorno pode justificar o investimento. A Argentina ocupa a 16ª posição no ranking global de passaportes da Henley & Partners para 2026, o que garante aos portadores entrada sem visto em 169 destinos, incluindo a área Schengen, a China, os Emirados Árabes Unidos e o Reino Unido. Há ainda o acesso ao Mercosul, bloco que permite viver e trabalhar livremente em países como Brasil, Chile e Peru.
“Este será mais um canal pelo qual poderemos vender a Argentina para o mundo”, declarou Luis Caputo, ministro da Economia, durante uma cúpula em Paris onde o programa foi anunciado, segundo reportagem do New York Times. As inscrições devem abrir ainda neste ano.
Um mercado que já existe
A iniciativa entra em um cenário conhecido. Diversas nações caribenhas mantêm programas semelhantes de cidadania por investimento há anos. Em paralelo existe o modelo do visto dourado, que concede residência, não cidadania, a quem investe localmente. Grécia, Suíça e Nova Zelândia figuram entre os países que adotam esse formato e atraem, sobretudo, americanos abastados em busca de uma base fora do país de origem.
Portugal, Malta e o Caribe ganharam uma vizinha no hemisfério sul. Com o novo plano, a Argentina aposta em entrar para a lista de endereços procurados por quem pode escolher onde pertencer.


