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Nova geração do Mustang reafirma sua proposta esportiva tradicional

O Ford Mustang GT 2025 mantém o V8 Coyote 5.0 aspirado de 488 cv, a tração traseira e o câmbio automático de dez marchas. Na cabine, telas de 12,4 e 13,2 polegadas.

Num mercado tomado por motores eletrificados, SUVs e assistentes que medem cada reação do motorista, o Ford Mustang GT 2025 insiste no básico: V8 aspirado e tração traseira. O Camaro saiu de cena e o Challenger virou outra coisa. O Mustang ficou como o último dos muscle cars americanos tradicionais ainda em produção.

Sob o capô está a evolução mais recente do Coyote 5.0 V8. Com novas entradas de ar, corpo de borboleta duplo e coletor de escape redesenhado, o motor rende 488 cv na versão vendida no Brasil, com escapamento ativo. O câmbio é o automático de dez marchas, recalibrado pela Ford para trocas mais rápidas e precisas.

Ford Mustang GT 2025
Ford Mustang GT 2025

Por fora, o desenho divide opiniões: é mais agressivo e musculoso, e menos clássico que o da geração anterior. A evolução maior está dentro. A cabine foi redesenhada e ganhou duas telas: painel de instrumentos de 12,4 polegadas e central multimídia de 13,2 polegadas. A personalização é profunda, com modos que reproduzem os mostradores de Mustangs históricos, como os de 1967-68, o Fox Body dos anos 1980 e o SVT Cobra do início dos anos 2000. Os gráficos são nítidos e rápidos, e até as cores do quadro de instrumentos podem ser ajustadas.

O volante de base reta e o freio de estacionamento eletrônico com função Drift Brake reforçam a vocação esportiva. Os bancos Recaro de couro são confortáveis e seguram bem o corpo nas curvas, mas os do carro que avaliamos não tinham aquecimento nem ventilação, ausência difícil de justificar no preço do carro. A ergonomia é boa, e a qualidade dos materiais evoluiu em relação à geração anterior.

Ford Mustang GT 2025
Ford Mustang GT 2025
Ford Mustang GT 2025

Na estrada, o Mustang GT mostrou por que é um carro pensado para o prazer de dirigir. O V8 entrega a força de forma progressiva e mostra o melhor acima de 4.000 rpm. Com o escapamento ativo, o ronco toma a cabine. Em aceleração os números impressionam: nas minhas largadas, de 0 a 100 km/h foram cerca de 5,1 segundos, podendo cair para 4,9 com uma saída mais agressiva. Nas curvas, os pneus Pirelli P Zero largos (255 na frente e 275 atrás) e o controle de tração bem calibrado passam segurança em trechos sinuosos. Sem as assistências, a traseira mostra a velha vocação para sair de lado, de forma previsível.

O peso, perto de 1.800 kg, aparece nas curvas mais fechadas. O Mustang compensa com chassi equilibrado, direção consistente e suspensão que privilegia o prazer ao volante sem sacrificar o conforto. O consumo, como se espera de um V8 aspirado, é alto na cidade e bem mais razoável em velocidade constante na estrada: medi médias de 16,5 l/100 km no uso urbano e cerca de 7,3 l/100 km em rodovia. Um ponto negativo da nossa avaliação foi a frenagem automática de emergência, que se mostrou sensível demais e chegou a provocar uma quase colisão em baixa velocidade.

Ford Mustang GT 2025

V8 aspirado, tração traseira, ronco. A receita do Mustang cabe numa linha e quase não mudou em sessenta anos. Enquanto os outros mudaram de assunto, ele continua roncando.

Ficha técnica: Ford Mustang GT 2025 (versão brasileira)
Motor: 5.0 V8 aspirado (Coyote), gasolina
Potência: 488 cv
Câmbio: automático de dez marchas; tração traseira
Pneus: Pirelli P Zero 255 (dianteiros) e 275 (traseiros)
Preço: R$ 529.000 (preço de lançamento, março de 2024)

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