WAYFARER · Fly
A LATAM mostrou o interior do Embraer E195-E2, que entra em operação doméstica no último trimestre de 2026. São 136 assentos e um pedido firme de 24 aeronaves.
A melhora não está na tela nem no Wi-Fi. Está na aritmética.
Dois mais dois. Essa é a configuração da cabine do Embraer E195-E2 que a LATAM Airlines Brasil começa a operar no último trimestre deste ano: dois assentos de cada lado do corredor, 136 no total. Num corredor único, isso elimina uma categoria inteira de sofrimento. Ninguém senta no meio. Não porque a companhia bloqueou o assento, mas porque ele não existe.
Vale medir o tamanho da mudança. A malha doméstica brasileira roda majoritariamente em Airbus A320 e A321, com fileiras de três de cada lado. Numa aeronave assim, um terço dos passageiros da econômica viaja espremido por definição geométrica. O E2 apaga essa fração.
Conforto em aviação raramente é um serviço. Quase sempre é um número de assentos por fileira.
A cabine se divide entre Economy e Premium Economy, esta com até vinte lugares dependendo da configuração. O detalhe relevante está no que a LATAM diz que não fará: a Premium Economy não terá assentos bloqueados. É uma diferença de natureza, não de grau. Vender espaço porque a poltrona é maior é um produto. Vender espaço porque o vizinho foi removido é uma tabela de preços disfarçada de cabine.

O resto do pacote é o esperado de uma frota nova em 2026. Apoio de cabeça ajustável, reclinação, suporte para dispositivo próprio e tomadas USB-C em toda a aeronave. A conectividade vem de satélite, pela SES, com promessa de sinal mais estável e latência menor. Quem tem cadastro no LATAM Pass usa o Wi-Fi sem pagar, o que transforma o programa de fidelidade em porteiro da internet a bordo, movimento que várias companhias vinham testando e poucas assumiram com esta clareza.
O entretenimento fica no LATAM Play, com mais de 300 filmes, mais de mil episódios de séries e mais de 800 álbuns, incluindo material de Disney+, HBO Max e Paramount+.
Há ainda um dado que a nota não sublinha e a WAYFARER sublinha: o avião é brasileiro. Uma companhia com sede em São Paulo comprando 24 aeronaves de São José dos Campos para voar entre cidades brasileiras é uma frase que não se escrevia com naturalidade há alguns anos. Paulo Miranda, vice-presidente de Clientes do grupo, diz que o passageiro deve esperar a mesma experiência de sempre. A cabine sugere o contrário, e para melhor.
Vinte e quatro aeronaves, 136 assentos, nenhum deles no meio. Às vezes o avanço cabe numa subtração.
Gabriel Silveirado, para a WAYFARER.

